A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em casos de recolhimento, suspensão e apreensão de medicamentos tem impacto direto na rotina de pacientes, profissionais de saúde e estabelecimentos farmacêuticos, pois sempre que há suspeita de erro de embalagem, falsificação ou qualquer irregularidade que coloque em risco a segurança do tratamento, a Agência adota medidas para suspender a circulação desses produtos no país, recomendando que a população redobre a atenção aos nomes dos medicamentos, aos lotes e às embalagens.
Quais são os medicamentos recolhidos e suspensos pela Anvisa?
Os recentes recolhimentos e proibições de remédios com uso consolidado em tratamentos gastrointestinais, cardiovasculares, oncológicos, antialérgicos e para doenças crônicas mostram como o controle sanitário é constante. Situações como troca de embalagem, divergência de informações ou suspeita de falsificação exigem resposta rápida e a Anvisa atua em parceria com as empresas detentoras de registro, que costumam comunicar irregularidades e realizar recolhimentos voluntários.
A palavra-chave central neste cenário é medicamentos recolhidos pela Anvisa. Entre os casos mais recentes está o lote OA3169 do medicamento Pantoprazol Sódico Sesqui-Hidratado 40 mg, usado no tratamento de problemas gastrointestinais, que teve a caixa trocada pela de Hidroclorotiazida 25 mg, indicado para controle de pressão arterial, levando a fabricante MedQuímica Indústria Farmacêutica Ltda. a comunicar o problema, iniciar o recolhimento voluntário e provocar a suspensão da comercialização, distribuição e uso do lote.
Quais medicamentos tiveram embalagens trocadas e foram suspensos?
Outro produto incluído na lista de medicamentos suspensos pela Anvisa é o antialérgico Alektos 20 mg, da empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. O lote 569889 teve a comercialização, distribuição e uso suspensos após constatação de que a embalagem de Alektos 20 mg havia sido trocada pela de Nesina, medicamento indicado para o tratamento de diabetes tipo 2.
Assim como no caso do Pantoprazol, a empresa comunicou o fato às autoridades sanitárias e realizou o recolhimento voluntário do lote, reforçando o papel das fabricantes na identificação de falhas. Nessas situações, a intervenção rápida evita que pacientes utilizem medicamentos inadequados ao seu tratamento, reduzindo riscos de eventos adversos e falhas terapêuticas.
Quais medicamentos falsificados sofreram apreensão e proibição?
Além dos recolhimentos por troca de embalagens, a Anvisa também determinou a apreensão e a proibição de lotes falsificados de medicamentos, quando não há comprovação de origem ou quando a empresa detentora do registro nega sua fabricação. Nesses casos, a circulação do produto é totalmente vetada para impedir o uso de itens sem garantia de qualidade, eficácia e segurança.
No caso do Imbruvica, remédio utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer hematológico, foram identificados como falsos os lotes NIS7G01, NJS7J00 e PJS0B00, que não foram fabricados pela Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda., além de a apresentação em cápsulas ter tido o registro cancelado. Situação semelhante ocorreu com o Mounjaro, cujo lote D838878 não foi produzido pela Eli Lilly do Brasil Ltda., levando a Anvisa a determinar a apreensão nacional e a proibição de comercialização, distribuição e uso.
O medicamento Voranigo e outros produtos podem continuar em circulação?
No grupo de medicamentos proibidos pela Anvisa, também aparece o Voranigo, destinado ao tratamento de tumores cerebrais, cujo lote FM13L62 foi alvo de apreensão e teve sua circulação totalmente vetada. A empresa Laboratórios Servier do Brasil, responsável pela produção, informou desconhecer a origem desse lote, o que levou a Agência a proibir seu armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso em serviços de saúde.
Essas medidas ilustram como a fiscalização sanitária atua desde a análise de embalagens trocadas até a identificação de lotes inteiros sem origem comprovada, aumentando a rastreabilidade na cadeia de medicamentos. Em todos os casos, recomenda-se que pacientes, farmácias, hospitais e clínicas confiram com atenção o nome do medicamento, a dosagem e, principalmente, o número do lote, registrando qualquer suspeita junto à Anvisa ou aos serviços de atendimento das empresas farmacêuticas.
Como o consumidor pode se proteger de medicamentos irregulares?
Diante de episódios de recolhimento, suspensão e apreensão, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos relacionados a medicamentos irregulares ou falsificados, principalmente em produtos de alto custo, de uso contínuo ou muito procurados. Manter atenção redobrada à procedência e às características da embalagem é fundamental para identificar sinais de adulteração ou falsificação.
Nesse contexto, alguns comportamentos simples no dia a dia podem aumentar significativamente a segurança do tratamento e facilitar a atuação dos órgãos de fiscalização e dos próprios serviços de saúde:
- Verificar sempre o lote e a validade na embalagem externa e no blister.
- Conferir se o nome do medicamento e a dosagem coincidem com a prescrição.
- Adquirir remédios apenas em estabelecimentos regularizados, como farmácias e drogarias licenciadas.
- Guardar a nota fiscal, o que facilita eventuais trocas, denúncias ou rastreio.
- Consultar comunicados da Anvisa e o Diário Oficial da União em casos de dúvida sobre um lote específico.
Quando há notícia de medicamentos recolhidos pela Anvisa ou de lotes falsificados, profissionais de saúde costumam orientar pacientes sobre substituições terapêuticas seguras e sobre a necessidade de interromper ou não o uso de determinado lote. As informações oficiais constam em resoluções como a Resolução RE nº 31, de 6 de janeiro de 2026, e o acompanhamento dessas publicações, aliado à checagem cuidadosa das embalagens e à comunicação imediata de irregularidades, contribui para manter a cadeia de medicamentos mais segura e preservar a integridade dos pacientes.
