O cenário das obras inacabadas em prédios governamentais frequentemente levanta questões sobre a gestão de recursos e prazos. Em Brasília, uma reforma da fachada de um edifício com unidades da Força Aérea Brasileira (FAB) ilustra bem este ponto. Iniciada em 2019, a obra deveria ter sido concluída, mas continua sem um desfecho, destacando problemas que vão além do simples cumprimento de um cronograma.
O edifício em questão, localizado no Sudoeste, está assentado em uma área onde a União detém a maior parte das propriedades. Esse fator resulta em um financiamento de 75% da reforma por parte do governo, uma quantia considerável de R$ 2.660.102,15, que foi repassada ao condomínio.
A administração do condomínio, que inclui o Comando da Aeronáutica, é corresponsável pela condução da obra. Já do lado da execução, a HD Serviços e Construções LTDA assumiu o empreendimento, mas sua atuação se mostrou problemática.
Irregularidades da obra e histórico da construtora
A HD Serviços e Construções LTDA enfrenta críticas não só por atrasos, mas também por questões legais diversas, como a ausência de registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF (Crea-DF) até dois anos após o início dos trabalhos. Atualmente, o registro encontra-se regularizado, porém o histórico ressalta a necessidade de maior rigor na fiscalização de empresas contratadas para obras públicas.
A execução da reforma já passou por três paralisações: em março de 2020, agosto de 2021 e janeiro de 2022. As retomadas ocorreram em junho de 2020, novembro de 2021 e março de 2022, respectivamente. Inicialmente, questões técnicas, reforçadas por estudos adicionais e mudanças estruturais, foram responsáveis pela desaceleração. Posteriormente, a pandemia e disputas judiciais provocaram ainda mais instabilidade, tornando o andamento do projeto imprevisível.

Custos, aditivos financeiros e problemas de medição
Como se não bastasse, o custo dos materiais subiu significativamente no período pós-pandemia, forçando a construtora a solicitar recursos adicionais. Surpreendentemente, a administração do prédio detectou que a empresa já havia recebido montantes superiores ao trabalho efetivamente realizado. Tal constatação agravou a complexidade financeira e resultou em intervenções administrativas e judiciais, exigindo mais atenção à checagem dos pagamentos executados.
A situação tomou proporções ainda maiores após denúncias e processos judiciais envolvendo a HD em outros locais, como no Life Resort, onde também foram reportadas falhas na execução de contratos. Entre as queixas, destacam-se a falta de pagamento a fornecedores, ausência de qualificações adequadas para executar as obras contratadas, penhoras e ordens judiciais para bloqueio de novos pagamentos à construtora.
Caminhos para solução do atraso da obra
Diante de todos esses desafios, a administração do edifício e as entidades governamentais envolvidas têm buscado mitigar os problemas. Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento da gestão das etapas da reforma e o foco no cumprimento do cronograma. Como destacado por especialistas em engenharia ouvidos pela reportagem, auditorias independentes e a transparência na divulgação dos contratos podem ser determinantes para o sucesso de projetos futuros, além da recomendação de criação de comitês internos de fiscalização nos condomínios que manejam grandes recursos públicos.
Enquanto a empresa não se manifesta oficialmente e a reforma permanece inconclusa, o caso coloca em evidência a importância de uma fiscalização rigorosa e da transparência em projetos de grandes dimensões que envolvam recursos públicos. Um acompanhamento atento e contínuo das etapas por todas as partes envolvidas pode ser a chave para evitar atrasos prolongados, custos excedentes e resultados insatisfatórios em obras de infraestrutura pública no Brasil.

Perguntas frequentes sobre a obra
Por que a obra da fachada do edifício ainda não foi concluída?
Diversos fatores contribuíram para o atraso, incluindo paralisações causadas por questões técnicas, mudanças estruturais, a pandemia de Covid-19 e disputas judiciais entre o condomínio e a construtora.
Quem é responsável pelo andamento da obra?
A administração do condomínio, que inclui o Comando da Aeronáutica, além da construtora HD Serviços e Construções LTDA, são os principais responsáveis pelo andamento da reforma.
O que está sendo feito para garantir o uso correto dos recursos públicos?
A administração intensificou a fiscalização das etapas da obra, junto com auditorias independentes e maior transparência nos repasses financeiros. Também há intervenções judiciais em andamento para garantir a regularidade dos pagamentos.
Existem outros casos envolvendo a construtora HD Serviços e Construções LTDA?
Sim, há registros de processos judiciais envolvendo a empresa em outros contratos, como no Life Resort, envolvendo desde falhas técnicas até problemas contratuais e bloqueios de pagamentos.
O que pode ser feito para evitar situações semelhantes em futuras obras públicas?
Especialistas sugerem a transparência total dos contratos, a realização de auditorias independentes, a instituição de comitês de fiscalização internos e a fiscalização rigorosa por parte de órgãos públicos e do próprio condomínio.
Qual a situação legal da HD Serviços e Construções LTDA atualmente?
Atualmente, a empresa possui registro regular no Crea-DF, o que indica conformidade legal, apesar dos questionamentos passados.