A falsificação de medicamentos usados no tratamento de câncer tem gerado sucessivos alertas das autoridades sanitárias no Brasil. Em outubro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de lotes falsificados de medicamentos oncológicos amplamente utilizados, após identificar riscos relevantes à saúde pública, reforçando a importância da verificação de autenticidade de remédios de alto custo e uso hospitalar.

Keytruda falsificado e medidas definidas pela Anvisa
O medicamento Keytruda, utilizado principalmente no tratamento de diferentes tipos de câncer, teve dois lotes identificados como falsificados: SO48607 e Y019148. Segundo a Anvisa, esses lotes não são reconhecidos pelo fabricante como produtos originais, o que indica que não passaram pelos controles de qualidade exigidos para medicamentos oncológicos.
A distribuição desses itens esteve ligada a uma empresa cuja licença foi posteriormente cassada, após operação realizada no estado do Ceará para combater a falsificação de remédios. Como resposta, a agência determinou a apreensão imediata dos lotes citados e proibiu o armazenamento, comércio, distribuição, transporte, divulgação, uso, importação e exportação desses produtos irregulares.
Quais são os riscos do lote de Avastin falsificado à saúde?
Outro medicamento envolvido no alerta é o Avastin, indicado para o tratamento de câncer colorretal metastático, além de tumores de pulmão, mama e outras neoplasias. A falsificação foi identificada especificamente no lote H0386H05, que passou a ter sua comercialização, distribuição e uso proibidos em todo o país, sem prejuízo aos demais lotes legítimos.
A detentora do registro do Avastin no Brasil, Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A., detectou no mercado unidades com características divergentes das do produto original. Uma análise de imagens e dados de rastreabilidade mostrou que os itens falsos utilizavam codificação semelhante à de um lote real, porém com padrão sequencial previsível entre os códigos, evidenciando a falsificação.
Como identificar e agir diante de medicamentos falsificados?
Casos como o de Keytruda falsificado e o lote irregular de Avastin reforçam a necessidade de atenção redobrada de hospitais, clínicas, distribuidores e profissionais de saúde. A orientação é tratar qualquer suspeita de irregularidade em embalagens, rótulos, códigos ou procedência com máxima cautela e registro imediato da ocorrência.
Algumas medidas práticas podem ajudar na prevenção e identificação de medicamentos oncológicos falsificados, favorecendo o rastreamento adequado dos produtos e a segurança dos pacientes:
- Compra de fontes regulares: priorizar sempre distribuidores autorizados, farmácias e instituições com licença sanitária válida.
- Conferência de notas fiscais: verificar se o lote informado na embalagem corresponde ao documento de compra.
- Verificação de códigos: checar, quando disponível, sistemas de rastreabilidade e códigos de barras ou Datamatrix.
- Análise visual: observar cor do rótulo, tipografia, lacres, tampas e integridade da embalagem.
- Consulta ao fabricante: em caso de dúvida, entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para confirmar a autenticidade do lote.
Como notificar a Anvisa sobre suspeitas?
A Anvisa orienta que, ao identificar um possível lote falsificado ou receber informação sobre a presença de produtos irregulares, o profissional de saúde ou paciente comunique o fato aos Canais de Atendimento da Agência ou à Vigilância Sanitária local. As ferramentas de denúncia podem ser acessadas pelo portal da Anvisa, onde também é possível consultar resoluções publicadas no Diário Oficial da União.
Essas resoluções descrevem medidas como apreensão, proibição de uso e suspensão de distribuição, inclusive as que tratam especificamente dos lotes de Keytruda e Avastin. A notificação rápida contribui para a retirada célere dos produtos, reduzindo a exposição de outros pacientes a riscos desnecessários.
Gravidade da falsificação de medicamentos para câncer
A falsificação de medicamentos oncológicos representa um risco ampliado, porque envolve pacientes em situação clínica delicada que dependem de terapias com doses exatas e substâncias altamente específicas. Em um medicamento falso, não há qualquer garantia sobre composição, eficácia, segurança ou origem, o que compromete diretamente o tratamento.
Entre os impactos possíveis, especialistas apontam falha terapêutica, toxicidade imprevisível, prejuízo ao acompanhamento clínico e perda de confiança nos serviços de saúde. Diante desse cenário, a atuação coordenada entre Anvisa, fabricantes, distribuidores e profissionais de saúde é essencial para reduzir o espaço de atuação de falsificadores e proteger pacientes em tratamento oncológico.
