A troca de declarações entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o padre Ferdinando Mancilio, do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, evidenciou o embate entre discursos religiosos e posicionamentos políticos sobre temas sensíveis, como o armamento civil, a anistia e o sentido de manifestações públicas.
Como foi a crítica do padre de Aparecida à marcha para Brasília?
Durante uma missa no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), o padre questionou a motivação da marcha organizada por apoiadores de Nikolas, sugerindo que a mobilização estaria ligada à busca de poder político, e não à defesa da vida. Embora não tenha citado o deputado, mencionou uma “marcha para Brasília” liderada por alguém sem histórico de projetos em benefício direto da população.
A fala repercutiu rapidamente entre apoiadores e críticos do parlamentar, gerando intenso debate nas redes sociais. O episódio reacendeu discussões sobre o papel de líderes religiosos ao comentar atos políticos específicos e influenciar o público fiel. Veja a fala do padre:
🤦♂️ Padre Ferdinando Marcílio chama Nikolas Ferreira de “falso cristão” porque ele defende o direito à posse e ao porte de armas.
— Bruno Souza (@brunosouzasc) February 1, 2026
Vale lembrar ao padre o que diz a Bíblia.
Em Êxodo 22:2, se um ladrão é morto ao invadir uma casa à noite, não há culpa de sangue. A vida do inocente… pic.twitter.com/mQi4vShNsv
Como Nikolas Ferreira reagiu nas redes sociais?
Em resposta, Nikolas utilizou as redes sociais nesta segunda-feira (2/2) para defender a marcha de Minas a Brasília e negar que o ato tivesse sido motivado por ambições de poder. Ele afirmou que a mobilização teve caráter político e simbólico, com foco na defesa da anistia para investigados dos atos de 8 de janeiro e no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos eixos centrais da reação do deputado foi a defesa do armamento civil, argumentando que armas “podem fazer o bem da mesma forma que fazem o mal” e seriam capazes de proteger inocentes. Ele citou o trabalho de policiais militares e questionou o fato de o Papa e outras autoridades religiosas contarem com segurança armada, e não apenas com textos bíblicos. Veja a reação de Nikolas (Reprodução/X/@PATRIOTAS):
Nikolas Ferreira responde o Padre Comunista. pic.twitter.com/CqNqzLn9io
— PATRlOTAS (@PATRlOTAS) February 2, 2026
O que o padre argumentou sobre a atitude de Nikolas Ferreira?
Na homilia de 25 de janeiro, data de encerramento da caminhada em Brasília, o padre Ferdinando Mancilio afirmou não ver compatibilidade entre a identidade cristã e a defesa da ampliação do acesso às armas. Ele apresentou a questão como uma escolha entre estar “a favor da vida” ou “a favor da morte”, questionando a coerência de cristãos que apoiam o armamento da sociedade.
Relatando diálogo com um fiel favorável às armas, sustentou que a finalidade principal de uma arma é “ferir e matar”, diferentemente de instrumentos como o machado, cuja função original seria outra. Sua interpretação teológica privilegia a não violência, alinhada a documentos da Igreja que defendem a cultura da paz.
Como foi a marcha de Minas a Brasília?
A caminhada liderada por Nikolas partiu de Minas Gerais rumo a Brasília com o objetivo de realizar um ato político na Esplanada dos Ministérios. O movimento foi apresentado como uma manifestação em defesa da anistia a apoiadores de Jair Bolsonaro e de investigados pelos atos de 8 de janeiro, além de sinalizar respaldo ao ex-presidente e crítica ao atual governo federal.
O trajeto foi marcado por chuva intensa na capital federal no dia do encerramento, quando um raio atingiu manifestantes, sem registro de mortes. Apoiadores destacaram o risco físico enfrentado, enquanto críticos questionaram a pertinência da marcha e seus objetivos, levando Nikolas a afirmar que “não sobrou absolutamente nada para criticarem a caminhada”.