Nesta terça-feira (10/2), o Superior Tribunal Militar (STM) abriu uma etapa decisiva no processo que pode levar à perda da patente militar de Jair Bolsonaro, após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Como a possível perda da patente de Jair Bolsonaro impacta?
A perda da patente de Jair Bolsonaro atinge sua trajetória e o modo como as Forças Armadas lidam com condutas incompatíveis com o oficialato. A medida tem impacto simbólico, disciplinar e institucional.
Em 3 de fevereiro, o Ministério Público Militar (MPM) apresentou representação pedindo a perda da patente de Bolsonaro e de mais quatro oficiais-generais apontados como participantes do plano de golpe. Se acolhida, a decisão rompe o vínculo desses militares com as Forças Armadas, com efeitos diretos sobre status, honras e benefícios.
Como funciona o processo de perda de patente na Justiça Militar?
O procedimento é tecnicamente chamado de “representação por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato” e só pode ser instaurado após o trânsito em julgado da condenação criminal. A Justiça Militar então avalia se a conduta viola de forma irreversível os valores e a disciplina da instituição.
No caso de Bolsonaro, o processo se desenvolve em etapas definidas pela legislação militar e por normas internas da Justiça Militar, buscando assegurar contraditório, ampla defesa e análise colegiada da gravidade dos fatos e de sua repercussão institucional:
- Condenação criminal pelo STF por tentativa de golpe de Estado, com pena de 27 anos e 3 meses.
- Comunicação ao STM da decisão para adoção das providências cabíveis na esfera militar.
- Atuação do MPM com representação pela perda da patente de Bolsonaro e de outros oficiais-generais.
- Manifestação da defesa no prazo de dez dias, fixado pelo ministro relator Carlos Vuyk de Aquino.
- Julgamento em plenário do STM, que decidirá sobre a manutenção ou perda da patente.
Quem decide sobre a perda da patente de Jair Bolsonaro?
A decisão final caberá ao plenário do STM, composto por 15 ministros, sendo dez militares da ativa ou da reserva e cinco civis oriundos da magistratura, do Ministério Público ou da advocacia. Essa composição busca combinar experiência interna das Forças Armadas com visão jurídica civil.
O julgamento segue dinâmica semelhante à de outros tribunais superiores, com relator, votos sucessivos e decisão por maioria simples em sessão pública. O resultado definirá, de forma definitiva, se Bolsonaro e os demais oficiais manterão ou perderão suas patentes e prerrogativas associadas.
Quais são os principais impactos da perda de patente?
Na prática, a perda de patente implica exclusão do quadro de oficiais e perda de honras e prerrogativas típicas do oficialato, ainda que detalhes sobre proventos possam depender de normas específicas e decisões posteriores. O ato funciona como declaração de que o oficial não preenche os requisitos morais e éticos da carreira.
Além do efeito individual, o julgamento projeta mensagem institucional sobre o padrão de conduta exigido de generais e oficiais de alta patente. A decisão também tende a influenciar debates futuros sobre responsabilidade de militares em crises políticas e atentados à ordem constitucional.
Qual é o próximo passo no STM?
Com o prazo de dez dias aberto, a defesa de Bolsonaro poderá apresentar argumentos jurídicos e fáticos para tentar afastar a ideia de indignidade ou incompatibilidade com o oficialato. A estratégia deve explorar precedentes do STM, aspectos subjetivos da conduta e eventuais teses sobre proporcionalidade.
Após a manifestação da defesa, o relator elaborará seu voto e levará o caso a julgamento em data a ser definida. A sessão, que tende a concentrar atenção jurídica, institucional e política, será o momento em que o STM definirá o futuro da patente de Jair Bolsonaro e dos demais militares envolvidos no processo.