A movimentação em torno da situação jurídica de Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo com a informação de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se reuniu reservadamente com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para tratar da possibilidade de uma nova prisão domiciliar para Bolsonaro, que hoje cumpre pena em unidade da Polícia Federal, em Brasília; o ministro confirmou a reunião, mas não detalhou o conteúdo da conversa, enquanto aliados e parte da classe política questionam as condições de cumprimento da pena em regime fechado diante das notícias sobre a saúde do ex-presidente. As informações são da coluna de Andréia Sadi, pelo g1.
O que está em discussão sobre a prisão domiciliar para Bolsonaro?
A principal questão em debate é se a situação atual de Jair Bolsonaro justificaria uma prisão domiciliar em caráter humanitário. Aliados e interlocutores próximos alegam que o quadro de saúde do ex-presidente não permitiria o cumprimento da pena em segurança em um estabelecimento prisional, mesmo sendo uma unidade da Polícia Federal.
Ao buscar Gilmar Mendes, Michelle Bolsonaro tenta abrir um canal político e institucional para discutir essas possibilidades. A prisão domiciliar para Bolsonaro já foi tema de decisões anteriores, quando ele deixou a custódia presencial e, depois, voltou ao regime mais rigoroso após episódios envolvendo o monitoramento eletrônico e descumprimento de condições impostas.
Por que a saúde de Jair Bolsonaro passou ao centro do debate?
A saúde do ex-presidente passou a ser tratada como ponto sensível após um episódio na madrugada de 6 de janeiro de 2026, quando Jair Bolsonaro teria sofrido uma queda e batido a cabeça na carceragem da Superintendência da Polícia Federal. O caso motivou uma denúncia formal apresentada pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) e pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que acionaram a Defensoria Pública do Distrito Federal.
Com base nessa denúncia, a Defensoria abriu uma investigação sobre as condições de saúde e de custódia de Bolsonaro. Os parlamentares pediram inspeções, verificação do atendimento médico e análise da necessidade de medidas humanitárias, o que vem sendo usado politicamente para sustentar que a prisão em regime fechado poderia representar risco adicional à integridade do ex-presidente.
Há divisão no STF sobre a concessão de prisão domiciliar para Bolsonaro?
Nos bastidores do Supremo, relatos apontam para uma divergência entre ministros sobre a forma como o caso Bolsonaro vem sendo conduzido. Alguns demonstram desconforto com a linha adotada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos processos envolvendo o ex-presidente, o que teria incentivado Michelle Bolsonaro a buscar conversas reservadas com outras autoridades da Corte, como Gilmar Mendes.
A discussão interna envolve o equilíbrio entre rigor penal, garantias individuais e impacto institucional de qualquer mudança no regime. A possibilidade de que uma prisão domiciliar para Bolsonaro seja vista como medida humanitária, e não como flexibilização política da pena, também preocupa os ministros, que avaliam os efeitos simbólicos de eventual revisão de decisões anteriores.
Quais podem ser os próximos passos?
Os desdobramentos imediatos devem envolver o andamento da investigação da Defensoria Pública do DF, que pode resultar em recomendações formais ao Judiciário ou ao Executivo. Laudos médicos e relatórios de inspeção terão peso relevante na análise de pedidos para reavaliar o regime de cumprimento da pena, inclusive quanto à possibilidade de retorno à prisão domiciliar.
Paralelamente, eventuais petições da defesa de Bolsonaro ao STF podem explorar revisão do regime com base em argumentos de saúde, questionamento de decisões anteriores e pedidos cautelares para assegurar tratamento adequado. Nesses cenários, a prisão domiciliar para Bolsonaro reaparece como opção em análise, sujeita à interpretação dos ministros e às provas produzidas no processo.