O envio de uma queixa formal do Irã contra Donald Trump à Organização das Nações Unidas recolocou a política externa norte-americana sob os holofotes, ao acusar o presidente dos Estados Unidos de incentivar a violência, alimentar a desestabilização interna e ameaçar diretamente a soberania iraniana em meio a uma onda de manifestações e à resposta cada vez mais dura das autoridades locais.
O que o Irã alega na denúncia contra Trump na ONU?
A denúncia apresentada nesta terça-feira (13/1) pelo embaixador Amir Saeid Iravani ao Conselho de Segurança da ONU afirma que Donald Trump, por meio de publicações em redes sociais, estaria estimulando atos que colocam em risco a integridade territorial do Irã. Segundo o documento, as mensagens não seriam meras declarações políticas, mas incentivo explícito à ocupação de prédios públicos e à contestação direta das instituições iranianas.
Para a representação iraniana, esse tipo de discurso configura ingerência em assuntos internos e até estímulo à mudança de regime, aproximando-se, em linguagem diplomática, de uma “ameaça à segurança nacional de Teerã”. Ao acionar formalmente o Conselho, o Irã tenta transformar uma disputa política em tema de segurança coletiva, criando registro oficial de que as declarações de Trump teriam impacto direto na dinâmica das manifestações.
Como as declarações de Trump se relacionam com os protestos no Irã?
As publicações de Donald Trump surgem em meio a protestos massivos contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, marcados por forte repressão e elevado número de mortos. Em suas postagens na Truth Social, o presidente dos Estados Unidos conclama manifestantes a continuarem nas ruas, ocuparem prédios públicos, registrarem nomes de autoridades responsáveis por abusos e pressiona por mudanças políticas antes de retomar qualquer diálogo com Teerã.
Segundo o Irã, esse discurso reforça a percepção de apoio internacional às mobilizações e encoraja ações mais ousadas dos grupos que contestam o governo, alimentando a narrativa oficial de uma articulação externa envolvendo Estados Unidos e Israel. Levantamentos da organização de direitos humanos Hrana indicam cerca de 2.000 mortos em diferentes cidades, número que Teerã associa a um contexto de pressão externa sistemática combinando sanções, declarações públicas e incentivo às manifestações.
Quais são as principais preocupações sobre responsabilidade internacional?
A denúncia iraniana enfatiza a ideia de responsabilidade jurídica internacional por mortes e violações de direitos humanos, ao afirmar que Estados Unidos e Israel teriam “responsabilidade legal direta e inegável” pelas vítimas. Com isso, Teerã tenta deslocar parte do foco de seu próprio aparato de repressão para o papel de atores externos na escalada do conflito social e na intensificação dos protestos.
Ao mesmo tempo, o próprio Irã é alvo de críticas por usar a pena de morte em contexto de manifestações, com a primeira execução de um manifestante programada para esta quarta-feira, 13. Organizações de direitos humanos alertam que essas execuções podem se tornar instrumento de intimidação, enquanto Trump promete reagir politicamente e afirma que os responsáveis pela repressão “vão pagar um preço muito alto”, contribuindo para uma espiral de acusações mútuas.
Qual é o impacto da queixa do Irã na diplomacia global?
A iniciativa de denunciar Trump à ONU coloca o Conselho de Segurança diante de um caso em que discursos em redes sociais são tratados como possível ameaça à paz e à segurança internacionais. O episódio reabre debates sobre os limites da liberdade de expressão de líderes de Estado em contextos de crise, incluindo o potencial de suas declarações para incentivar violência ou interferir em disputas internas de outros países.
Para o Irã, o registro formal funciona como instrumento de pressão política e tentativa de isolar diplomaticamente Washington e seus aliados, podendo servir de precedente para futuras contestações a discursos de chefes de governo. Enquanto a queixa tramita, organismos internacionais seguem atentos tanto à repressão no território iraniano quanto à escalada verbal entre Teerã e Washington, mantendo o tema no centro da agenda diplomática e de direitos humanos em 2026.