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Dois remédios que todo brasileiro tem em casa foi proibido pela Anvisa

Por Yudi Soares
02/jan/2026
Em Geral
Dois remédios que todo brasileiro tem em casa foi proibido pela Anvisa

Anvisa retirando medicamentos da farmácia

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A suspensão temporária de dois medicamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em outubro de 2025, evidenciou a importância do controle de qualidade na indústria farmacêutica brasileira. A medida atinge o antibiótico Vancotrat 500 mg e o anestésico Cloridrato de Lidocaína 20 mg/ml, ambos produzidos no país, e chama a atenção de profissionais de saúde, pacientes e gestores. A interdição ocorre em caráter preventivo, enquanto são conduzidas análises mais detalhadas para garantir a segurança dos usuários.

Dois remédios que todo brasileiro tem em casa foi proibido pela Anvisa
Anvisa – Créditos: depositphotos.com / BrendaRochaBlossom

O que motivou a interdição do antibiótico Vancotrat?

O antibiótico Vancotrat 500 mg, indicado principalmente para o tratamento de infecções respiratórias graves, como pneumonia, teve um de seus lotes interditado após testes apontarem mudança na coloração da solução após a diluição. Em vez do aspecto esperado, o produto passou a apresentar tonalidade alaranjada, fenômeno que não consta entre as características descritas na bula ou em documentos técnicos.

Essa alteração visual indica possível desvio de qualidade, sobretudo em medicamentos injetáveis usados em ambiente hospitalar, que seguem rígidos padrões de aparência, estabilidade e pureza. Uma mudança de cor pode significar contaminação ou degradação de componentes da fórmula, motivo pelo qual a Anvisa suspendeu o lote até a conclusão de laudos complementares.

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Por que o Cloridrato de Lidocaína foi considerado inseguro?

No caso do Cloridrato de Lidocaína 20 mg/ml, amplamente utilizado como anestésico local em diversos procedimentos médicos e odontológicos, a interdição foi motivada pela presença de um inseto não identificado em um frasco de um lote do produto. Esse achado compromete a confiança na integridade daquele lote e levanta dúvidas sobre alguma etapa do processo de fabricação ou envase.

Produtos injetáveis devem ser estéreis, e a presença de qualquer corpo estranho, como material particulado, fibras ou insetos, é incompatível com as boas práticas de fabricação. Mesmo que o problema tenha sido identificado em apenas uma unidade, a Anvisa age de forma cautelar, interditando todo o lote para evitar que frascos com defeitos semelhantes sejam utilizados em pacientes.

Como a Anvisa age em situações de risco com medicamentos?

A atuação da Anvisa em casos como o do Vancotrat e do Cloridrato de Lidocaína segue um fluxo padronizado de farmacovigilância. Quando um desvio de qualidade é identificado por laboratórios, hospitais, fabricantes ou pela própria agência, são instauradas investigações técnicas que podem resultar em diferentes medidas regulatórias.

Essas ações são aplicadas de forma gradual, de acordo com a gravidade do risco identificado, e integram o sistema de vigilância sanitária brasileiro. Entre os principais mecanismos utilizados, destacam-se:

  • Interdição cautelar – suspensão temporária da fabricação, distribuição ou uso de um lote ou produto até a conclusão das análises.
  • Recolhimento – retirada do mercado de itens já distribuídos, quando há confirmação de risco à saúde.
  • Comunicação formal – publicação de resoluções e notas técnicas, orientando profissionais e estabelecimentos de saúde.
  • Monitoramento contínuo – acompanhamento de notificações de efeitos adversos e queixas técnicas pelos canais oficiais.

Quais cuidados profissionais de saúde e pacientes devem adotar?

Diante da interdição de medicamentos como o Vancotrat e o Cloridrato de Lidocaína, serviços de saúde e pacientes precisam adotar medidas práticas para reduzir riscos. O primeiro passo é verificar se há unidades pertencentes aos lotes citados nas resoluções da Anvisa, conferindo atentamente rótulos, embalagens e registros internos de estoque.

  1. Checagem de lotes: confirmar número do lote, fabricante e data de validade antes de qualquer administração.
  2. Isolamento do produto: separar imediatamente os frascos suspeitos, evitando uso acidental.
  3. Substituição terapêutica: escolher alternativas adequadas, seguindo protocolos clínicos e orientação de especialistas.
  4. Registro de ocorrências: anotar reações incomuns ou falhas do medicamento em prontuário e em formulários de queixa técnica.
  5. Notificação à vigilância: informar a Anvisa ou a Vigilância Sanitária local sempre que houver suspeita de problema de qualidade.

Para os pacientes, a orientação é evitar o uso de medicamentos de lotes interditados e, em caso de dúvida, consultar profissionais de saúde ou o serviço onde o produto foi adquirido ou administrado. Sintomas inesperados após o uso de antibióticos ou anestésicos devem ser comunicados imediatamente para avaliação rápida.

Por que esses episódios são relevantes para a saúde pública?

Episódios de interdição de medicamentos, como os envolvendo o Vancotrat e o Cloridrato de Lidocaína em 2025, funcionam como alerta sobre a necessidade de vigilância constante na produção, distribuição e uso de produtos farmacêuticos. Mesmo falhas pontuais revelam pontos do sistema que precisam de ajustes, seja em processos industriais, controles internos de qualidade ou rotinas de inspeção.

A divulgação dessas medidas também tem efeito educativo, reforçando a importância de observar aparência, validade e condições de armazenamento de qualquer medicamento. Em um cenário de amplo uso de antibióticos e anestésicos, a combinação de fiscalização da Anvisa, responsabilidade dos fabricantes e atenção dos profissionais de saúde contribui para reduzir riscos e fortalecer a segurança do paciente no país.

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