Desde 28 de junho de 2025, todos os caixas automáticos em França passaram a seguir uma nova regra obrigatória e isso pode mudar a forma como usa o seu dinheiro no dia a dia. Apesar do avanço dos pagamentos digitais, o numerário ainda representa 43% das transações no país. O que está a mudar nos DAB e por que isso afeta milhões de pessoas?
O que mudou nos caixas eletrônicos com a nova norma europeia?
Desde junho de 2025, uma nova norma europeia passou a impor requisitos específicos para o funcionamento dos distribuidores automáticos de notas em todos os bancos franceses. A medida vai além da segurança ou do simples levantamento de numerário: o foco está em como as pessoas interagem com o equipamento, especialmente quem enfrenta barreiras funcionais.
A partir da entrada em vigor das novas regras, os equipamentos precisam incorporar um conjunto mínimo de funcionalidades voltadas para quem tem limitações visuais, dificuldades de leitura ou necessidades específicas de interação com o ecrã, garantindo maior autonomia e privacidade.
Quais são os requisitos mínimos de acessibilidade nos caixas eletrônicos?
Entre as exigências definidas pela regulamentação europeia, alguns pontos técnicos passam a ser obrigatórios e deixam de ser considerados apenas um extra opcional. Esses recursos tornam o uso do caixa eletrônico mais simples e seguro para uma parcela da população que frequentemente encontrava obstáculos ao interagir com as máquinas.
Os principais requisitos de acessibilidade que os novos modelos de DAB devem oferecer incluem:
Como os bancos estão a adaptar a acessibilidade nos caixas eletrônicos?
De acordo com entidades representativas do setor bancário na França, uma parte significativa dos terminais já cumpre, total ou parcialmente, os novos requisitos. Os modelos mais recentes de DAB foram projetados com essas exigências em mente, o que facilita a adaptação e a atualização de software.
Os equipamentos mais antigos podem não conseguir incorporar todas as funcionalidades sem substituição completa, por limitações de hardware ou incompatibilidades.
A norma, porém, permite que essas máquinas sejam mantidas até o fim do ciclo de vida útil, exigindo que, na renovação, apenas modelos totalmente conformes sejam instalados, criando um período de transição na rede.
Por que a padronização da acessibilidade nos caixas eletrônicos é importante?
A uniformização das opções de áudio, contraste e ampliação tem efeito direto na experiência do utilizador, reduzindo erros e tentativas falhadas. Quem depende de instruções sonoras ou letras ampliadas sofre quando cada banco usa uma interface muito distinta, com botões em posições diferentes e comandos pouco intuitivos.
Ao definir um conjunto mínimo comum, a regulamentação reduz a curva de aprendizagem e fortalece a autonomia de quem precisa dessas funções.
Em paralelo, dialoga com a transformação do setor financeiro, em que a redução do uso de numerário leva bancos a rever custos e a apostar em terminais partilhados, mais modernos e multifuncionais, sem excluir pessoas com deficiência.
Que papel a acessibilidade desempenha na modernização das redes bancárias?
Na França, grandes bancos têm desenvolvido projetos conjuntos de modernização, instalando terminais de uso partilhado capazes de realizar operações adicionais, como depósitos de cheques e de dinheiro vivo. A acessibilidade passa a ser um critério essencial na escolha desses equipamentos, ao lado de segurança, custo e funcionalidades digitais.
Nesse cenário, a inclusão de recursos acessíveis torna-se peça-chave para evitar que a digitalização dos serviços bancários deixe parte da população para trás.
A combinação de máquinas mais modernas, interface adaptável e padronização europeia tende a criar um ambiente em que o acesso ao dinheiro físico permanece disponível com menos barreiras e maior previsibilidade de uso.
Quais benefícios práticos as novas funções trazem para o dia a dia?
Os ganhos da acessibilidade nos caixas eletrônicos aparecem em situações cotidianas, como levantamentos, consultas de saldo ou depósitos simples. Pessoas com baixa visão passam a depender menos de terceiros, enquanto o ajuste de contraste e o aumento de fonte reduzem a probabilidade de engano na escolha de valores ou opções de menu.
Entre os benefícios mais evidentes estão maior autonomia, menos erros operacionais graças ao feedback visual e sonoro combinado, e um padrão comum entre diferentes bancos, que facilita a adaptação a novos terminais.
Para as instituições, a existência de requisitos claros simplifica a aquisição de equipamentos e reforça a oferta de serviços básicos em condições mais equitativas para a maior parte da população.