A Anvisa ordenou o recolhimento imediato de diversos dispositivos médicos nesta quarta-feira (25/2/2026). A medida atinge produtos essenciais como o cateter periférico e a sutura de nylon, após a identificação de falhas técnicas e de rotulagem que podem comprometer a segurança de pacientes e profissionais de saúde.
Quais foram as irregularidades encontradas no cateter e nas seringas?
O Cateter Periférico IV Descarpack (lote SCTPAA062A) teve seu uso suspenso devido à presença de gotas de fluido lubrificante na parte externa do dispositivo. Essa falha foi detectada em 80% das unidades analisadas, o que configura um risco durante o procedimento de acesso venoso.
Além disso, lotes específicos de seringas para insulina das marcas Descarpack e Medix Brasil também foram suspensos. Laudos técnicos indicaram um resultado insatisfatório no código de cores das seringas, o que pode levar a erros graves na dosagem da medicação pelos usuários.
Por que a sutura de nylon e o ventilador pulmonar foram proibidos?
A sutura de nylon da empresa Supermedy (lote 2030218) foi proibida após uma análise da Fundação Ezequiel Dias (Funed) apontar irregularidades críticas nas informações do rótulo. A falta de clareza ou erros na rotulagem de materiais cirúrgicos impede o uso seguro do monofilamento em procedimentos hospitalares.
Abaixo, detalhamos os dispositivos e lotes afetados pela ação fiscalizadora:
Qual o risco dos ventiladores pulmonares sem procedência?
Um alerta grave foi emitido para o ventilador pulmonar VLP4000P. Os lotes fabricados a partir de setembro de 2020 não possuem registro nem procedência conhecida, além de a empresa fabricante ter tido seu pedido de Boas Práticas de Fabricação negado pela Anvisa antes mesmo de ser desativada em 2021.
Mesmo sem autorização e sem garantias de funcionamento adequado para suporte à vida, esses produtos continuam sendo divulgados ilegalmente. A Anvisa reforça que o uso de equipamentos médicos sem certificação oficial coloca a vida dos pacientes em risco iminente por falta de calibração e segurança técnica.
Como devem proceder os hospitais e consumidores?
Unidades de saúde e consumidores que possuam algum dos itens listados devem interromper o uso imediatamente e segregar os produtos para o recolhimento. A continuidade do uso de materiais suspensos pela vigilância sanitária pode resultar em complicações clínicas e sanções administrativas para as instituições.
Considere as seguintes orientações de segurança:
- Conferência imediata: Verifique os estoques hospitalares e domésticos em busca dos lotes citados.
- Contato com fornecedores: Solicite a troca ou devolução dos itens irregulares conforme as Resoluções RE 704 a 710/2026.
- Registro de problemas: Notifique qualquer evento adverso ocorrido com esses dispositivos no sistema da Anvisa.
- Consulta ao DOU: Acompanhe as atualizações das resoluções no Diário Oficial da União para novos detalhes técnicos.
Qual a importância das Boas Práticas de Fabricação (CBPF)?
A negação da Certificação de Boas Práticas de Fabricação é um indicativo de que a empresa não cumpre os requisitos mínimos de higiene, controle de qualidade e padronização. No caso do recolhimento de cateter e outros insumos, a fiscalização rigorosa garante que apenas materiais testados e seguros circulem no sistema de saúde brasileiro.
O monitoramento constante da vigilância sanitária visa prevenir infecções hospitalares e erros de medicação causados por falhas de fabricação. Ao retirar de circulação produtos com lubrificantes expostos ou cores trocadas, a Anvisa protege o elo mais frágil da corrente: o paciente em tratamento.