Um relatório do Coaf aponta que o Banco Master transferiu mais de R$ 27 milhões ao grupo ligado ao portal Metrópoles, com parte dos valores sendo redirecionada a empresas associadas ao ex-senador Luiz Estevão.
O que o relatório do Coaf revelou sobre os repasses do Banco Master ao Metrópoles?
O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o Banco Master repassou R$ 27.283.800 ao Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA entre 2024 e 2025. O valor foi classificado como parte de movimentações financeiras consideradas atípicas.
Segundo o documento, divulgado após reportagem do Estadão, as operações chamaram atenção por não corresponderem ao padrão de faturamento médio da empresa, levantando alerta sobre a origem e o destino dos recursos.
Por que as movimentações financeiras foram consideradas inusitadas?
Segundo o Coaf, as transações apresentaram características consideradas fora do padrão usual do mercado. O principal ponto de atenção foi a entrada e saída rápida dos valores na conta da empresa.
A Caixa Econômica Federal, responsável por comunicar as movimentações, destacou sinais de incompatibilidade financeira e possíveis indícios de repasse indireto a terceiros, o que reforçou o caráter de alerta da operação.
Quais empresas ligadas a Luiz Estevão receberam os valores?
Parte dos recursos recebidos pelo Metrópoles teria sido transferida rapidamente para empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão, que já foi condenado por corrupção. O Coaf aponta possível benefício indireto nessas operações.
Entre as empresas citadas no relatório estão organizações com participação do empresário e de suas filhas. Abaixo estão as principais mencionadas no documento:
- Madison Gerenciamento S/A
- Sense Construções e Participações S/A
- Macondo Construções e Participações S/A
Segundo o Coaf, esse padrão pode indicar movimentação de recursos em benefício de terceiros, o que aumentou o nível de atenção das autoridades.
O que os prazos das transferências indicam sobre o caso?
Os registros mostram que os repasses começaram antes de eventos que supostamente justificariam parte das transações, como contratos e exposições publicitárias.
O Coaf observou que os pagamentos tiveram início em janeiro de 2025, enquanto a Série D do Campeonato Brasileiro começou apenas em abril, e os acordos de transmissão foram anunciados meses depois.
O que diz Luiz Estevão sobre as acusações?
O empresário Luiz Estevão nega qualquer irregularidade e afirma que os valores recebidos têm origem contratual legítima. Ele sustenta que os pagamentos fazem parte de acordos comerciais válidos.
Segundo sua versão, os recursos envolvem patrocínios e direitos de transmissão, e poderiam ser livremente administrados pelas empresas receptoras, incluindo remessas internas e novos investimentos.
Como a Caixa Econômica Federal justificou o alerta ao Coaf?
A Caixa Econômica Federal foi responsável por comunicar as movimentações ao Coaf após identificar padrões considerados incomuns. O banco apontou a entrada e saída quase imediata dos valores como fator de atenção.
Além disso, a instituição destacou que as operações envolviam possíveis pessoas politicamente expostas e indícios de movimentação incompatível com o faturamento médio da empresa, reforçando a necessidade de análise mais profunda das transações.