O senador Magno Malta (PL-ES) apresentou nesta quarta-feira (14/1) um requerimento para que a CPMI do INSS chame a ministra do Superior Tribunal Militar, Verônica Abdalla Sterman, a fim de esclarecer valores que teria recebido antes de assumir o cargo. Os pagamentos estariam relacionados a serviços prestados a uma empresa supostamente ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, apontado como principal articulador de um esquema de fraude contra aposentados e pensionistas.
Qual é o centro da suspeita envolvendo o “Careca do INSS”?
A suspeita recai sobre pagamentos da empresa ACX ITC ao escritório da então advogada Verônica Abdalla Sterman, antes de ela se tornar ministra do STM, em montante aproximado de R$ 700 mil.
Reportagens e documentos citados no pedido de Magno Malta indicam que a ACX ITC seria possivelmente ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como principal operador de fraudes contra beneficiários do INSS. A comissão busca esclarecer se os serviços jurídicos prestados foram efetivos e compatíveis com o mercado ou se poderiam ter servido como fachada para eventuais vantagens indevidas.
O que dizem o senador e a defesa da ministra do STM?
Ao justificar o requerimento, o senador Magno Malta afirma que, diante de pagamentos vultosos de uma empresa investigada, “o silêncio não é uma opção”, sustentando que a CPMI deve apurar todas as conexões entre operadores suspeitos, empresas contratantes e agentes públicos. Para ele, ouvir a ministra integra o dever de fiscalização do Congresso sobre a administração de recursos previdenciários.
Segundo informações do jornal Gazeta do Povo, o STM relatou que Verônica Abdalla Sterman nega qualquer vínculo com o “careca do INSS” e diz desconhecer qualquer relação da ACX ITC com o empresário. Segundo nota, quando atuava como advogada, foi contratada apenas para elaborar três pareceres penais, com honorários formalmente propostos, pareceres entregues nos prazos e relação profissional encerrada após a conclusão dos trabalhos. Veja publicação recente de Magno Malta:
— Magno Malta (@MagnoMalta) January 14, 2026
Como a CPMI do INSS pode avançar?
O pedido de convocação coloca a ministra em etapa sensível dos trabalhos da CPMI, que mapeia fluxos financeiros, contratos e eventuais conluios entre empresas e operadores de fraudes. A oitiva pode esclarecer se os pagamentos da ACX ITC foram compatíveis com o mercado jurídico e se havia conhecimento, por parte dela, sobre eventual relação da empresa com o “careca do INSS”.
Nesse contexto, os integrantes da CPMI podem buscar respostas para pontos específicos, detalhando o alcance dos serviços e possíveis vínculos não revelados. Entre os aspectos que a comissão tende a abordar estão:
- Qual foi o escopo detalhado dos três pareceres jurídicos elaborados;
- Como foram definidos os valores de honorários e as formas de pagamento;
- Se houve outros contratos ou contatos entre o escritório e a ACX ITC;
- Se existiam informações públicas ou internas sobre investigações envolvendo a empresa ou Antônio Carlos Camilo Antunes à época;
- Se houve comunicação espontânea da ministra a órgãos de controle ao tomar conhecimento das suspeitas.
Quais os próximos passos da investigação?
O caso evidencia a interseção entre o sistema de Justiça, o controle de recursos da Previdência Social e o papel fiscalizador do Congresso. A eventual convocação de uma ministra do STM por uma CPMI pode se tornar um marco na relação entre cortes superiores e comissões parlamentares, influenciando debates sobre transparência em contratos de escritórios de advocacia com empresas investigadas.
Os próximos passos dependem da tramitação do requerimento na CPMI, que pode aprová-lo, rejeitá-lo ou pedir informações adicionais. Se a convocação for confirmada, a oitiva deverá tratar, em sessão pública ou reservada, das circunstâncias dos pagamentos, das atividades da ACX ITC e de qualquer possível conexão com o “careca do INSS”, podendo resultar em recomendações a Ministérios Públicos, tribunais de contas e à Justiça criminal.