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Empresa terá que pagar indenização de R$ 3 mil após funcionário ser chamado de “ruivo” e sofrer piadas

Por Guilherme Silva
04/abr/2026
Em Geral
Empresa terá que pagar indenização de R$ 3 mil após funcionário ser chamado de “ruivo” e sofrer piadas

Justiça condena empresa por omissão diante de assédio moral e apelidos discriminatórios no trabalho

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Um trabalhador de Minas Gerais garantiu o direito a uma indenização de R$ 3 mil após sofrer assédio moral por ser ruivo. A decisão judicial condena a omissão da empresa diante de apelidos e piadas persistentes no ambiente profissional.

O que levou o trabalhador a entrar com ação contra a empresa?

O autor da ação trabalhava no corte e acabamento de mármore e possuía características físicas marcantes, como cabelos e barba ruivos. Segundo os relatos processuais, ele era constantemente humilhado por colegas com termos como “Vermelho”, “xá de mula” e “chupa-cabra”.

Para fundamentar o pedido de indenização, o operário apresentou fotos de inscrições feitas com giz de cera nas pedras de mármore com esses apelidos. Testemunhas confirmaram que o tratamento ofensivo era recorrente e causava visível desconforto ao profissional durante o expediente na marmoraria.

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Créditos: depositphotos.com / seb_ra
Estátua da justiça – Créditos: depositphotos.com / seb_ra

Por que a decisão inicial foi revertida no tribunal?

Em um primeiro momento, a justiça local julgou o pedido improcedente por falta de provas robustas. No entanto, ao recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), a 8ª Turma reformou a sentença por unanimidade, reconhecendo a gravidade das ofensas.

O relator do caso, desembargador Sércio da Silva Peçanha, destacou que o empregador tem o dever legal de zelar por um ambiente respeitoso. A omissão da gerência diante do comportamento agressivo dos outros funcionários foi o ponto crucial para a condenação definitiva da empresa em 2026.

Qual é a base legal para condenações por assédio moral?

As condenações desse tipo fundamentam-se no princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição Federal. Além disso, o Código Civil estabelece que a empresa responde objetivamente pelos atos de seus empregados cometidos no exercício do trabalho.

O assédio moral caracteriza-se pela exposição prolongada a situações humilhantes que ferem a integridade psíquica. No site do TRT-MG, é possível encontrar jurisprudências que reafirmam o dever de indenizar em casos de apelidos discriminatórios.

Como o valor da reparação é calculado?

Para fixar o montante de R$ 3.000,00, os magistrados avaliaram a extensão do sofrimento do trabalhador e a capacidade financeira da marmoraria. O valor busca ter um caráter pedagógico, desestimulando que a empresa permita novas práticas abusivas entre seus colaboradores no futuro.

O caso reforça pontos importantes sobre o ambiente de trabalho

Muitas organizações ainda negligenciam conflitos internos sob a justificativa de que são apenas interações informais entre colegas. Todavia, a justiça brasileira tem sido rigorosa ao identificar que o silêncio da liderança perante o bullying institucionalizado configura uma falha grave de gestão.

A proteção ao trabalhador vai além da segurança física, abrangendo também o respeito à sua identidade e características pessoais. Situações que geram isolamento ou ridicularização sistemática devem ser combatidas preventivamente pelos setores de Recursos Humanos e compliance das companhias.

Confira os principais sinais de que uma brincadeira virou assédio:

  • Recorrência: A piada ou apelido acontece de forma repetitiva e insistente.
  • Desconforto: O alvo da brincadeira demonstra claramente que não está confortável ou satisfeito.
  • Poder: Quando a ofensa parte de um superior ou é tolerada por ele.
  • Conotação: Uso de termos discriminatórios baseados em aparência, raça, gênero ou orientação.

Como as empresas podem evitar processos dessa natureza?

A implementação de códigos de conduta claros e canais de denúncia anônimos são ferramentas essenciais para mitigar riscos jurídicos. Treinamentos de sensibilização para as equipes ajudam a criar uma cultura de empatia, onde a diversidade física é respeitada e valorizada como parte da identidade humana.

Neste caso específico, após a condenação, as partes celebraram um acordo para o pagamento das parcelas, encerrando o litígio. O exemplo serve de alerta para empresários de todos os setores: a “brincadeira” que humilha um subordinado pode custar caro e manchar a reputação da marca no mercado de trabalho em Minas Gerais.

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