Entre os muitos cortes de carne presentes no dia a dia dos brasileiros, o coxão duro ganhou destaque recente em um contexto pouco comum: listas internacionais de pratos menos apreciados. Em um ranking do guia gastronômico TasteAtlas de 2024, o corte chegou a aparecer entre os piores 10 pratos do levantamento, o que reacendeu o debate sobre como esse corte bovino é usado na cozinha e de que forma a percepção externa pode divergir da rotina alimentar de um país.
O que é o TasteAtlas e como funciona o ranking gastronômico?
O TasteAtlas é um guia gastronômico online que mapeia pratos, ingredientes e bebidas de diferentes países, reunindo descrições, fotos e avaliações de usuários e alguns especialistas convidados. As listas são atualizadas periodicamente, refletindo gostos pessoais, preferências regionais e experiências de viagem, mais do que um consenso absoluto sobre qualidade.
Em uma edição do ranking de comidas menos bem avaliadas do mundo de 2024, o coxão duro apareceu entre os dez piores itens, ao lado de preparos tradicionais de outros países. Isso mostra como pratos enraizados em culturas locais podem receber notas baixas quando avaliados por um público global pouco familiarizado com seus sabores e modos de preparo. Confira abaixo como foi classificado o corte brasileiro e o ranking:
- Coxão Duro (Brasil): Nota 1.5
- Blodpalt (Finlândia): Nota 2.0
- Hákarl (Islândia): Nota 2.1
- Ramen Burger (Estados Unidos): Nota 2.1
- Jellied Eels (Inglaterra): Nota 2.1
- Bocadillo de Sardinas (Espanha): Nota 2.2
- Chapalele (Chile): Nota 2.3
- Kaeng Tai Pla (Tailândia): Nota 2.4
- Yerushalmi Kugel (Israel): Nota 2.4
- Salo (Ucrânia): Nota 2.5
O que é o coxão duro e por que esse corte é tão falado?
O coxão duro bovino, também chamado de coxão de fora ou chã de fora, é retirado da parte traseira da perna do boi, região muito exigida no animal. Por isso, apresenta fibras longas, textura firme e menor maciez em comparação com cortes como picanha ou filé mignon, além de gordura mais concentrada na superfície.
Por ser mais musculoso, responde melhor a preparos úmidos e de longa cocção, como panela de pressão ou cozimento lento, que quebram o colágeno e deixam a carne mais macia. Quando grelhado rapidamente como bife comum, tende a ficar rígido, seco e “borrachudo”, o que impacta negativamente a experiência de quem prova.
Por que o coxão duro aparece entre as comidas mais mal avaliadas?
A presença do coxão duro no ranking do TasteAtlas está ligada a fatores culturais, técnicos e de expectativa. Muitos avaliadores estão acostumados a cortes mais macios e a preparos simples, sem longo tempo de cozimento, o que desfavorece um corte que exige técnica adequada.
Quando o corte é comparado internacionalmente a peças nobres e consumido sem preparo correto, o resultado costuma ser uma carne dura e pouco suculenta. Assim, um alimento comum em lares brasileiros acaba ganhando fama negativa em listas globais, embora siga presente em churrascos, restaurantes populares e na cozinha do dia a dia.
Como preparar coxão duro para deixá-lo mais macio e saboroso?
A forma de preparo é decisiva para a percepção do coxão duro na gastronomia. Técnicas simples, aplicadas de modo consistente, transformam a textura e o sabor, tornando o corte muito mais agradável mesmo para quem tem resistência inicial. Veja abaixo opções para deixar o corte mais macio:
- Marinadas: uso de ingredientes ácidos (vinho, limão, vinagre suave) com ervas ajuda a amaciar as fibras e agregar sabor.
- Cozimento longo: panela de pressão, panela de ferro ou forno em baixa temperatura dissolvem o colágeno e amaciam a carne.
- Corte adequado: fatiar em tiras finas, na direção contrária às fibras, reduz a sensação de dureza na mastigação.
Qual é o papel do coxão duro na culinária brasileira atual?
No Brasil, o coxão duro ocupa o lugar de corte democrático, associado à cozinha caseira, ao bom rendimento e ao aproveitamento integral do animal. Em tempos de carne cara, continua sendo alternativa frequente para quem busca equilíbrio entre preço, sabor e versatilidade.
Preparos de cocção lenta, como carne de panela, ensopados e carne desfiada para recheios, mantêm o corte em evidência e ligado à memória afetiva. Mesmo com críticas em rankings internacionais, o coxão duro segue valorizado na prática cotidiana, reforçando como cultura, técnica e contexto moldam a opinião sobre um mesmo alimento.