Publicado nesta terça-feira (10/2), o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2026 trouxe um retrato pouco animador para o Brasil, que obteve 35 pontos e permaneceu na 107ª posição entre 185 países, mantendo a pior colocação histórica no ranking global de corrupção, mesmo com a pequena variação em relação a 2024.
Como foi a nota do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção em 2026?
O Índice de Percepção da Corrupção é uma das principais referências internacionais para avaliar como a corrupção é percebida em diferentes países. No caso do Brasil, os 35 pontos em 2026 representam o segundo pior resultado da série histórica, à frente apenas de 2024, quando o país registrou 34 pontos.
Na prática, quanto mais próximo de 100, menor é a percepção de corrupção em um país; quanto mais próximo de zero, maior é a percepção de problemas sistêmicos. O Brasil aparece ao lado do Sri Lanka na 107ª colocação, distante de países referência em integridade pública, como a Dinamarca, que lidera o ranking com 89 pontos, enquanto Somália e Sudão do Sul registraram apenas 9 pontos.
Por que o Brasil mantém a pior posição histórica no ranking de corrupção?
O relatório da Transparência Internacional indica que o baixo desempenho do Brasil está ligado a fatores estruturais e a casos recentes de grande repercussão. Entre os episódios de 2025 citados estão as fraudes em descontos associativos no INSS e as suspeitas de emissão de cédulas de crédito fraudulentas pelo Banco Master, que evidenciam fragilidades de controle.
Além de escândalos específicos, o relatório destaca o ambiente de risco para quem denuncia irregularidades, com mais de 90% dos assassinatos de jornalistas em países com menos de 50 pontos. O Brasil integra esse grupo ao lado de Índia, México, Paquistão e Iraque, em contextos considerados perigosos para a imprensa investigativa e a fiscalização independente.
Quais fatores estruturais pesam no combate à corrupção?
Entre os fatores que costumam prejudicar países com notas baixas, a Transparência Internacional aponta problemas de impunidade, fragilidade institucional e transparência limitada. Esses elementos afetam diretamente a confiança pública, a qualidade da democracia e o ambiente de negócios, afastando investimentos e ampliando a percepção de risco.
De forma geral, os principais entraves que sustentam a elevada percepção de corrupção no Brasil e em outras nações com desempenho semelhante incluem:
- Impunidade em casos de corrupção, com poucos avanços concretos em investigações e julgamentos;
- Fragilidade institucional, incluindo órgãos de controle com recursos limitados ou interferência política;
- Transparência insuficiente em contratos públicos, compras governamentais e execução orçamentária;
- Riscos à liberdade de imprensa, afetando o trabalho de jornalistas e denunciantes;
- Dependência de acordos políticos informais, que favorecem clientelismo e troca de favores no uso de cargos e verbas.
Como funciona o cálculo do ranking mundial de corrupção?
O Índice de Percepção da Corrupção não se baseia em pesquisas de opinião com a população em geral, mas na avaliação de especialistas e executivos. Eles analisam temas como suborno, desvio de dinheiro público, favorecimento em contratos e uso do cargo público para obter vantagens pessoais, com base em estudos consolidados.
O estudo utiliza 13 fontes independentes, que são padronizadas em uma escala de 0 a 100 e agregadas por média ponderada. Entre as entidades que fornecem dados estão o The Economist, o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial e universidades, buscando reduzir distorções e oferecer uma visão ampla da percepção de corrupção no setor público.
Quais caminhos podem ajudar o Brasil a melhorar?
Embora o IPC não prescreva soluções específicas, Transparência Internacional e organismos multilaterais destacam direções que fortalecem a integridade pública. No Brasil, analistas defendem ações coordenadas em diferentes frentes, combinando reformas legais, fortalecimento institucional e cultura de transparência de longo prazo.
Entre os caminhos mais citados para reduzir a percepção de corrupção no Brasil, aparecem o reforço dos órgãos de controle, a proteção a jornalistas e denunciantes, a transparência ativa e o aperfeiçoamento das regras de integridade pública e privada, incluindo programas de compliance robustos nas empresas.