Os Estados Unidos realizaram uma nova apreensão de um petroleiro ligado à Venezuela no mar do Caribe, em mais um capítulo da disputa envolvendo sanções ao petróleo venezuelano. A operação, confirmada pelo governo norte-americano nesta quinta-feira (15/1), teve como alvo o navio Veronica, que navegava sob bandeira da Guiana, segundo o site de monitoramento marítimo Marine Traffic, reforçando o clima de tensão regional e recolocando a política energética e de segurança no centro do noticiário internacional.
Como ocorreu a apreensão do petroleiro Veronica no Caribe?
Segundo a agência de notícias Reuters, dois oficiais dos EUA relataram que a apreensão do petroleiro aconteceu em águas do Caribe, sem detalhar a posição exata nem a rota seguida pela embarcação. O jornal “The Wall Street Journal” informou que tropas norte-americanas embarcaram no navio durante a operação, o que evidencia o caráter militarizado da ação.
O Comando Sul dos Estados Unidos descreveu a operação como parte das atividades da Força-Tarefa Conjunta Southern Spear, em apoio ao Departamento de Segurança Interna. Em comunicado, afirmou que fuzileiros navais e marinheiros partiram do porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN 78) e apreenderam o Motor/Tanker Veronica sem registrar confrontos, ressaltando que o navio, com bandeira da Guiana, integraria a rede de transporte de petróleo venezuelano. Veja o vídeo divulgado (Reprodução/X/@Southcom):
Through #OpSouthernSpear, the Department of War is unwavering in its mission to crush illicit activity in the Western Hemisphere in partnership with @USCG through @DHSgov and @TheJusticeDept.
— U.S. Southern Command (@Southcom) January 15, 2026
In another pre-dawn action, Marines and Sailors from Joint Task Force Southern Spear,… pic.twitter.com/brxO9xXUu3
Por que os EUA estão apreendendo petroleiros ligados à Venezuela?
A apreensão do Veronica é descrita como a sexta ação desse tipo sob o governo de Donald Trump contra petroleiros relacionados à Venezuela, em meio ao que Washington classifica como “bloqueio total” ao petróleo venezuelano. As autoridades norte-americanas alegam que existe uma “frota fantasma” de navios usada para driblar sanções e sustentar financeiramente o governo de Caracas.
Segundo fontes do setor marítimo citadas pela Reuters, esses navios costumam mudar com frequência de nome, bandeira e registros para dificultar o rastreamento e a atuação de seguradoras e autoridades. A nova apreensão também ocorre em um momento politicamente sensível, às vésperas de um encontro entre Donald Trump e a opositora venezuelana María Corina Machado na Casa Branca, ampliando o componente diplomático da pressão sobre Caracas.
Quais foram outras recentes apreensões de petroleiros no Caribe?
O caso do Veronica se soma ao episódio do petroleiro Olina, apreendido na sexta-feira anterior (9/1) nas proximidades de Trinidad e Tobago, também no Caribe. Dados da base pública Equasis indicam que o navio navegava sob bandeira de Timor-Leste, considerada falsa pelos EUA, e já estava sob sanções desde janeiro do ano anterior, quando ainda se chamava Minerva M.
Informações do setor marítimo apontam que o Olina havia deixado a Venezuela totalmente carregado de petróleo após a prisão do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro e estaria retornando igualmente carregado. A sequência de interceptações reforça a ideia de uma ação coordenada para acompanhar embarcações associadas à exportação de óleo bruto venezuelano em rotas estratégicas do Caribe.
Quais impactos regionais e diplomáticos essas ações provocam?
A série de apreensões no Caribe afeta diretamente a logística de transporte de petróleo venezuelano e aumenta o risco percebido por operadores marítimos e seguradoras. Países que fornecem bandeiras de conveniência avaliam com mais cautela seu envolvimento com navios potencialmente vinculados a atividades sob sanção, diante do maior escrutínio norte-americano.
Na esfera diplomática, cresce o debate sobre o alcance extraterritorial das sanções dos EUA e seus efeitos em rotas comerciais internacionais e na segurança marítima. Países do Caribe e da América do Sul acompanham com atenção o aumento da presença militar norte-americana, enquanto especialistas em comércio exterior e energia medem possíveis impactos sobre preços, contratos e rearranjos de parceiros para o petróleo venezuelano.