Os gastos da administração federal com diárias, passagens e locomoção voltaram ao centro do debate em Brasília em 2026. Dados do Tesouro Nacional apontam que as despesas chegaram a R$ 3,88 bilhões, já corrigidos pela inflação, o maior valor em 11 anos.
Como foram os gastos de Lula com diárias e passagens?
Esses números representam um crescimento real de 3,7% em relação a 2024, quando foram desembolsados R$ 3,74 bilhões nessas mesmas rubricas. A marca de 2025 não supera o recorde histórico de R$ 4,52 bilhões, registrado em 2014, mas indica uma trajetória de alta relevante.
Após forte redução durante a pandemia, impulsionada por agendas remotas, a retomada de compromissos presenciais ajudou a puxar as cifras para cima. Em 2025, essa tendência se consolidou com mais força, segundo dados do Tesouro Nacional analisados por órgãos de controle e pela imprensa. As informações são do Poder360.
Como é composta a atual despesa federal com diárias e passagens?
Do total de R$ 3,88 bilhões, cerca de R$ 2,25 bilhões foram destinados ao pagamento de diárias a servidores e autoridades federais em viagens de trabalho. Outros R$ 1,63 bilhão foram consumidos com passagens aéreas, terrestres e outras formas de transporte usadas em deslocamentos oficiais.
Entre 2023 e 2025, o custo total com diárias e passagens alcançou R$ 11,24 bilhões, superando os R$ 8,32 bilhões de todo o período de quatro anos do governo Jair Bolsonaro. Esse volume reforça a percepção de um ciclo recente de aumento dessas despesas sob o atual governo.
Quais os principais motivos para o aumento recente dos gastos de Lula?
Uma das explicações centrais está na reorganização da estrutura ministerial no início do terceiro mandato, que elevou de 23 para 38 o número de ministérios. Com mais pastas, cresceram equipes, agendas oficiais, deslocamentos regionais e missões institucionais dentro e fora do país.
Além disso, o contexto pós-pandemia favoreceu o retorno de encontros presenciais e intensificou viagens técnicas e políticas. Especialistas também citam fatores estruturais que ajudam a entender o salto recente das despesas:
- Expansão da estrutura de governo, com mais ministérios e cargos de alto escalão;
- Retomada de agendas presenciais após anos de restrições sanitárias e reuniões virtuais;
- Maior frequência de viagens internacionais para fóruns multilaterais e encontros bilaterais;
- Ampliação de programas e ações regionais que exigem deslocamento de equipes técnicas;
- Pressão inflacionária sobre serviços de turismo, hospedagem e transporte.
Qual a comparação em relação a outros governos?
O comportamento dos gastos de Lula com viagens ganha outra dimensão quando comparado a períodos anteriores. Embora 2025 ainda não tenha superado o pico de 2014, os R$ 3,88 bilhões colocam o ano entre os mais altos da série histórica iniciada em 2011.
Em termos acumulados, o triênio 2023–2025 já ultrapassa com folga o total de despesas com diárias e passagens de todo o mandato de Jair Bolsonaro. Analistas ponderam, porém, que o contexto atual é distinto, marcado por reabertura pós-pandemia e maior intensidade de negociações internacionais presenciais.
Quais os impactos dos números?
O aumento dos gastos de Lula com diárias e passagens reforça a pressão por maior rigor na gestão dessas despesas. Tribunais de contas, órgãos de controle interno e o Congresso monitoram autorizações de viagens, tamanho de comitivas e resultados efetivos das missões.
Entre os pontos mais sensíveis estão a justificativa técnica de cada deslocamento, a escolha de destinos, a duração das agendas e a possibilidade de uso de formatos remotos. Em um ambiente de orçamento pressionado, esses gastos tornaram-se um teste para políticas de governança, transparência e eficiência no uso de recursos públicos.