A Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, começa a ganhar destaque nas discussões urbanas por causa de um projeto que pretende alterar a relação da cidade com o mar: a construção de um píer turístico de 500 metros de extensão e 35 metros de largura no bairro Aviação, que combina lazer, cultura, infraestrutura e um conceito de parque suspenso sobre o oceano, com potencial para se tornar um novo cartão-postal do município e fortalecer o turismo ao longo de todo o ano.
O que é o píer turístico planejado para a Praia Grande?
O projeto do píer turístico na Praia Grande prevê uma estrutura de cerca de 500 metros de extensão e 35 metros de largura, totalizando aproximadamente 17.500 m² sobre o mar. A proposta é que o espaço funcione como uma plataforma multifuncional, com áreas para passeio, convivência, eventos e contemplação da paisagem.
Em vez de servir apenas para pesca ou atracação de embarcações, o píer será voltado ao turismo urbano e à vida cultural. Aberto ao público, deve atuar como prolongamento da faixa de areia, permitindo caminhadas sobre o mar em diferentes horários e épocas do ano.
Como será o conceito temático e de lazer do píer na Praia Grande?
Um dos diferenciais é o tema de aviação, em referência ao antigo campo de pouso do bairro Aviação. Essa memória deve ser resgatada por meio de referências arquitetônicas, um possível museu aeronáutico e elementos cenográficos, como a réplica de uma aeronave histórica.
Lojas, quiosques de alimentação, espaços expositivos, áreas verdes e mirantes podem compor o conjunto, transformando o píer em uma espécie de parque suspenso sobre o mar. O projeto também prevê um estacionamento de apoio com, no mínimo, 600 vagas, a cerca de 80 metros da entrada.
Como será construída uma estrutura desse porte sobre o mar?
Para erguer um píer de grande porte na Praia Grande, a etapa de estudos é decisiva, com análise do fundo do mar, das ondas, das correntes e do tipo de solo. É comum o uso de estacas profundas de concreto ou aço, capazes de suportar cargas elevadas e resistir à água salgada e aos ventos.
A superestrutura deve ser formada por vigas e lajes pré-fabricadas, montadas no local, considerando marés, ressacas e ondas severas. Nessa etapa, ganham importância itens técnicos e de segurança, como:
- Drenagem eficiente para escoamento da água da chuva;
- Iluminação resistente à maresia, com materiais anticorrosivos;
- Pisos antiderrapantes, adequados ao ambiente úmido;
- Barreiras de proteção para segurança de pedestres e trabalhadores.
Quais impactos econômicos e urbanos o píer pode gerar?
A construção do maior píer turístico do Brasil deve gerar empregos diretos e indiretos em construção civil, engenharia, logística, alimentação e serviços. As projeções indicam cerca de 500 empregos diretos e 1.500 indiretos durante as obras, além de 1.000 diretos e 2.000 indiretos após a inauguração.
Depois de inaugurado, o píer tende a movimentar a economia local ao longo do ano, favorecendo hotéis, pousadas, restaurantes, comércio e serviços de lazer. A presença do novo ponto turístico pode estimular a requalificação urbana do entorno, com melhorias em calçadas, iluminação, segurança e transporte.
Como o píer da Praia Grande se compara a outras estruturas similares?
No litoral paulista, o píer de Praia Grande desponta como uma das estruturas turísticas mais extensas em fase de projeto, superando em comprimento píeres vizinhos. Em escala internacional, não atinge o tamanho de ícones como o píer de Santa Mônica, mas se destaca pelo conceito de integrar temática histórica, lazer, comércio e experiência urbana.
A adoção do modelo de concessão à iniciativa privada prevê que construção, operação e manutenção fiquem com empresas especializadas, enquanto o poder público regula e fiscaliza. Se avançar em licenciamento e contratação, o píer tende a se consolidar como marco na orla, aproximando ainda mais o cotidiano urbano da paisagem marítima.