O pedido de Jair Bolsonaro por um abafador de ruídos dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, trouxe novos contornos ao debate sobre suas condições de custódia, em meio a questionamentos sobre sua saúde, o impacto do barulho constante do ar-condicionado e o novo pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Qual o pedido de Bolsonaro na cela e como foi relatado?
Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL), após visita nesta quinta-feira (15/1), o ex-presidente se queixa do barulho contínuo de um aparelho de ar-condicionado instalado ao lado da cela. O som foi descrito como “enlouquecedor” e presente por cerca de 12 horas diárias, gerando forte desconforto.
O pedido de um abafador de barulho teria sido uma tentativa de reduzir os efeitos do ruído no espaço em que ele permanece detido. Flávio chegou a comparar a situação a uma forma de “técnica de tortura”, alegando impacto físico e mental, argumento que passou a ser usado politicamente e pela defesa. Veja publicação compartilhada por Flávio nas redes sociais:
Vamos registrar – nas organizações que dizem zelar pelos direitos humanos – que Jair Bolsonaro está sendo TORTURADO pelo Estado brasileiro.
— Sonaira Fernandes (@Sonaira_sp) January 14, 2026
Não podemos apenas falar em rede social. É hora de agir por todos os meios possíveis, incluindo demandando uma resposta da ONU! pic.twitter.com/cItx17psNF
Quais são os efeitos do ruído constante e o estado de saúde de Bolsonaro?
A defesa de Bolsonaro cita o ruído contínuo somado ao quadro clínico como motivo de preocupação e risco. Flávio relatou que o pai faz tratamento medicamentoso para soluços persistentes e sofre com zumbido nos ouvidos, o que agravaria o incômodo na cela da PF em Brasília.
Nos últimos meses, o ex-presidente passou por quatro cirurgias e, já custodiado, sofreu uma queda na cela, batendo a cabeça em um móvel, com diagnóstico de traumatismo craniano leve. Os advogados sustentam que intervenções recentes, uso de medicamentos e exposição prolongada a ruído intenso exigem cuidados específicos.
Quais argumentos sustentam o pedido de prisão domiciliar humanitária?
A defesa protocolou novo pedido de prisão domiciliar humanitária ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos envolvendo Bolsonaro no STF. O foco é o risco clínico, a necessidade de acompanhamento médico contínuo e as condições físicas da cela, especialmente o ruído do ar-condicionado.
Os advogados afirmam que, diante da idade, do histórico cirúrgico e dos episódios de queda e soluços, a prisão em casa sob monitoramento seria medida juridicamente possível e mais adequada do ponto de vista médico. Relatórios médicos, laudos da PF e manifestações do Ministério Público são analisados pelo Supremo.
Quais possíveis impactos políticos e jurídicos o caso pode gerar?
O episódio ocorre enquanto Flávio Bolsonaro se apresenta como pré-candidato à Presidência, o que amplia a repercussão pública das queixas sobre a cela. As alegações de condições inadequadas de custódia dialogam diretamente com a base bolsonarista e influenciam o debate sobre direitos de presos de alta projeção.
Especialistas acompanham o caso para avaliar como a decisão sobre a prisão domiciliar poderá orientar situações futuras de figuras públicas com idade avançada ou histórico médico delicado. A forma como o STF responde a alegações de risco clínico e condições carcerárias tende a servir de referência institucional.