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Aliados de Bolsonaro criticam Moraes após decisão que anula sindicância do CFM

Por Junior Melo
08/jan/2026
Em Política
Aliados de Bolsonaro criticam Moraes após decisão que anula sindicância do CFM

Alexandre de Moraes - Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil

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Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram críticas nesta quarta-feira (7/1) ao ministro do STF Alexandre de Moraes após a anulação de uma sindicância aberta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a assistência médica prestada ao ex-presidente depois de uma queda na sede da Polícia Federal, em Brasília, reacendendo o debate sobre o papel das instituições, a atuação do Supremo e a autonomia dos conselhos profissionais.

Qual foi a decisão de Alexandre de Moraes sobre a sindicância do CFM?

A nota do CFM questionava se Bolsonaro teria recebido atendimento adequado e em tempo oportuno após o acidente, orientando o CRM-DF a instaurar sindicância para avaliar a conduta dos profissionais. Horas depois, Moraes suspendeu a apuração, declarou o ato ilegal e determinou que a Polícia Federal ouvisse o presidente do Conselho, o médico José Hiran da Silva Gallo, em até dez dias.

Na decisão, Moraes alegou que o CFM não teria competência para fiscalizar aquele contexto específico, vinculado a fatos já sob investigação da própria Corte e da PF, entendendo que a sindicância poderia interferir em apurações em curso. Com isso, deslocou o foco da esfera disciplinar médica para a investigação criminal, o que ampliou o desgaste com o núcleo político bolsonarista.

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Como os aliados de Bolsonaro reagiram à decisão de Alexandre de Moraes?

Parlamentares ligados a Bolsonaro classificaram a medida como perseguição política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto, afirmou que o ministro agiria de forma “negacionista” ao supostamente minimizar riscos à saúde do pai, criticando o fato de Bolsonaro ter sido levado ao hospital cerca de 24 horas após a queda.

Flávio ressaltou que a nota do CFM indicaria, segundo sua leitura, a necessidade de atendimento imediato após o acidente, e manifestou solidariedade ao presidente do Conselho. Nas redes sociais, usou linguagem alarmante para questionar o tempo de resposta no atendimento e sugeriu que a demora poderia ter causado desfechos clínicos mais graves. Veja a publicação de Flávio:

Alexandre de Moraes é NEGACIONISTA!

A nota do Conselho Federal de Medicina é óbvia ao dizer que a burocracia proposital – e paranóica – de Moraes não pode se sobrepor à medicina e ao cuidado com vida de um ser humano: alguém que bate com a cabeça num armário, em estado de… pic.twitter.com/DrSWvN3Ioc

— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 7, 2026

Por que aliados chamam Alexandre de Moraes de risco à democracia?

Outros integrantes da base bolsonarista elevaram o tom das críticas, associando Moraes a um suposto desequilíbrio institucional. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) chamou o ministro de “ditador” e o acusou de “abuso de poder”, dizendo que ele acumularia funções de “investigador, acusador, julgador e agora médico”, em referência à intervenção na sindicância do CFM.

Gayer também mencionou a condição etária de Bolsonaro, descrevendo as decisões judiciais como espécie de “tortura escancarada”. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apontou o ministro como “grande risco à democracia” e cobrou atuação mais firme do Senado Federal, enquanto o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), ironizou a atuação de Moraes ao questionar se ele teria formação médica para interferir em deliberações do CFM.

Quais são os impactos políticos e institucionais da polêmica com o CFM?

A anulação da sindicância do CFM realçou a discussão sobre a autonomia dos conselhos profissionais e os limites da atuação individual de ministros do STF em casos politicamente sensíveis. Especialistas em direito e gestão de saúde destacam que o episódio envolve a proteção à saúde de agentes públicos, a independência das entidades de classe e a relação entre instâncias administrativas e o Poder Judiciário.

Para organizar os principais pontos em debate e facilitar a compreensão do cenário institucional, é possível sintetizar algumas questões que seguem sob discussão entre juristas, médicos e atores políticos:

  • Delimitação de competências entre conselhos profissionais, STF e Polícia Federal em casos com forte impacto político.
  • Alcance da autonomia do CFM na fiscalização ética de médicos envolvidos em atendimentos a autoridades.
  • Uso de decisões monocráticas em temas que afetam diretamente o embate entre Judiciário e grupos políticos.
  • Potencial efeito desse caso em futuras interações entre entidades de classe e tribunais superiores.
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