A investigação da Polícia Federal revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro buscava controlar a divulgação de notícias negativas sobre o Banco Master, utilizando métodos ilegais e pressão sobre jornalistas e plataformas digitais.
Como Vorcaro usava documentos falsos para pressionar plataformas digitais?
Segundo o relatório da PF citado pelo ministro André Mendonça, Felipe Mourão falsificava documentos oficiais para remover conteúdos desfavoráveis a Vorcaro. Ele simulava solicitações de órgãos públicos para obter a suspensão de perfis ou a retirada de matérias negativas.
Esse tipo de prática configurava intimidação e obstrução de justiça, já que visava manipular plataformas digitais de forma ilegal, prejudicando a liberdade de imprensa e favorecendo interesses empresariais específicos. As informações são da CNN.
Qual era o contexto legal das remoções de conteúdo?
Nos últimos anos, pedidos de remoção de conteúdo se tornaram mais comuns após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando o STF, o Congresso e o Palácio do Planalto foram alvo de invasões. Apesar de o Marco Civil da Internet não prever essa obrigação, decisões do STF, do TSE e orientações da AGU passaram a exigir a retirada de conteúdos considerados nocivos.
A PF identificou que Vorcaro se aproveitou dessa situação para pressionar plataformas digitais, simulando requisições de órgãos públicos e removendo matérias críticas ao Banco Master.
Que mensagens mostram a tentativa de incluir sites de notícias em inquéritos?
Mensagens divulgadas pelo jornal O Globo revelam que Vorcaro tentou incluir o site Diário do Centro do Mundo (DCM) em inquéritos sobre fake news. Em outubro de 2024, ele escreveu: “Estão achando que estão mexendo com menino. Agora não quero mais. Vão entrar no processo das fake news. Vou fechar esse site. Manda deixar a matéria. Esses otários.”
Ele também discutia parcerias para evitar a publicação de matérias negativas e sugeria acionar a PF contra jornalistas que incomodavam seus interesses. A partir dessas conversas, a lista abaixo resume as práticas detectadas pela investigação:
- Falsificação de documentos oficiais para remover conteúdos online
- Pressão sobre jornalistas e sites de notícias
- Tentativas de incluir veículos de imprensa em inquéritos
- Contratação de influenciadores pagos para defender o Banco Master
- Monitoramento ilegal de adversários e autoridades
Como a PF identificou monitoramento de jornalistas e influenciadores pagos?
A investigação incluiu ações do núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo acompanhamento ilegal de jornalistas, adversários e autoridades. Vorcaro contratou influenciadores digitais para promover conteúdos favoráveis ao Banco Master e atacar críticas sobre a liquidação do banco pelo Banco Central.
Mesmo após sua primeira prisão preventiva, em novembro de 2025, o banqueiro continuou com essas práticas, demonstrando continuidade no esquema de manipulação da informação e censura digital.
Qual é a posição da defesa de Vorcaro?
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre a ordem de prisão e os fatos revelados. O Diário do Centro do Mundo (DCM) também afirmou que não recebeu recursos ou benefícios de Vorcaro e que não possui relação com os eventos investigados.
O caso evidencia uma tentativa sofisticada de censura digital, levantando debates sobre liberdade de imprensa e limites legais na era da informação, e segue sendo acompanhado de perto pelos órgãos de controle e pelo STF.