A mudança no controle da rede de mini mercados Oxxo no Brasil marca um novo capítulo no varejo de proximidade do país. A mexicana Femsa confirmou, nesta segunda-feira (2/2), que passou a comandar integralmente a operação da marca Oxxo no mercado brasileiro, após o fim da joint-venture com a Raízen, reorganizando ativos, redefinindo estratégias e intensificando a disputa por consumidores em busca de compras rápidas e convenientes.
O que muda com a Femsa no comando da Oxxo no Brasil?
Com a nova configuração societária, a Femsa manteve todas as lojas Oxxo em operação no país, além do centro de distribuição em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo. Os demais ativos e passivos do Grupo Nós, a antiga joint-venture, foram repartidos entre Femsa e Raízen conforme a natureza de cada atividade, separando com clareza o modelo de mini mercado de bairro do formato tradicional de loja de conveniência em posto.
A Raízen informou que passou a contar com 1.256 lojas de conveniência sob as bandeiras Shell Select e Shell Café. Já a Femsa ficou responsável por todos os 611 mini mercados Oxxo existentes no Brasil, além da infraestrutura logística em Cajamar, reforçando a estratégia de apostar em redes de proximidade com foco em abastecimento rápido do dia a dia e forte presença em áreas urbanas.
Como funciona a estratégia de expansão da Oxxo no Brasil?
A rede Oxxo, bastante conhecida no México e em outros países da América Latina, opera com lojas compactas, horários estendidos e sortimento voltado a compras imediatas. No Brasil, a Femsa tende a replicar essa lógica, adaptando o portfólio ao hábito de consumo local e usando o centro de distribuição de Cajamar para garantir abastecimento eficiente e suporte a uma expansão geográfica gradual.
Analistas do setor observam que o varejo de proximidade cresce apoiado em alguns pilares centrais. Nesse contexto, os mini mercados Oxxo podem disputar espaço com padarias de bairro, pequenas mercearias, lojas de conveniência em postos e supermercados de menor porte, elevando a competitividade no segmento de conveniência urbana:
- Localização em áreas densamente povoadas ou de grande fluxo;
- Sortimento ajustado a necessidades rápidas, como alimentos prontos, bebidas e itens básicos;
- Agilidade no atendimento, com foco em conveniência e experiência de compra simplificada.
O que muda para o consumidor com a saída da Raízen da sociedade?
Com o fim da joint-venture do Grupo Nós, a Raízen redirecionou seus esforços para as lojas de conveniência associadas à rede Shell. As 1.256 unidades Shell Select e Shell Café seguem ancoradas majoritariamente em postos de combustíveis, atuando como pontos de apoio ao motorista, enquanto a Oxxo, sob comando exclusivo da Femsa, permanece voltada ao público que busca um mini mercado próximo de casa ou do trabalho.
Do ponto de vista do consumidor, a principal diferença está no tipo de loja e no contexto de uso, e não em mudanças imediatas de preço. As lojas Shell costumam estar ligadas ao abastecimento de veículos e serviços de estrada, enquanto os mini mercados Oxxo funcionam como alternativa ao supermercado tradicional para compras pequenas, de reposição ou emergenciais, com flexibilidade para ajustar campanhas e horários de forma independente.
Quais impactos a nova fase da Oxxo traz ao mercado?
A consolidação do controle da Oxxo pela Femsa reforça a presença de um player internacional em um mercado em transformação. O crescimento do comércio de bairro, impulsionado pela busca por praticidade e pelo aumento das compras de reposição, coloca os mini mercados no centro de uma disputa que envolve grandes redes, franquias e pequenos comerciantes independentes.
A combinação de logística centralizada em Cajamar com uma marca já consolidada em outros países cria condições para novas iniciativas relevantes. Entre elas, destacam-se a expansão para novas praças urbanas, o fortalecimento de parcerias com grandes fabricantes e o uso intensivo de meios de pagamento digitais, programas de fidelidade e possíveis formatos híbridos, como retirada de compras online nas lojas físicas.