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Mais de 700 km de túneis enterrados mudam o jeito como São Paulo enfrenta chuva e esgoto

Por Larissa Hisashi
11/jan/2026
Em Geral
Mais de 700 km de túneis enterrados mudam o jeito como São Paulo enfrenta chuva e esgoto

Debaixo do chão de São Paulo, túneis e reservatórios gigantes transformam o combate a enchentes

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Debaixo do asfalto de São Paulo cresce uma rede extensa de túneis, reservatórios e galerias que redesenha, em silêncio, o funcionamento da metrópole. Entre obras de mobilidade, drenagem e saneamento, a chamada “cidade subterrânea” se tornou uma frente permanente de investimentos, com impacto direto em enchentes, poluição de rios e deslocamento diário de milhões de moradores.

O que é a cidade subterrânea de São Paulo e por que ela importa?

A expressão cidade subterrânea de São Paulo resume um conjunto de obras de saneamento, drenagem, contenção de cheias e mobilidade que reorganiza o subsolo da capital. Embora pouco visíveis, essas intervenções somam investimentos bilionários e criam novos “andares” técnicos para água, esgoto, transporte e energia.

Com tecnologia de escavação avançada e convivendo com redes antigas, essa infraestrutura menos aparente é hoje peça-chave para que a metrópole acomode seu crescimento. Ao redistribuir fluxos e serviços, ela reduz gargalos históricos da cidade em superfície.

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Como a cidade subterrânea contribui para saneamento e despoluição dos rios?

No saneamento, o programa Integra Tietê prioriza a interceptação de esgoto antes de chegar aos cursos d’água, com centenas de quilômetros de tubulações enterradas e novas estações de tratamento. Entre 2023 e 2025, foram implantados mais de 700 km de redes, conectando centenas de milhares de domicílios à coleta adequada.

Estudos recentes apontam redução mensurável na mancha de poluição do Tietê, apoiada também na modernização de ETEs existentes. Quanto mais o esgoto é retido e tratado no subsolo, menor é a carga orgânica despejada diretamente nos rios urbanos.

De que forma a cidade subterrânea ajuda a controlar enchentes recorrentes?

No campo da drenagem, galerias profundas como as do sistema do córrego Piraporinha desviam parte das águas de chuva, aliviando vias sujeitas a enxurradas. Em paralelo, piscinões subterrâneos em bairros como Capão Redondo, Vila Prudente, Morumbi e Vila Mariana armazenam temporariamente grandes volumes durante tempestades intensas.

Essas estruturas funcionam como “pulmões” do sistema de drenagem e são integradas a galerias pluviais e bocas de lobo em superfície. Entre suas principais características, destacam-se:

  • Reservatórios com capacidade entre cerca de 110 mil e quase 200 mil m³.
  • Estruturas enterradas a dezenas de metros de profundidade.
  • Execução em etapas, com entregas entre 2025 e 2027.
Mais de 700 km de túneis enterrados mudam o jeito como São Paulo enfrenta chuva e esgoto
Debaixo do chão de São Paulo, túneis e reservatórios gigantes transformam o combate a enchentes

Quais obras de mobilidade reforçam a cidade subterrânea de São Paulo?

Na mobilidade, o túnel da Avenida Cecília Lotenberg enterra quase 1 km de tráfego, liberando a superfície para corredores de ônibus, calçadas melhores e ligação cicloviária com a Ponte Laguna. Projetos como o futuro túnel Sena Madureira pretendem aliviar gargalos viários ao conectar corredores estratégicos da zona sul.

No transporte sobre trilhos, as ampliações da Linha 2-Verde até a Penha e da Linha 6-Laranja entre Brasilândia e São Joaquim somam dezenas de quilômetros de túneis. As tuneladoras já concluíram grandes trechos, e o foco migra para estações, sistemas de ventilação, sinalização e testes operacionais.

Quais são os principais desafios e próximos passos da cidade subterrânea?

A expansão da cidade subterrânea de São Paulo enfrenta desafios como solos heterogêneos, lençol freático alto e convivência com fundações antigas e redes existentes. Licenças ambientais, autorizações de trânsito e negociação com moradores e comerciantes também impactam prazos e custos.

Para avançar com maior eficiência, ganham importância ações como priorizar obras com maior impacto em saneamento e drenagem, integrar túneis viários ao transporte coletivo e harmonizar cronogramas entre Estado, município e concessionárias, sempre com comunicação clara à população.

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