Nikolas Ferreira voltou a se colocar no centro do debate político ao responder publicamente às críticas de Eduardo Bolsonaro e defender Michelle Bolsonaro, em meio à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, e à disputa por espaço na direita brasileira.
Como foi a fala de Nikolas sobre Eduardo Bolsonaro?
A declaração de Nikolas Ferreira foi dada após uma visita de cerca de duas horas a Jair Bolsonaro na Papudinha, unidade prisional em Brasília onde o ex-presidente cumpre pena desde 15 de janeiro de 2026, condenado a 27 anos por tentativa de golpe.
Em entrevista ao SBT News, Eduardo Bolsonaro havia cobrado maior engajamento de Nikolas e de Michelle na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e sugeriu uma “amnésia” em relação ao apoio da família. Ao deixar a Papudinha, Nikolas respondeu diretamente, negou qualquer esquecimento e disse que Eduardo “não está bem”. Veja a entrevista completa:
Entrevista completa – visita ao Jair Bolsonaro. pic.twitter.com/ybCYgvNcVc
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 21, 2026
Como Nikolas reagiu à acusação de “amnésia” e defendeu Michelle Bolsonaro?
A defesa de Michelle Bolsonaro foi um dos pontos centrais da manifestação de Nikolas, que afirmou que nem ele nem a ex-primeira-dama esqueceram o histórico recente de embates, investigações e disputas políticas em torno do bolsonarismo. Segundo o deputado, as críticas de Eduardo se somam a uma sequência de ataques que já passaria de três anos.
Ao declarar que “bater em mim eu já estou acostumado” e que Michelle deveria viver “o calvário dela” sem novas pressões públicas, Nikolas se alinha à ex-primeira-dama e tenta preservá-la de conflitos familiares. A frase “Eduardo não está bem” funciona como crítica direta, mas também como tentativa de encerrar o assunto.
Qual a situação de Jair Bolsonaro na Papudinha?
Desde a transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha, a unidade prisional passou a funcionar como ponto de validação política, deixando de ser apenas um local de cumprimento de pena. Aliados relatam que cenários estaduais são levados ao ex-presidente, alianças são costuradas e decisões estratégicas recebem sua aprovação, reforçando sua liderança mesmo atrás das grades.
As conversas com Bolsonaro, mantidas por filhos, advogados e parlamentares, giram em torno de temas centrais para o campo bolsonarista, que busca unidade diante da crise e das eleições. Entre os principais pontos tratados com frequência, destacam-se:
- apresentação de pesquisas e avaliações regionais sobre desempenho eleitoral;
- discussão sobre montagem de palanques e alianças estaduais;
- alertas sobre movimentos autônomos de aliados e possíveis rachas internos;
- orientações para a campanha presidencial e para o pleito de outubro;
- estratégias de comunicação para manter a base mobilizada durante a prisão.
O que o embate revela sobre a disputa por liderança no bolsonarismo?
O confronto verbal entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira expõe tensões sobre liderança, lealdade e narrativa dentro da direita alinhada a Jair Bolsonaro, em um momento em que o ex-presidente está preso e sua autoridade é disputada.
Especialistas em dinâmica partidária apontam que esse tipo de embate explicita disputa por protagonismo entre a família Bolsonaro e figuras emergentes como Nikolas, além de pressionar a base sobre quais nomes priorizar.
Quais as possíveis consequências para a unidade da direita?
A troca de declarações entre Eduardo e Nikolas levanta dúvidas sobre a capacidade do bolsonarismo de manter coesão em um ano eleitoral marcado pela prisão do seu principal líder e pela disputa por herança política.
Se, por um lado, frases como “Eduardo não está bem” ganham destaque e inflamam apoiadores, por outro, a ênfase de Nikolas em não prolongar a disputa indica preocupação com o desgaste público. A forma como essas tensões serão administradas a partir da Papudinha e das campanhas regionais pode definir o grau de unidade da direita brasileira no curto prazo.