Nesta quarta-feira (11/3), a Raízen, gigante empresa brasileira de açúcar, etanol e combustíveis, entrou com pedido de recuperação judicial para tentar renegociar R$ 65 bilhões em dívidas e preservar seu fluxo de caixa.
Como a recuperação judicial ajuda a Raízen?
O pedido de recuperação judicial permite suspender temporariamente dívidas financeiras, garantindo que a empresa continue pagando fornecedores e mantendo suas operações essenciais.
O plano busca criar um ambiente financeiro mais seguro, especialmente com o início da safra de cana-de-açúcar, período que exige maior capital de giro para a produção de etanol e açúcar.
Quais ativos estão à venda para reduzir passivos?
A Raízen anunciou que possui ativos à venda que somam R$ 4,9 bilhões, com passivos de R$ 4,27 bilhões, resultando em valor líquido de R$ 697 milhões.
Essa estratégia permite à empresa fortalecer o balanço e direcionar recursos para áreas prioritárias, mantendo a operação das atividades essenciais. Entre os principais ativos disponíveis estão:
- R$ 1,93 bilhão em operações de açúcar e etanol
- R$ 373 milhões em ativos biológicos, como canaviais
- R$ 1,4 bilhão em usinas de geração de energia solar
- R$ 608 milhões em contas a receber da comercializadora de energia
- R$ 1,5 bilhão em passivos de arrendamento de terras de longo prazo
Qual é o histórico de vendas da Raízen?
Até o momento, a Raízen já concretizou a venda de cerca de R$ 5 bilhões em ativos não circulantes, incluindo usinas de cana-de-açúcar e canaviais estratégicos.
Entre os destaques estão as usinas Leme, Rio Brilhante e Passatempo, além dos canaviais da Usina Santa Elisa, operações que ajudaram a reduzir dívidas e melhorar o fluxo de caixa da empresa.
Qual é o cenário do agronegócio em recuperação judicial?
O setor de agronegócio brasileiro vem registrando aumento expressivo de pedidos de recuperação judicial. Em 2025, foram 1.990 solicitações, crescimento de 56,4% em relação a 2024.
A recuperação judicial cria um equilíbrio temporário entre a empresa e seus credores, permitindo renegociação das dívidas sem interromper o pagamento a fornecedores.
Se o plano for aprovado com a adesão mínima de 50% mais um dos credores, a Raízen poderá manter suas operações, melhorar o caixa e seguir com o desinvestimento de ativos estratégicos, garantindo continuidade do negócio.