Um novo comprimido experimental despontou como possível avanço na prevenção de um segundo acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas que já passaram por esse tipo de evento, reduzindo em 26% a chance de um novo AVC em comparação com placebo em pacientes de alto risco e com poucas opções de prevenção a longo prazo.
Quais os principais resultados da pesquisa com o novo comprimido para AVC?
O comprimido em estudo, chamado asundexian, foi desenvolvido pela farmacêutica Bayer para uso diário em prevenção secundária após AVC isquêmico não-cardioembólico. Ele foi testado em cerca de 12 mil pacientes de 37 países, em um ensaio clínico de fase 3, randomizado e controlado com placebo.
Todos os participantes tinham histórico de AVC isquêmico não-cardioembólico ou ataque isquêmico transitório (AIT), sem relação com arritmias cardíacas. O uso do asundexian esteve associado a uma redução de 26% na ocorrência de novos AVCs, número considerado relevante para um grupo em que 1 em cada 4 sobreviventes pode ter outro episódio ao longo da vida.
Como o asundexian age para reduzir o risco de um segundo AVC?
O foco principal do asundexian é evitar a formação de coágulos que possam bloquear vasos sanguíneos no cérebro, origem mais comum do AVC isquêmico. Trata-se de um inibidor do fator XIa, via de coagulação associada à formação de trombos, mas com menor impacto em mecanismos de hemostasia fisiológica.
No estudo Oceanic-Stroke, realizado entre 2022 e 2025, o medicamento mostrou efeito terapêutico sustentado ao longo do acompanhamento e não indicou aumento de sangramentos graves, incluindo os intracranianos. Isso contrasta com experiências anteriores com outros anticoagulantes, que frequentemente elevavam o risco de hemorragias cerebrais em determinados perfis de pacientes.
Qual o processo até a chegada do novo remédio aos pacientes?
Mesmo com os resultados animadores, o asundexian ainda não está disponível para uso rotineiro na prática clínica. Após a conclusão do estudo Oceanic-Stroke, os dados precisam ser submetidos a agências reguladoras, como a Anvisa, no Brasil, e a FDA, nos Estados Unidos, para avaliação detalhada.
Essas agências analisam eficácia, segurança, forma de uso, público-alvo e interações medicamentosas antes de autorizar a comercialização. Até lá, o cuidado com quem já teve um AVC segue baseado em mudanças de estilo de vida, controle rigoroso de pressão alta, diabetes e colesterol, além de medicamentos já consagrados na prevenção de novos eventos.
Como o novo comprimido atua na prevenção após AVC isquêmico?
Para pessoas que já sofreram um AVC isquêmico não-cardioembólico ou um AIT, o risco de um novo episódio permanece como preocupação constante, mesmo após boa recuperação funcional. A eventual disponibilidade de um comprimido diário específico para reduzir a chance de um segundo AVC pode permitir estratégias mais personalizadas de prevenção.
A longo prazo, os resultados do estudo Oceanic-Stroke podem ser incorporados a diretrizes internacionais, caso o balanço entre benefícios e riscos seja confirmado. Isso tende a influenciar combinações de medicamentos, duração dos tratamentos e seleção de pacientes com maior benefício, considerando idade, histórico clínico e outras comorbidades.