Morar sozinho no Brasil não significa estar excluído da rede de proteção social. Para fins de políticas públicas, uma pessoa que vive só pode ser considerada uma família unipessoal e, se atender aos critérios de renda, tem direito a ingressar no Cadastro Único (CadÚnico) e pleitear benefícios como Bolsa Família, Auxílio Gás, tarifa social de energia e descontos em contas essenciais.
Quem mora sozinho é considerado família no CadÚnico?
No contexto dos programas sociais federais, a palavra-chave é família unipessoal. O governo reconhece que uma única pessoa que vive em endereço próprio, sem dividir despesas com terceiros, constitui um núcleo familiar completo para fins de políticas públicas.
De acordo com as regras vigentes em 2026, para entrar no Cadastro Único como família unipessoal, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218. No caso de quem mora sozinho, a renda total e a renda per capita são iguais, o que facilita a verificação e a análise para o Bolsa Família e outros auxílios.
Qual é o valor do benefício para quem mora sozinho no CadÚnico?
Não existe um benefício único e fixo para todos os cadastrados que vivem sozinhos. O que há é um conjunto de programas sociais interligados ao CadÚnico, como Bolsa Família, Auxílio Gás e tarifas sociais, cada um com regras próprias de elegibilidade e cálculo de valores.
Entre os principais valores e vantagens que podem ser liberados para quem tem o CadÚnico atualizado e mora sozinho, destacam-se benefícios que complementam a renda e reduzem despesas mensais, aliviando o orçamento de famílias unipessoais em situação de vulnerabilidade.
- Benefício de Renda de Cidadania: parcela base, a partir de R$ 142,00 por integrante da família, inclusive em arranjos unipessoais;
- Benefício Complementar: valor adicional para que a família alcance um patamar mínimo de renda mensal, chegando a cerca de R$ 600,00, conforme regras em vigor;
- Auxílio Gás: pago de forma bimestral, com valor médio em torno de R$ 102,00, variando conforme o preço praticado no mercado;
- Tarifa Social de Energia Elétrica: desconto que pode chegar a até 65% na conta de luz para famílias de baixa renda incluídas no CadÚnico.
Como fazer o Cadastro Único morando sozinho passo a passo?
O registro como família unipessoal exige atenção a detalhes que comprovem que o cidadão não divide despesas com outras pessoas. Em geral, o processo combina etapas digitais e presenciais, com foco na checagem de renda, endereço e composição familiar declarada.
Seguir um roteiro organizado ajuda a evitar retrabalho, bloqueios ou suspeitas de inconsistência nas informações. Muitos municípios também podem solicitar documentos adicionais, como declaração de residência ou comprovantes de renda informal, para fortalecer a análise.
- Iniciar o pré-cadastro on-line
Muitos municípios orientam que o interessado faça um pré-cadastro pelo aplicativo ou pelo site oficial do Cadastro Único ou do governo federal, informando dados básicos. - Agendar atendimento no CRAS ou posto de cadastro
Após o pré-cadastro, é necessário marcar data e horário em um CRAS ou em outro posto autorizado pela prefeitura para validar as informações. - Reunir a documentação necessária
Em geral, são solicitados CPF, RG ou outro documento oficial com foto, e comprovante de residência atualizado em nome do requerente, quando possível. - Participar da entrevista social
No dia do atendimento, um entrevistador registra informações detalhadas sobre renda, moradia, despesas e composição familiar, caracterizando a família unipessoal. - Acompanhar a análise e manter registros guardados
Após o cadastro, a equipe técnica faz cruzamentos com outras bases. Guardar protocolos e documentos facilita futuras atualizações e comprovações.
O benefício de quem mora sozinho pode ser cortado?
Programas vinculados ao CadÚnico para quem mora sozinho passam por monitoramento permanente. Órgãos federais, estaduais e municipais verificam se a renda declarada corresponde à realidade e se o domicílio continua sendo unipessoal.
Quando são encontradas inconsistências, o benefício pode ser bloqueado, suspenso ou cancelado. Mudança de renda, inclusão em emprego formal ou início de convivência com outras pessoas devem ser comunicados ao CRAS para evitar devolução de valores e penalidades.
Por que manter o CadÚnico atualizado é essencial para quem vive só?
Algumas práticas são recomendadas pelos órgãos de assistência social para preservar benefícios e facilitar o acesso automático a novas políticas que utilizam o CadÚnico como porta de entrada.
- Realizar atualização cadastral presencial a cada dois anos ou sempre que houver mudança de renda, endereço ou composição familiar;
- Manter contas de consumo (água, energia, internet) vinculadas ao próprio CPF, reforçando que o domicílio é de uso exclusivo;
- Guardar documentos e protocolos de atendimentos anteriores, facilitando correções e evitando divergências em novas entrevistas;
- Informar imediatamente ao CRAS se passar a residir com outra pessoa, para que o registro deixe de ser unipessoal e reflita a nova realidade.
Manter os dados em dia é exigência para todos os cadastrados, mas ganha relevância extra para a família unipessoal. Como renda e moradia dependem de apenas uma pessoa, qualquer mudança impacta diretamente a elegibilidade em programas federais, estaduais e municipais.