Carlos Bolsonaro voltou a mencionar o nome de Filipe Martins ao comentar, nas redes sociais, a nova prisão do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro. A reação do vereador ocorreu após a decretação da prisão preventiva de Martins, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (2/1), reacendendo o debate sobre medidas cautelares, uso de redes sociais em investigações e os desdobramentos da chamada suposta “trama golpista” pós-eleições de 2022.
Como Carlos Bolsonaro reagiu à prisão de Filipe Martins?
Ao se manifestar, Carlos Bolsonaro classificou a situação como uma prisão “ilegal” e afirmou que Martins seria um cidadão que “não cometeu crime algum”. A declaração foi publicada em meio à repercussão da ordem de prisão, que converteu a domiciliar em prisão preventiva e reacendeu a disputa de narrativas em torno do caso.
O vereador sustenta que o ex-assessor estaria há quase três anos em prisão domiciliar e agora teria sido encarcerado de forma indevida. Para aliados, a ênfase na expressão “preso ilegalmente” reforça a tese de perseguição política e de supostos excessos judiciais, especialmente diante da associação de Martins à “minuta do golpe”. Veja a publicação de Carlos:
Após quase 3 anos de prisão domiciliar, mais um cidadão que não cometeu crime algum é condenado e preso de forma ilegal. Filipe G. Martins tem sua juventude ceifada pela canetada de um juiz. Os acusados, absolutamente todos, afirmaram que Filipe não participou de reunião de…
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 2, 2026
Por que a prisão preventiva de Filipe Martins foi decretada?
Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, a prisão preventiva foi decretada após a constatação de uso de redes sociais durante a prisão domiciliar, o que violaria medidas cautelares. O magistrado considerou que houve “total desrespeito” às determinações judiciais e às instituições democráticas.
Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, será encaminhado ao presídio de Ponta Grossa, no Paraná. Para o STF, a atuação digital do investigado poderia interferir nas investigações ou comprometer o cumprimento de decisões anteriores, o que justificaria o endurecimento da medida.
Como está a situação processual no STF?
No processo principal, Filipe Martins foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por suposto envolvimento na suposta trama golpista pós-eleições de 2022, incluindo participação na elaboração da “minuta do golpe”. A decisão integra o conjunto de julgamentos sobre atos antidemocráticos e tentativas de reverter o resultado eleitoral.
Apesar da pena já fixada, ainda há recursos pendentes, o que significa que a ação não transitou em julgado. A defesa busca reverter ou atenuar os efeitos da condenação, discutindo tanto a dosimetria da pena quanto a interpretação do STF sobre sua participação em reuniões e documentos estratégicos.
O que diz a defesa?
A defesa de Filipe Martins afirma que ele não descumpriu medidas cautelares e nega uso irregular das redes sociais. Advogados o classificam como “preso político” e indicam que pretendem se reunir para traçar próximos passos jurídicos, como pedidos de revogação da prisão preventiva e questionamentos formais às condições impostas pelo STF.
Esse contraste entre a versão da defesa e a interpretação do Supremo alimenta um cenário de disputa jurídica e política. De um lado, o tribunal aponta risco às instituições democráticas; de outro, aliados denunciam suposta perseguição, reforçando o protagonismo do Judiciário nas investigações sobre articulações.
FAQ sobre o caso Filipe Martins
- Filipe Martins já foi condenado em definitivo? Não. Embora tenha sido condenado a 21 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, ainda há recursos pendentes, o que significa que a ação não transitou em julgado.
- Por que o uso de redes sociais foi considerado grave? Porque o uso de redes sociais estava proibido como parte das medidas cautelares da prisão domiciliar. O descumprimento dessas regras pode justificar a conversão em prisão preventiva.
- O que é a “minuta do golpe” mencionada no processo? Trata-se de um documento associado a uma proposta de intervenção para alterar o resultado das eleições de 2022, apontado em investigações como parte de uma suposta articulação golpista.
- Por que o caso desperta tanto interesse político? Porque envolve um ex-assessor de Jair Bolsonaro, decisões do STF, acusações de suposta tentativa de golpe e a narrativa de que ele teria sido “preso ilegalmente”, fatores que impactam o debate público e o cenário político nacional.