O debate sobre a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro das atenções em Brasília após uma nova ofensiva de aliados no Congresso. Parlamentares articulam um pedido de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que o ex-mandatário, com mais de 70 anos, teria direito a tratamento especial em razão da idade e do quadro de saúde, enquanto cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por condenação no processo sobre tentativa de golpe de Estado.
Qual é a situação atual de Jair Bolsonaro na Polícia Federal?
Atualmente, Bolsonaro está custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, em uma sala de Estado-Maior, espaço reservado a autoridades com prerrogativa de foro. Aliados alegam que, apesar de ser um local diferenciado, o ambiente não seria compatível com suas necessidades médicas e de acompanhamento contínuo de saúde.
Documentos e declarações públicas o descrevem como paciente com histórico de crises e procedimentos recentes, o que alimenta a pressão por um regime de prisão em casa. A discussão envolve tanto aspectos humanitários quanto a interpretação de garantias constitucionais destinadas a idosos e pessoas com saúde fragilizada.
Como avança o pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro no Congresso?
Na Câmara dos Deputados, o principal articulador do pedido de prisão domiciliar humanitária é o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que afirma ter reunido 145 assinaturas em apoio à iniciativa. O abaixo-assinado é apresentado como um “ato de clamor” pela dignidade do ex-chefe do Executivo, mas não possui efeito vinculante sobre o regime de cumprimento da pena.
No Senado Federal, a articulação é liderada pelo senador Wilder Morais (PL-GO), que protocolou pedido dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento, apoiado por 41 dos 81 senadores, enfatiza o estado de saúde de Bolsonaro, citando crises convulsivas e intervenções médicas recentes como fundamentos para a mudança de regime. Veja a publicação de Gayer:
Alcançamos, na Câmara dos Deputados, 145 assinaturas para o pedido de prisão domiciliar humanitária para o presidente Bolsonaro.
— Gustavo Gayer (@GayerGus) January 12, 2026
É o mínimo, um ato de clamor para tentar trazer alguma dignidade ao nosso capitão.
Bolsonaro está preso indevidamente, um idoso de mais de 70 anos, que…
Quem tem a palavra final sobre a prisão domiciliar humanitária?
A decisão sobre eventual mudança de regime, da carceragem da PF para prisão domiciliar, cabe exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes é o responsável por analisar pedidos apresentados por parlamentares e pela defesa de Bolsonaro, com base em elementos técnicos como laudos médicos, relatórios da PF e parecer do Ministério Público.
Pedidos desse tipo costumam levar em conta critérios recorrentes, que balizam a concessão ou não da medida. No caso do ex-presidente, a combinação de idade superior a 70 anos e alegada necessidade de acompanhamento diário é constantemente destacada por seus aliados.
- Idade avançada e fragilidade física comprovada por laudos;
- Doenças graves ou crônicas que exijam cuidados constantes;
- Condições do local de custódia diante das necessidades médicas;
- Risco à integridade física do preso na unidade prisional atual.
Quais são os impactos políticos do pedido de prisão domiciliar?
A campanha por prisão domiciliar humanitária tem efeitos que vão além da esfera jurídica e funciona como termômetro do apoio que Bolsonaro ainda mantém no Parlamento. Aliados utilizam o número de assinaturas na Câmara e no Senado como demonstração de força política e tentativa de influenciar a narrativa pública sobre a condenação.
Ao mesmo tempo, o episódio expõe a divisão no Congresso sobre o futuro político do ex-presidente e sobre a interpretação dos fatos que levaram à condenação por tentativa de golpe de Estado. A decisão do STF deve repercutir nas disputas eleitorais, na relação entre os Poderes e no debate sobre responsabilidade penal de ex-mandatários.