O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou, nesta terça-feira (24/2), que pretende viajar aos Estados Unidos em meados de março, mas a data do encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, ainda não foi confirmada por Washington, embora o governo brasileiro trate a possível visita como oportunidade para reforçar temas de interesse bilateral e ampliar a presença do país em debates globais.
Quais os impactos da possível visita de Lula aos EUA?
A possível visita de Lula aos EUA em 16 de março ganha relevância em um momento em que o Brasil busca reforçar sua posição em temas como multilateralismo, combate ao crime organizado e integração econômica, com atenção especial à cooperação em segurança e finanças.
Segundo o presidente, a comitiva que deve acompanhá-lo a Washington incluirá representantes da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério da Fazenda, além de técnicos da área econômica, fortalecendo negociações sobre comércio, investimentos e mecanismos de fiscalização conjunta.
Quais são os principais temas da agenda entre Brasil e Estados Unidos?
Entre os tópicos mencionados por Lula para a reunião com Trump estão comércio, imigração, investimentos e parcerias acadêmicas, com foco em redução de barreiras tarifárias, facilitação de fluxos de capitais e maior integração produtiva entre os dois países.
Nessa linha, a agenda econômica e social deve se desdobrar em pontos específicos de negociação e cooperação, que o governo brasileiro pretende tratar de forma priorizada com a Casa Branca:
- Comércio: discussão sobre tarifas, acesso a mercados e regras para exportações brasileiras.
- Imigração: situação de brasileiros nos EUA, regularização e políticas migratórias recentes.
- Investimentos: interesse em ampliar capital norte-americano em infraestrutura, energia e transição verde no Brasil.
- Educação: incentivo a intercâmbios, pesquisas conjuntas e inovação tecnológica entre universidades.
Por que a data da viagem de Lula aos EUA ainda não está confirmada?
Embora Lula tenha mencionado o dia 16 de março como data desejada para o encontro com Trump, o governo norte-americano ainda não confirmou oficialmente a visita, pois a definição depende de alinhamento de agendas, segurança e prioridades internas de Washington.
Enquanto a Casa Branca não envia um sinal definitivo, o Itamaraty trabalha com a janela da segunda quinzena de março, especialmente a semana do dia 15, preparando cenários alternativos para acordos e eventuais anúncios conjuntos:
- Negociação de agenda entre as duas chancelarias.
- Avaliação de temas sensíveis, como tarifas e imigração.
- Definição da composição das delegações de cada país.
- Preparação de comunicados e possíveis assinaturas de atos conjuntos.
Como a viagem aos EUA se encaixa na estratégia com Coreia do Sul e Mercosul?
A projeção da viagem de Lula aos Estados Unidos ocorre em paralelo a uma agenda intensa na Ásia, na qual o presidente discutiu em Seul, com o líder sul-coreano Lee Jae-myung, a retomada das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, paralisado desde 2021.
Lula e sua equipe projetam que esse acordo possa ser fechado até 2026, enquanto o Ministério da Agricultura busca ampliar o acesso da carne bovina e suína ao mercado sul-coreano, diversificando destinos sem perder espaço no mercado norte-americano. Veja imagens compartilhadas por Lula em suas redes sociais:
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— Lula (@LulaOficial) February 23, 2026
🎥 @ricardostuckert pic.twitter.com/YFmZ9f2eYP
Quais os impactos na política externa de Lula?
Nesse contexto, a eventual viagem de Lula a Washington em março integra uma estratégia de reposicionamento internacional, combinando avanços em acordos regionais, como o Mercosul-Coreia do Sul, com o fortalecimento de laços com potências globais, em especial os Estados Unidos.
A definição da data exata para o encontro com Donald Trump será um passo decisivo para medir o alcance dessa agenda e verificar se as negociações em comércio, segurança, clima e investimentos poderão gerar resultados concretos ao longo de 2026.
