Uma faixa exclusiva para ônibus pode parecer só uma pintura no asfalto, mas em Bucareste ela virou assunto de lei, fiscalização e bolso. A STB, operadora do transporte público da capital romena, reforçou que circular indevidamente nessas faixas pode gerar multas altas, enquanto a cidade amplia a rede e mostra, na prática, como a regra reduz atrasos. Para quem gosta de entender códigos de veículos e normas de trânsito, esse caso é um retrato claro de como sinalização, penalidades e fluidez viária andam juntos.
Por que a faixa exclusiva para ônibus virou foco de fiscalização em Bucareste?
A STB defende que a faixa exclusiva não é um “privilégio”, e sim uma ferramenta de gestão do trânsito: ao separar o ônibus do congestionamento, o sistema ganha regularidade e o passageiro ganha previsibilidade. Hoje, Bucareste soma cerca de 57 km de faixas dedicadas e tem mais 8 km em fase de implantação, o que aumenta a área de atenção para motoristas.
Em testes comparativos divulgados pela operadora, a diferença de tempo ficou gritante em avenidas importantes: ônibus com prioridade concluíram trechos em menos de um minuto, enquanto carros levaram mais de 15 minutos em semáforos e filas. Para quem estuda legislação viária, isso reforça a lógica por trás do regramento: reduzir interferências e melhorar o desempenho do transporte coletivo.

Quais são as multas e pontos para quem invade a faixa exclusiva?
Na prática, a infração não é tratada como algo leve. Em 2025, aproximadamente 2.900 condutores foram penalizados por circular ilegalmente nas faixas destinadas ao transporte público, sinal de que a fiscalização está ativa e de que a regra é aplicada com frequência.
Para entender o tamanho do risco, vale olhar a estrutura da penalidade, que combina pontos e valor por unidade de multa, conforme divulgado pelas autoridades locais e pela STB:
Resumo da Penalidade
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Enquadramento
Infração com 6 a 8 pontos de multa
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Valor por ponto
202,5 RON — ~ R$ 247,05
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Faixa de cobrança
De 1.215 a 1.620 RON — ~ R$ 1.483,83 a R$ 1.976,40
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Esse tipo de multa pode acontecer no Brasil?
Sim, pode. No Brasil, trafegar com carro em faixa ou via exclusiva para ônibus, quando a circulação estiver regulamentada e sinalizada, é uma infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro, com enquadramento específico no art. 184, inciso III, que trata exatamente da circulação em faixa exclusiva destinada ao transporte público coletivo de passageiros. Isso vale em cidades que implantam faixas exclusivas e fazem a fiscalização, seja por agente, seja por câmera.
Na tipificação oficial usada na fiscalização, essa conduta é classificada como infração gravíssima e tem como penalidade a multa, com exceções apenas em situações como força maior ou quando houver autorização do poder público competente.
Você pode reforçar essa informação citando a ficha oficial de enquadramento do art. 184, III (código 758-70) no Participa + Brasil e, para a parte de sinalização, o Manual de Sinalização Vertical da Senatran, que relaciona a placa de circulação exclusiva de ônibus ao enquadramento no art. 184 do CTB.
Como a lei transforma tempo economizado em regra de trânsito?
Quando a cidade consegue provar que uma faixa exclusiva corta atrasos de forma consistente, o argumento legal ganha força. A STB afirma que usar até uma única faixa dedicada em horários de pico, várias vezes por semana, pode resultar em uma economia superior a 9 horas no mês para quem utiliza o ônibus.
Em termos de interpretação normativa, isso ajuda a justificar o endurecimento: se a faixa existe para garantir serviço público eficiente, invadi-la interfere no interesse coletivo. No Brasil, a lógica é parecida em muitas cidades, onde faixas e corredores de ônibus costumam ter sinalização própria e fiscalização eletrônica, justamente para evitar que a prioridade vire “terra de ninguém”.
Que sinais e códigos ajudam o motorista a não cometer essa infração?
Mesmo com boa intenção, muita gente erra por distração, especialmente em vias grandes e com múltiplas faixas. O ponto central é tratar a faixa exclusiva como uma restrição de circulação, não como uma “alternativa” quando o trânsito trava, porque a regra normalmente vale em horários e trechos bem definidos.
Para reduzir o risco de autuação, um checklist simples ajuda a ler a via como um “mapa legal”, conectando sinalização e conduta:
- Procure placas de regulamentação indicando exclusividade para ônibus e o período de validade.
- Observe a pintura no asfalto, especialmente inscrições e marcações de corredor.
- Fique atento a trechos de conversão permitida, quando a entrada pode ser autorizada apenas para acessar uma rua.
- Evite “seguir o fluxo”, pois outros veículos podem estar errados e a multa recai em você.
O que esse caso ensina sobre convivência entre carros e transporte público?
O exemplo de Bucareste mostra que a cidade não está só punindo, ela também está desenhando um modelo: expandir infraestrutura e cobrar respeito às regras. Quando a rede cresce, a previsibilidade aumenta, mas o espaço de erro do motorista também, e por isso a comunicação e a fiscalização tendem a ficar mais firmes.
Para quem acompanha leis de trânsito, a lição é direta: infraestrutura viária cria obrigações. E, quando a penalidade é alta, como as multas que chegam a 1.620 lei, o melhor caminho é dirigir de forma preventiva, lendo placas e marcações com atenção, porque a regra da faixa exclusiva costuma ser uma das mais fáceis de identificar e das mais caras de ignorar.
