O volume de recursos movimentado pelo Banco Master com escritórios de advocacia ganhou destaque após novos dados revelarem cifras milionárias e uma escalada expressiva ao longo dos últimos anos.
Quanto o Banco Master pagou a escritórios de advocacia?
Entre 2021 e 2024, o Banco Master desembolsou ao menos R$ 501,4 milhões para 79 escritórios de advocacia, segundo dados obtidos a partir de declarações de Imposto de Renda.
Os números mostram uma evolução acelerada: os pagamentos saltaram de R$ 31,3 milhões em 2021 para R$ 248,8 milhões em 2024, representando um crescimento de quase 695% no período.
Quem são os principais escritórios beneficiados?
Entre os maiores beneficiários, destaca-se a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligada à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O escritório recebeu cerca de R$ 80,2 milhões no período, com forte concentração nos anos de 2023 e 2024, quando passou a figurar entre os principais destinatários dos pagamentos.
Quais outros escritórios receberam valores elevados?
Além do principal escritório citado, outros nomes também aparecem com cifras relevantes, consolidando uma lista de grandes beneficiados ao longo dos quatro anos. Entre os principais, destacam-se:
- Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados – R$ 71,4 milhões
- Warde Advogados/Jorge Warde Advogados – R$ 63,8 milhões
- Gabino Kruschewsky Advogados Associados – R$ 54 milhões
- Alves Corrêa Verissimo Advocacia – R$ 32,9 milhões
- Marcus Vinícius Furtado Coelho Advocacia – R$ 27,5 milhões
Por que os pagamentos cresceram tanto nos últimos anos?
A escalada dos valores coincide com os últimos anos de operação do banco, período marcado por expansão agressiva e aumento das atividades jurídicas.
Os dados foram encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado, o que reforçou o interesse das autoridades sobre o fluxo financeiro envolvendo o banco.
Quais polêmicas envolvem o Banco Master?
A instituição passou a ser alvo de investigações após a descoberta de irregularidades, incluindo a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB.
Além disso, o banco teria apresentado documentos falsos ao Banco Central, tentativa que levantou suspeitas e contribuiu para o aprofundamento das apurações pelas autoridades.
O que acontece com Daniel Vorcaro e as investigações?
O empresário Daniel Vorcaro, responsável pelo banco, foi preso duas vezes pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras.
Atualmente detido em Brasília, Vorcaro negocia um acordo de colaboração premiada com a PGR e já assinou termo de confidencialidade, o que pode trazer novos desdobramentos ao caso.