A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2025 segue voltada para a proteção da saúde pública por meio do controle rigoroso de alimentos e suplementos alimentares. Nos últimos meses, diferentes produtos foram alvo de recolhimentos e apreensões em razão de riscos potenciais à saúde ou descumprimento das normas sanitárias em vigor. Esses episódios mostram como o monitoramento envolve tanto itens importados quanto fabricados no Brasil, abrangendo desde molhos de tomate até cápsulas voltadas ao cuidado com a visão e à suplementação com ervas.
Entre as medidas recentes, chamam atenção três frentes de fiscalização: o recolhimento de um lote de molho de tomate importado, a suspensão de lotes de um suplemento para saúde ocular e a interdição de suplementos produzidos por uma empresa sem licença sanitária. Em todos os casos, a Anvisa utilizou instrumentos legais para impedir a comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e consumo dos produtos envolvidos, priorizando a prevenção de danos à população.
Recolhimento do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia
Um dos episódios de maior destaque foi a determinação de recolhimento do lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro. O produto, importado para o Brasil, foi identificado pela presença de pedaços de vidro, o que representa risco físico imediato ao consumidor. Fragmentos desse tipo podem causar cortes na boca, garganta e trato gastrointestinal, além de asfixia em situações mais graves.
A identificação do problema ocorreu a partir de um alerta emitido pelo Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF), sistema europeu de alerta rápido para alimentos e rações. Esse mecanismo de troca de informações entre países permitiu que a Anvisa fosse notificada com agilidade, levando à suspensão do lote em todo o território nacional. Em situações assim, a recomendação geral das autoridades é que o produto seja retirado de prateleiras, devolvido a distribuidores e não seja consumido em hipótese alguma.
Por que o suplemento Neovite Visão foi proibido?
O suplemento alimentar Neovite Visão, voltado à saúde ocular, entrou recentemente no foco da fiscalização sanitária.
- A Anvisa determinou o recolhimento e a suspensão da produção e comercialização de vários lotes do produto.
- Entre os lotes afetados estão: 25G073, S25C004, S25C003, S25C002 e S25G072.
- O recolhimento foi comunicado de forma voluntária pela fabricante BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch + Lomb), após a identificação de irregularidades na formulação.
- O produto utilizava Capsicum annuum L. (fruto da páprica) como fonte de zeaxantina, substância associada à proteção da visão.
- Essa fonte de zeaxantina não é autorizada no Brasil para uso em suplementos alimentares.
- Também foi identificada quantidade acima do permitido de Caramelo IV, corante produzido pelo processo sulfito-amônia.
As irregularidades evidenciam que a fiscalização da Anvisa vai além da análise de rótulos, incluindo:
- verificação da origem dos ingredientes,
- avaliação das fontes de vitaminas e carotenoides,
- controle rigoroso de aditivos e corantes.
No caso de suplementos para saúde ocular, a vigilância é ainda mais criteriosa, pois muitos consumidores associam esses produtos a uma proteção direta da visão, o que pode levar ao uso prolongado sem acompanhamento profissional.
Ervas Brasil e o uso de ingredientes não autorizados
Os suplementos Vitamina C Sucupira com Unha de Gato Ervas Brasil e Suplemento Alimentar Colesterol Ervas Brasil, produzidos pela empresa Ervas Brasil Indústria Ltda., também passaram a ser alvo de medidas restritivas. A Anvisa determinou a apreensão e a proibição de fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e consumo desses itens em todo o país.
De acordo com o órgão, a empresa não possuía licença sanitária nem alvará de funcionamento, requisitos básicos para a atuação regular na área de alimentos e suplementos. Além disso, foram identificados ingredientes não autorizados para uso em alimentos, o que traz incertezas quanto à segurança, aos efeitos colaterais e às interações com medicamentos.
Outro ponto levantado pela Anvisa diz respeito à divulgação irregular dos produtos. Os suplementos eram associados a supostos benefícios terapêuticos, com indicações para tratamento de doenças e promessas de melhorias funcionais sem comprovação científica. Nesses casos, a regulamentação brasileira exige estudos robustos e registro específico, o que não foi apresentado. Essa prática é considerada publicidade enganosa e pode induzir consumidores a abandonar tratamentos médicos convencionais.
Impactos para consumidores e para o mercado
Os casos envolvendo o molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, o Neovite Visão e os suplementos Ervas Brasil revelam diferentes tipos de risco: físico, químico e regulatório. Para o consumidor, o principal efeito imediato é a necessidade de interromper o uso ou o consumo de produtos afetados por medidas da Anvisa, além de acompanhar orientações sobre devolução ou descarte.
Para as empresas, o recolhimento pode gerar custos logísticos, impactos de imagem e necessidade de revisão de processos produtivos e de controle de qualidade. No entanto, o cumprimento das normas tende a fortalecer a confiança no mercado de alimentos e suplementos, uma vez que demonstra que produtos em desacordo com as regras são identificados e retirados do circuito comercial.
A atuação contínua da Anvisa em 2025 reafirma o papel da vigilância sanitária na redução de riscos à saúde. Ao analisar ingredientes, aditivos, rotulagem e publicidade, o órgão busca garantir que alimentos e suplementos disponíveis no país atendam a padrões de segurança e informação, permitindo que a população faça escolhas mais seguras no dia a dia.