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Início Justiça

PF abre inquérito para investigar Grupo Fictor por tentativa de compra do Master

Por Junior Melo
05/fev/2026
Em Justiça
Empresas do Grupo Fictor têm R$ 500 mil em bens bloqueados pela Justiça de SP

Grupo Fictor - Foto: Reprodução/Fictor

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O caso envolvendo o Grupo Fictor e a tentativa de compra do Banco Master entrou no radar das autoridades federais após o pedido de recuperação judicial apresentado no último domingo (1/2), levando a Polícia Federal a abrir inquérito para apurar suspeitas de crimes financeiros ligados à oferta de aquisição feita em novembro de 2025.

Como a PF investiga o Grupo Fictor?

A investigação da PF sobre o Grupo Fictor concentra-se na conduta dos administradores da holding, apurando se houve ocultação da real situação financeira das empresas ou uso de estruturas societárias para eventual lavagem de dinheiro. O foco recai na conexão entre a oferta de aquisição e suspeitas já levantadas pelo Banco Central em relação ao Master.

No pedido de recuperação judicial, o Grupo Fictor afirma buscar reestruturar aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas, alegando que a crise se agravou após a divulgação pública da proposta de compra do Banco Master com fundos de investimento dos Emirados Árabes Unidos, não identificados até agora. Segundo a holding, a medida do Banco Central em relação ao Master teria provocado forte abalo reputacional e acelerado a corrida de credores.

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Por que o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master?

O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025, um dia após a proposta de compra apresentada pelo Grupo Fictor, apontando suspeitas de fraudes na emissão de cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos considerados falsos. Para a autoridade monetária, a venda para o Fictor não resolveria problemas estruturais e poderia encobrir a real dimensão da crise.

Na avaliação do BC, a tentativa de aquisição poderia mascarar a incapacidade do Master de honrar compromissos com credores e investidores, justificando a liquidação extrajudicial em razão de risco elevado ao sistema financeiro. A PF também apura se havia efetivamente fundos estrangeiros dispostos a aportar capital e se a estrutura proposta poderia servir para desviar ou legitimar recursos de origem ilícita.

Como a blindagem judicial temporária afeta o Grupo Fictor?

No campo cível, o Grupo Fictor obteve proteção temporária com liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo, que suspendeu por 30 dias execuções contra a Fictor Holding e a Fictor Invest Ltda. A medida impede, de forma provisória, penhoras, arrestos, buscas e apreensões ou outras formas de constrição de bens, em meio ao que foi descrito como “corrida de credores”.

Segundo a decisão, apenas as ações em trâmite em São Paulo somariam cerca de R$ 6 milhões, o que, somado a outros processos, poderia inviabilizar qualquer tentativa de reorganização financeira. Essa proteção é limitada no tempo e não alcança a esfera criminal, onde a investigação da PF avança sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, irregularidades na captação de recursos e possíveis responsabilidades penais.

Quais são os possíveis desdobramentos para o caso?

A partir do inquérito em curso, a PF poderá adotar diferentes caminhos, a depender do conjunto de provas reunidas e de eventuais cooperações com outros órgãos de controle. As medidas podem atingir não apenas a holding, mas também administradores, parceiros comerciais e intermediários da operação frustrada com o Banco Master.

Entre os desdobramentos considerados mais prováveis pelas autoridades e analistas do mercado, destacam-se algumas ações que podem afetar diretamente o grupo e seu entorno empresarial:

  • Indiciamento de administradores, se forem identificados elementos que indiquem participação em crimes financeiros.
  • Compartilhamento de informações com o Banco Central, Ministério Público Federal e outros órgãos de fiscalização e controle.
  • Bloqueio de bens, em caso de indícios de ocultação patrimonial ou risco de dissipação de ativos relevantes.
  • Ampliação da investigação para outras empresas e pessoas físicas envolvidas na tentativa de compra do Banco Master.
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