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Cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Por Yudi Soares
04/jan/2026
Em Geral
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Idosos preocupados com as contas - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

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A discussão sobre o autismo em idosos tem ganhado espaço no Brasil à medida que novos dados revelam a presença do Transtorno do Espectro Autista (TEA) também nas faixas etárias mais avançadas, apontando para um número significativo de pessoas de 60 anos ou mais no espectro e evidenciando uma realidade que por muito tempo permaneceu pouco visível para famílias e serviços de saúde.

Cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Pais idosos – Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi

Qual é a prevalência do autismo em idosos no Brasil?

Estudos recentes apontam que a prevalência de TEA em idosos no país gira em torno de 0,86% entre pessoas com 60 anos ou mais, o que representa centenas de milhares de indivíduos. Observa-se uma leve diferença entre os sexos, com taxas ligeiramente superiores entre homens, com base em dados do Censo Demográfico de 2022 cruzados com estimativas científicas.

Em escala global, estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 70 milhões de pessoas vivem com algum grau de autismo, reforçando o caráter mundial dessa condição. No Brasil, o levantamento em idosos é um passo inicial para dimensionar a demanda por serviços de diagnóstico, acompanhamento e suporte ao longo do envelhecimento.

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Quais são os principais desafios do autismo em idosos?

O autismo em pessoas idosas está associado a desafios adicionais na saúde física, mental e no cotidiano, como maior prevalência de comorbidades psiquiátricas e risco aumentado de declínio cognitivo. Há também registros de maior incidência de doenças cardiovasculares e alterações metabólicas, exigindo um acompanhamento clínico mais cuidadoso e integrado.

Características típicas do espectro, como dificuldades na comunicação, sensibilidade a estímulos sensoriais e rigidez de rotinas, interferem diretamente na relação com serviços de saúde. Consultas e exames podem ser vivenciados como situações de intenso desconforto, contribuindo para a redução na procura por atendimento ou para desistências no meio de tratamentos.

  • Dificuldade de comunicação: pode comprometer a descrição de sintomas físicos ou emocionais.
  • Sobrecarga sensorial: sons, cheiros e luzes intensas tornam ambientes hospitalares mais desafiadores.
  • Rigidez comportamental: mudanças de rotina geram estresse e resistência a intervenções.
  • Comorbidades: maior presença de quadros psiquiátricos e doenças crônicas associadas.

Por que o diagnóstico de TEA em idosos costuma ser tardio?

O diagnóstico tardio de autismo em idosos é recorrente, pois sinais como isolamento social, interesses restritos e inflexibilidade são frequentemente interpretados como traços de personalidade ou consequência do envelhecimento. Em muitos casos, esses aspectos são confundidos com depressão, ansiedade ou demência, restringindo a investigação ao diagnóstico diferencial.

Outro ponto relevante é a falta de profissionais capacitados para reconhecer o espectro autista em adultos mais velhos, já que por décadas o TEA foi associado quase exclusivamente à infância. Quando o diagnóstico é estabelecido, muitos relatam que a identificação do TEA funciona como uma chave para compreender experiências passadas e planejar cuidados e adaptações mais adequados.

  1. História de vida sem avaliação neuropsiquiátrica específica.
  2. Confusão com outros transtornos mentais e demenciais.
  3. Pouca familiaridade de profissionais com TEA em adultos.
  4. Preconceitos e estereótipos sobre como “deveria” ser uma pessoa autista.

Quais caminhos podem fortalecer o cuidado ao idoso com autismo?

A discussão sobre TEA em idosos aponta para a necessidade de estratégias específicas nas políticas públicas de saúde, com ações de identificação do espectro em unidades básicas, ambulatórios de geriatria e serviços de saúde mental. A capacitação de equipes multiprofissionais é central para reconhecer sinais em idosos e adaptar o atendimento às suas particularidades sensoriais e cognitivas.

Além da formação técnica, medidas práticas podem favorecer o acesso aos cuidados, como adequação de ambientes, rotinas mais previsíveis e linguagem clara nas orientações. À medida que o envelhecimento da população brasileira se intensifica, o reconhecimento do autismo no envelhecimento torna-se fundamental para garantir acompanhamento integral e suporte à família e à rede de apoio.

  • Adequação de ambientes de atendimento para reduzir estímulos sensoriais intensos.
  • Elaboração de rotinas mais previsíveis em consultas e exames.
  • Uso de linguagem clara, objetiva e concreta nas orientações.
  • Envolvimento de familiares ou cuidadores na organização das consultas.
  • Integração entre serviços de geriatria, psiquiatria, neurologia e psicologia.
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