Debaixo do asfalto de São Paulo cresce uma rede extensa de túneis, reservatórios e galerias que redesenha, em silêncio, o funcionamento da metrópole. Entre obras de mobilidade, drenagem e saneamento, a chamada “cidade subterrânea” se tornou uma frente permanente de investimentos, com impacto direto em enchentes, poluição de rios e deslocamento diário de milhões de moradores.
O que é a cidade subterrânea de São Paulo e por que ela importa?
A expressão cidade subterrânea de São Paulo resume um conjunto de obras de saneamento, drenagem, contenção de cheias e mobilidade que reorganiza o subsolo da capital. Embora pouco visíveis, essas intervenções somam investimentos bilionários e criam novos “andares” técnicos para água, esgoto, transporte e energia.
Com tecnologia de escavação avançada e convivendo com redes antigas, essa infraestrutura menos aparente é hoje peça-chave para que a metrópole acomode seu crescimento. Ao redistribuir fluxos e serviços, ela reduz gargalos históricos da cidade em superfície.
Como a cidade subterrânea contribui para saneamento e despoluição dos rios?
No saneamento, o programa Integra Tietê prioriza a interceptação de esgoto antes de chegar aos cursos d’água, com centenas de quilômetros de tubulações enterradas e novas estações de tratamento. Entre 2023 e 2025, foram implantados mais de 700 km de redes, conectando centenas de milhares de domicílios à coleta adequada.
Estudos recentes apontam redução mensurável na mancha de poluição do Tietê, apoiada também na modernização de ETEs existentes. Quanto mais o esgoto é retido e tratado no subsolo, menor é a carga orgânica despejada diretamente nos rios urbanos.
De que forma a cidade subterrânea ajuda a controlar enchentes recorrentes?
No campo da drenagem, galerias profundas como as do sistema do córrego Piraporinha desviam parte das águas de chuva, aliviando vias sujeitas a enxurradas. Em paralelo, piscinões subterrâneos em bairros como Capão Redondo, Vila Prudente, Morumbi e Vila Mariana armazenam temporariamente grandes volumes durante tempestades intensas.
Essas estruturas funcionam como “pulmões” do sistema de drenagem e são integradas a galerias pluviais e bocas de lobo em superfície. Entre suas principais características, destacam-se:
- Reservatórios com capacidade entre cerca de 110 mil e quase 200 mil m³.
- Estruturas enterradas a dezenas de metros de profundidade.
- Execução em etapas, com entregas entre 2025 e 2027.
Quais obras de mobilidade reforçam a cidade subterrânea de São Paulo?
Na mobilidade, o túnel da Avenida Cecília Lotenberg enterra quase 1 km de tráfego, liberando a superfície para corredores de ônibus, calçadas melhores e ligação cicloviária com a Ponte Laguna. Projetos como o futuro túnel Sena Madureira pretendem aliviar gargalos viários ao conectar corredores estratégicos da zona sul.
No transporte sobre trilhos, as ampliações da Linha 2-Verde até a Penha e da Linha 6-Laranja entre Brasilândia e São Joaquim somam dezenas de quilômetros de túneis. As tuneladoras já concluíram grandes trechos, e o foco migra para estações, sistemas de ventilação, sinalização e testes operacionais.
Quais são os principais desafios e próximos passos da cidade subterrânea?
A expansão da cidade subterrânea de São Paulo enfrenta desafios como solos heterogêneos, lençol freático alto e convivência com fundações antigas e redes existentes. Licenças ambientais, autorizações de trânsito e negociação com moradores e comerciantes também impactam prazos e custos.
Para avançar com maior eficiência, ganham importância ações como priorizar obras com maior impacto em saneamento e drenagem, integrar túneis viários ao transporte coletivo e harmonizar cronogramas entre Estado, município e concessionárias, sempre com comunicação clara à população.