O envelhecimento acelerado da população brasileira tem levado estados e municípios a buscar novas formas de proteção para idosos em situação de fragilidade. No Paraná, uma das iniciativas que ganhou destaque é o Bolsa Cuidador Familiar, voltada a famílias que já realizam o cuidado diário de idosos dependentes e com baixa renda, reforçando o cuidado em casa e evitando o afastamento do ambiente familiar.
O que é o Bolsa Cuidador Familiar no Paraná?
O Bolsa Cuidador Familiar no Paraná é um benefício financeiro mensal pago a um parente que cuida de um idoso em situação de vulnerabilidade social e dependência nas atividades diárias. O programa integra o Paraná Amigo da Pessoa Idosa, instituído pela Lei Estadual nº 22.189, de 13 de novembro de 2024, e prioriza o cuidado domiciliar, com valor equivalente a meio salário mínimo vigente.
Esse repasse atua como complemento de renda e não substitui aposentadoria, pensão ou BPC. O cuidador familiar deve ter mais de 18 anos, morar com a pessoa idosa e assumir formalmente a responsabilidade pelo cuidado, muitas vezes reduzindo a jornada de trabalho para acompanhar o idoso.
Quem pode receber o Bolsa Cuidador Familiar no Paraná?
O acesso ao benefício é voltado a cuidadores familiares de pessoas idosas em fragilidade ou dependência, com renda per capita de até um salário mínimo nacional. A seleção é feita por critérios técnicos aplicados pelas equipes municipais, priorizando casos de maior risco social, baixa renda e necessidade de acompanhamento frequente.
A avaliação considera a situação do idoso, a renda familiar e a forma como o cuidado está organizado no domicílio. Para orientar melhor as famílias interessadas, destacam-se alguns critérios básicos observados pelas equipes:
- Idoso em situação de vulnerabilidade social, com fragilidade física ou condição clínica que exija apoio constante.
- Dependência de auxílio frequente para higiene, alimentação, locomoção ou medicação.
- Residência conjunta entre o idoso e o cuidador familiar, maior de 18 anos.
- Família inscrita e atualizada no CadÚnico, com renda per capita inferior a um salário mínimo.
- Idoso não institucionalizado em abrigo, asilo ou instituição de longa permanência.
Em quais municípios o Bolsa Cuidador Familiar está disponível?
O Bolsa Cuidador Familiar do Paraná começou como projeto-piloto, com número limitado de bolsas em cidades previamente selecionadas. Cada município participante recebeu 15 benefícios, totalizando 300 benefícios para cuidadores de pessoas idosas em situação de fragilidade e dependência.
Na fase inicial, o programa foi ofertado em 20 municípios. A expansão depende da avaliação de resultados, da disponibilidade orçamentária do estado e da adesão das prefeituras. Os municípios foram:
- Toledo
- Francisco Beltrão
- União da Vitória
- Cianorte
- Irati
- Ivaiporã
- Dois Vizinhos
- Cascavel
- São Mateus do Sul
- Palmeira
- Araucária
- Ponta Grossa
- Marialva
- Londrina
- Marechal Cândido Rondon
- Prudentópolis
- Guarapuava
- Guaratuba
- Colombo
- Pato Branco
Como solicitar o Bolsa Cuidador Familiar no município?
O processo de acesso ao benefício inicia, em geral, com a busca ativa das equipes dos Núcleos Municipais de Cuidado, em articulação com a rede de assistência social e saúde. As famílias também podem procurar espontaneamente o CRAS ou outro serviço socioassistencial para receber orientações e encaminhamentos.
De forma resumida, as etapas incluem atualização do CadÚnico, apresentação de documentos pessoais, comprovantes de renda e laudo médico do idoso. As equipes técnicas realizam avaliação social, podendo fazer visita domiciliar e registrar o caso em sistemas estaduais, observando sempre a disponibilidade de vagas no município.
Por que o Bolsa Cuidador Familiar é importante para o cuidado de idosos?
O Bolsa Cuidador Familiar do Paraná reforça financeiramente famílias cuidadoras e organiza o cuidado da pessoa idosa em uma rede formal de proteção. Ao permitir que o idoso permaneça em casa, o programa preserva vínculos afetivos, rotinas e referências, favorecendo a adaptação às doenças crônicas e limitações físicas.
O cadastro e o acompanhamento dos casos ajudam o poder público a identificar idosos com maior risco social, mapear demandas e articular outros serviços, como visitas multiprofissionais e grupos de convivência. Assim, o benefício funciona como porta de entrada para uma proteção mais ampla e estruturada no cuidado de longa duração.