O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor marca um novo capítulo na crise que se formou após a tentativa de aquisição do Banco Master, em 2025, levando a holding financeira a buscar proteção judicial para reorganizar dívidas, preservar operações e conter a forte pressão de mercado após a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.
Como a tentativa de compra do Banco Master levou à crise do Grupo Fictor?
Em novembro de 2025, a holding liderou um consórcio internacional que se comprometeu a aportar R$ 3 bilhões no banco de Daniel Vorcaro para reforçar sua estrutura de capital.
Um dia após a data em que a Fictor informou ter recebido os aportes dos sócios, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro de 2025, suspendendo a operação de compra. A partir daí, intensificaram-se reportagens e análises questionando a robustez da transação e a estrutura do grupo, o que teria provocado um “descompasso temporário” nos fluxos operacionais e rescisões contratuais relevantes.
Quais foram os efeitos da crise do Grupo Fictor?
O Grupo Fictor não atua apenas no setor financeiro: controla empresas de infraestrutura e alimentos, somando mais de 30 companhias no Brasil, Estados Unidos e Europa. Uma das controladas mais visíveis é a Fictor Alimentos S.A., listada na B3, cujas ações recuaram cerca de 50% entre 17 de novembro de 2025 e 1º de fevereiro.
Esse episódio ilustra como crises reputacionais se espalham em conglomerados diversificados, levando fornecedores, clientes e sócios a adotar postura mais cautelosa. Como resultado, houve volume atípico de pedidos de resgate em Sociedades em Conta de Participação e aumento de questionamentos sobre a governança e a exposição a riscos do grupo:
- estrutura societária e beneficiários finais do grupo;
- vínculos entre as diversas empresas da holding;
- detalhes e diligências da operação planejada para a compra do Banco Master;
- exposição a ativos relacionados ao banco em crise e a instituições financeiras parceiras;
- eventuais relações com pessoas politicamente expostas e indivíduos sob sanções.
Quais os impactos no mercado financeiro?
O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor reacende o debate sobre risco regulatório e reputacional em aquisições de instituições financeiras em situação delicada. No caso, a tentativa de compra do Banco Master envolvia capital privado relevante e investidores globais, mas foi interrompida por decisão do Banco Central que alterou todo o desenho da transação.
Para o mercado, episódios como esse reforçam a necessidade de avaliar riscos de forma ampla, incluindo impactos reputacionais e a comunicação em cenários adversos. Operações complexas exigem preparação para mudanças bruscas de rumo, como intervenções, liquidações e revisões regulatórias que podem afetar a liquidez e a confiança de credores e investidores.
Quais são os próximos passos do processo de recuperação?
Com o protocolo do pedido de recuperação judicial, o processo segue o rito previsto na legislação brasileira, sujeito à análise do Judiciário. Se o pleito for aceito, a empresa terá prazo para apresentar um plano de reestruturação com propostas de alongamento de prazos, descontos em dívidas, venda de ativos e redefinição de prioridades entre credores.
Nesse período, as operações do grupo em infraestrutura, alimentos e finanças tendem a permanecer em foco, pois a preservação da atividade econômica é um dos objetivos centrais da recuperação judicial. A forma como a Fictor responderá às dúvidas de investidores e ampliará a transparência sobre sua estrutura societária será decisiva para a reconstrução de confiança.