Ao longo das últimas décadas, o Ceará passou a depender cada vez mais de soluções estruturais para garantir água em meio à irregularidade das chuvas, e, nesse cenário, o Cinturão das Águas do Ceará se consolida como um dos principais eixos de redistribuição hídrica do Estado, conectando o Rio São Francisco a reservatórios estratégicos e formando um corredor essencial para reduzir a vulnerabilidade de regiões sujeitas a estiagens prolongadas.
O que é o Cinturão das Águas do Ceará?
O Cinturão das Águas do Ceará é um sistema integrado de canais a céu aberto, túneis e sifões, com 145,3 quilômetros, que liga a barragem de Jati, receptora das águas do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco, a rios e açudes do interior. Em vez de depender apenas de reservatórios isolados, o Estado passa a operar com uma malha hídrica que permite transferir água entre diferentes bacias de forma planejada.
O projeto prioriza o consumo humano e, de forma complementar, pode atender irrigação, indústria e turismo, respeitando limites de vazão e regras de operação. Dividido em cinco lotes, já tem os Lotes 1, 2 e 5 concluídos, enquanto os Lotes 3 e 4 seguem em andamento, ampliando a integração hídrica regional.
Por que o Cinturão das Águas é estratégico para o Ceará?
O Cinturão foi concebido como infraestrutura estruturante de segurança hídrica, articulando a água do São Francisco com reservatórios que abastecem o Cariri, a Região Metropolitana de Fortaleza e outros polos econômicos. Com cerca de 91% de execução em 2025, sua operação passa a ser planejada como instrumento permanente de apoio ao abastecimento e ao desenvolvimento regional.
Essa rede cria novas opções de gestão em cenários de seca, permitindo ações preventivas e redução da dependência de soluções emergenciais. Entre os elementos que demonstram seu papel estratégico, destacam-se os seguintes pontos:
- Ligação física com o Rio São Francisco por meio da barragem de Jati.
- Interligação entre rios e reservatórios do interior cearense.
- Possibilidade de reforço à Região Metropolitana de Fortaleza via Eixão das Águas.
- Operação contínua, com ajuste de vazões conforme a situação hídrica.
Como o Cinturão das Águas beneficia o Cariri e o semiárido cearense?
A região do Cariri concentra polos industriais, serviços e agricultura irrigada que dependem de água de qualidade, mas convive com rios intermitentes e açudes menores sujeitos a fortes oscilações. Nesse contexto, o Cinturão das Águas do Ceará atua como rota de reforço, levando água a áreas que, de outra forma, dependeriam quase exclusivamente das chuvas locais.
O sistema não substitui a infraestrutura existente, e sim a complementa, ajudando a equalizar diferenças entre regiões com maior e menor oferta hídrica. Isso reduz a necessidade de caminhões-pipa, aumenta a previsibilidade para produtores rurais e diminui a pressão sobre mananciais frágeis.
Abaixo veja imagens da obra divulgadas pelo Deputado Estadual Fernando Santana em seu Instagram que conta com mais de 56,8 mil seguidores, durante uma visita técnica:
Como o Cinturão das Águas fortalece a segurança hídrica?
A segurança hídrica envolve garantir água hoje e no futuro, inclusive em secas prolongadas, por meio de gestão integrada e antecipação de cenários críticos. O Cinturão das Águas do Ceará permite usar de forma planejada a água do São Francisco para complementar reservatórios locais, com base em monitoramento de chuvas e volumes de açudes.
A operação inclui monitoramento contínuo, definição de prioridades com foco no consumo humano e coordenação com sistemas como o Eixão das Águas e adutoras municipais. O ajuste de vazões reduz a dependência de um único reservatório e aumenta a resiliência frente às mudanças climáticas.
Quais são os impactos econômicos e sociais do Cinturão das Águas?
Com investimentos atualizados em cerca de R$ 2,08 bilhões, o Cinturão consolida-se como uma das principais obras de infraestrutura hídrica do Nordeste, gerando empregos, renda local e fortalecimento da cadeia da construção pesada e de serviços associados. Mesmo antes da conclusão total, trechos já são usados para transferir água em situações de necessidade.
Em operação plena, o sistema tende a beneficiar diretamente cerca de 5 milhões de pessoas em municípios como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Indústria, irrigação e turismo ganham capacidade de planejamento, enquanto populações urbanas e rurais passam a contar com oferta mais estável de água.