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Início Justiça

Presidente da Unafisco afirma que “é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”

Por Junior Melo
19/fev/2026
Em Justiça
Presidente da Unafisco afirma que "é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República"

Kléber Cabral, presidente da Unafisco - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad

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O caso envolvendo o acesso a dados de um parente do ministro Gilmar Mendes por um auditor da Receita Federal reacendeu o debate sobre o uso de informações fiscais, os limites da atuação de servidores públicos e os impactos institucionais das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Polícia Federal (PF).

Como teria sido o acesso a dados de parente de Gilmar Mendes?

Em entrevista nesta quarta-feira (18/2), o presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral, afirmou que o auditor lotado no interior de São Paulo confirmou internamente que acessou dados de um parente de Gilmar Mendes em meados de novembro do ano anterior. O servidor teria sido ouvido pela administração da Receita Federal, e não diretamente pela Polícia Federal.

Segundo o relato, o auditor buscava identificar se determinada pessoa, com o mesmo sobrenome, seria uma ex-mulher ou outro parente com quem mantinha amizade de longa data, realizando uma consulta motivada por interesse pessoal. Cabral afirmou que o servidor permaneceu apenas na chamada “tela de vínculo de parente”, relativa a uma declaração de imposto de renda de 2008, sem avançar para campos com informações bancárias sigilosas. Veja a fala de Kléber (Reprodução/X/GloboNews):

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Presidente de Associação de Auditores da Receita:

"É menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República."

Ele só errou o seguinte: um país em que autoridades não seguem as leis, e não são responsabilizadas, não é mais uma república. pic.twitter.com/3Pw6esjg0b

— Leandro Ruschel 🇧🇷🇺🇸🇮🇹🇩🇪 (@leandroruschel) February 19, 2026

Por que o acesso é considerado inadequado mesmo sem dados bancários?

Cabral ressaltou que, embora o auditor negue acesso a contas bancárias ou extração de dados protegidos por sigilo financeiro, a conduta segue sendo inadequada. O acesso a dados fiscais fora de contexto funcional é vedado, ainda que se limite a vínculos familiares antigos, pois viola normas internas e princípios de finalidade.

Mesmo sem indícios imediatos de vazamento, a Receita Federal considera que qualquer consulta motivada por interesse pessoal compromete a confiança no sigilo fiscal. O caso também será confrontado com registros eletrônicos para verificar se houve outros acessos que extrapolem a “tela de vínculo” ou indiquem um padrão de consultas injustificadas.

O que está em investigação sobre dados sigilosos e uso de sistemas da Receita?

As declarações de Cabral foram dadas um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra quatro servidores públicos, em operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news. Segundo o STF, foram identificados “diversos e múltiplos acessos ilícitos” aos sistemas da Receita Federal, envolvendo possíveis vazamentos de dados sigilosos de ministros, do procurador-geral da República e de familiares.

Para a Receita Federal e para os órgãos de controle, a apuração busca mapear o uso dos sistemas, distinguir acessos funcionais de consultas pessoais e entender se houve repasse de informações a terceiros ou uso político. Nesse contexto, o episódio do parente de Gilmar Mendes é analisado junto a outros registros, como parte de um possível padrão de acessos indevidos.

Quais são as críticas da Unafisco à operação da PF?

O presidente da Unafisco Nacional argumenta que a operação da PF contra auditores produz impacto direto sobre a rotina de fiscalização, ao “humilhar, constranger e amedrontar” servidores. Segundo ele, isso cria ambiente de insegurança para quem atua em casos envolvendo autoridades da alta cúpula da República, o que pode levar a uma escolha preferencial por fiscalizar alvos menos sensíveis politicamente.

Para Cabral e outras entidades de classe, é necessário aperfeiçoar regras internas e garantir proteção funcional, de modo a separar com clareza fiscalizações legítimas de eventuais desvios. Nesse debate, são apontados como pontos centrais:

  • Clareza de regras internas: definir quem pode acessar quais dados e em quais situações específicas.
  • Proteção funcional: assegurar que fiscalizações técnicas não sejam confundidas com perseguição política.
  • Rastreabilidade: aprimorar registros eletrônicos para diferenciar acesso funcional de acesso pessoal.
  • Transparência institucional: melhorar a comunicação da Receita e da PF sobre o escopo das investigações, dentro dos limites legais.

Como o caso pode influenciar a fiscalização de autoridades?

O episódio do acesso a dados de parente de Gilmar Mendes e a operação da PF ocorrem em momento de alta sensibilidade institucional e podem moldar o comportamento de auditores em futuras fiscalizações envolvendo o Poder Judiciário, o Ministério Público e outros órgãos de cúpula. Especialistas em transparência destacam que é preciso equilibrar a proteção de dados fiscais sigilosos com a autonomia técnica da fiscalização.

No curto prazo, a Receita tende a reforçar controles de acesso, revisar perfis de usuários e detalhar melhor as motivações formais para consultas a dados de autoridades. O desfecho das investigações no STF e na PF deverá orientar novos protocolos internos, buscando garantir, ao mesmo tempo, a integridade do sigilo fiscal e a continuidade de fiscalizações legítimas, sem desestimular a atuação de servidores em casos sensíveis.

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