O Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte realizou, no domingo (23/2), um dos eventos políticos mais relevantes de seu calendário interno, o congresso partidário que reconduziu Kim Jong-un à liderança máxima e sinalizou continuidade do atual projeto de poder.
Como a reeleição de Kim Jong-un reforça o poder interno?
A reeleição de Kim Jong-un como secretário-geral é vista por analistas como mais que um ato formal, indicando um projeto de governo de longo prazo e maior confiança do regime. Especialistas como Lim Eul-chul afirmam que o movimento marca o fim de uma fase de “gestão de crise” e consolida a estrutura de comando político.
No sistema norte-coreano, o posto de secretário-geral concentra o poder real em temas internos, econômicos e militares, garantindo continuidade na política de segurança e no controle das elites. A mídia estatal apresenta a decisão como evidência de unidade e estabilidade, reduzindo a percepção de disputas internas ou incerteza sobre a direção do país.
Quais os pilares estratégicos de Kim Jong-un?
O programa nuclear continua no centro da estratégia de Kim Jong-un, descrito pela KCNA como base da “dissuasão bélica do país”. Sob sua liderança, o regime afirma ter elevado a capacidade nuclear e o prestígio internacional, tratando o arsenal como pilar de segurança e barganha diplomática.
As Forças Armadas são retratadas como um “exército de elite e poderoso”, reforçando a prioridade dada ao setor militar em investimentos e prestígio. Essa combinação de foco nuclear e fortalecimento militar reduz a expectativa de mudanças rápidas na política externa, mantendo o arsenal estratégico como ferramenta de pressão frente às sanções.
Como a reorganização da elite partidária indica renovação controlada?
O congresso também promoveu ajustes no Comitê Central, com eleição de novos membros e revisão de regras internas, embora sem detalhes públicos. A saída de figuras tradicionais sugere uma transição geracional, com substituição gradual da velha guarda por quadros mais alinhados ao estilo de Kim Jong-un.
Analistas destacam que essa renovação é seletiva, mantendo intacto o núcleo central do poder enquanto afasta possíveis polos autônomos de influência. A ausência de sinais públicos de participação da filha de Kim, Ju Ae, indica que o foco imediato recai na consolidação da liderança atual, e não em discutir abertamente a sucessão.
Quais as principais mudanças e sinais políticos do congresso?
As decisões anunciadas e a narrativa da mídia estatal permitem identificar alguns eixos centrais do congresso, que ajudam a entender as prioridades do regime. A seguir, estão sintetizados os pontos mais relevantes observados por especialistas e governos estrangeiros:
- Reafirmação de Kim Jong-un como figura central do sistema político e militar.
- Reorganização do Comitê Central com afastamento de veteranos como Ri Su Yong, Choe Ryong Hae e Ri Pyong Chol.
- Revisão de regras partidárias sem divulgação ampla de conteúdo.
- Ênfase em estabilidade, continuidade da linha política e fortalecimento do controle interno.
Quais as perspectivas econômicas para a Coreia do Norte?
O nono congresso, com cerca de cinco mil delegados, foi acompanhado de perto por governos como o da Coreia do Sul em busca de sinais sobre novas diretrizes. Até o momento, não surgiram anúncios de grandes reformas ou abertura econômica, mas sim a reafirmação de metas de autossuficiência e resistência às sanções.
Fontes oficiais admitem dificuldades ligadas a restrições comerciais e problemas estruturais, mas evitam detalhar planos de mudança profunda. Para observadores internacionais, o encontro reforça a imagem de um regime voltado a consolidar o poder interno, preservar o programa nuclear como eixo de dissuasão e gerir a economia.