A ampliação das indicações da semaglutida e do tezepelumabe pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marca um novo momento no uso desses medicamentos no Brasil, com foco em doenças de alta prevalência e grande impacto na saúde pública.
Quais são as novas indicações da semaglutida para proteção cardiovascular?
Com a atualização regulatória, o Wegovy, antes aprovado apenas para o tratamento da obesidade, passa a ter indicação para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves. Essa indicação vale para adultos com doença cardiovascular estabelecida que apresentem obesidade ou sobrepeso, em combinação com alimentação hipocalórica e atividade física.
Os estudos que embasaram a decisão mostraram redução relevante de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular, quando a semaglutida é usada como parte de uma estratégia integrada de cuidado. Em um cenário em que as doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte no Brasil, a nova indicação amplia o arsenal terapêutico para pacientes de alto risco:
- Indicada para adultos com doença cardiovascular já diagnosticada;
- Uso em pessoas com obesidade ou sobrepeso, associado a dieta e exercícios;
- Foco em reduzir infarto, AVC e outros desfechos cardiovasculares importantes.
Como a semaglutida no Ozempic beneficia quem tem diabetes tipo 2?
No Ozempic, a semaglutida teve a indicação expandida para pessoas com diabetes tipo 2 que também apresentam doença renal crônica. Esse grupo é altamente vulnerável a complicações, tanto pela progressão da insuficiência renal quanto pelo risco cardiovascular aumentado, sendo responsável por grande parte dos casos em diálise no país.
Ensaios clínicos submetidos pela Novo Nordisk mostraram que o uso do Ozempic, associado ao tratamento padrão, ajudou a reduzir a progressão da perda de função renal e a diminuir a ocorrência de eventos cardiovasculares graves. Assim, a semaglutida passa a ser vista não apenas como agente de controle glicêmico, mas também como ferramenta para retardar o agravamento da doença renal e proteger o sistema cardiovascular.
Quais indicações da semaglutida não foram aprovadas pela Anvisa?
A Anvisa também analisou um pedido adicional para uso da semaglutida em outras condições clínicas, não detalhadas no parecer público. Nessa avaliação, os dados apresentados não foram considerados suficientes para comprovar benefício clínico relevante ou segurança adequada em novos contextos terapêuticos.
Por essa razão, a inclusão dessas indicações na bula foi negada, demonstrando que, apesar da ampliação em áreas específicas, o processo regulatório permanece rigoroso. A aprovação continua condicionada a evidências robustas e consistentes de eficácia e segurança em estudos clínicos bem conduzidos.
Como o tezepelumabe (Tezspire) passa a atuar na rinossinusite crônica grave?
O tezepelumabe, comercializado como Tezspire, antes indicado apenas para asma grave em pacientes a partir de 12 anos, agora também pode ser usado em adultos com rinossinusite crônica grave com pólipos nasais. Essa condição cursa com obstrução nasal persistente, secreção, perda de olfato e importante prejuízo na qualidade de vida.
A nova indicação é como tratamento complementar para pacientes que não responderam adequadamente a sprays nasais, medicamentos sistêmicos ou que tenham limitações para uso prolongado de corticoides sistêmicos ou para cirurgias. Nesses casos, o Tezspire surge como alternativa adicional para reduzir a inflamação, melhorar sintomas e evitar recorrências:
- Indicado para adultos com rinossinusite crônica grave com pólipos nasais;
- Uso complementar quando terapias convencionais não foram suficientes;
- Opção para quem não pode usar corticoide sistêmico por longos períodos ou operar;
- Objetivo de melhorar obstrução nasal, olfato e impacto funcional diário.
Quais são os possíveis impactos dessas decisões para a saúde pública?
As novas indicações de semaglutida e tezepelumabe dialogam diretamente com desafios frequentes na prática clínica brasileira, como doenças cardiovasculares, diabetes com comprometimento renal e condições respiratórias crônicas. Esses problemas concentram parte expressiva das internações, custos assistenciais e mortalidade no sistema de saúde.
Ao ampliar o uso de Wegovy, Ozempic e Tezspire para grupos de maior risco, a Anvisa potencialmente contribui para reduzir infarto, AVC, progressão da doença renal e impacto funcional de doenças respiratórias. O efeito real, porém, dependerá da avaliação médica individual, do acesso aos medicamentos, da adesão ao tratamento e da manutenção de mudanças no estilo de vida.