Em meio ao período de carnaval, uma pregação do Frei Gilson voltou a ganhar destaque nas redes sociais e em veículos de comunicação religiosos, gerando debates sobre fé, lazer e santidade na cultura brasileira.
Como foi a crítica do Frei Gilson ao carnaval?
Na mensagem, o sacerdote católico faz uma crítica direta à forma como muitos brasileiros vivem a festa, especialmente em ambientes marcados por excesso de bebida, sensualização e comportamentos que ele considera incompatíveis com a fé cristã. A frase que mais chamou atenção foi categórica: “não tem como ser santo pulando carnaval”, declaração que rapidamente se espalhou em páginas católicas e perfis evangélicos.
A discussão levantada pelo religioso não se limita à crítica à folia, mas amplia o debate sobre estilos de vida, escolhas pessoais e o que significa buscar a santidade em uma sociedade que valoriza o entretenimento constante. Ao falar para um público majoritariamente católico, Frei Gilson também acabou alcançando cristãos de outras denominações, tornando o tema recorrente em grupos de oração e comunidades de fé.
Como entender a frase “não tem como ser santo pulando carnaval”?
Ao afirmar que não é possível ser santo pulando carnaval, Frei Gilson se refere, segundo a própria pregação, a um tipo específico de festa popular: blocos e eventos em que há grande exposição do corpo, consumo liberado de álcool e busca de prazer sem limites claros. O líder católico descreve esse ambiente como um espaço em que as pessoas “estão sem roupa, bebendo à vontade, fazendo tudo o que querem”, e questiona se esse contexto é compatível com uma vida orientada pelos valores do Evangelho.
Para o frade, o ponto central não é a data em si, mas o modo como muitos fiéis escolhem viver o feriado e organizam suas prioridades espirituais. Ele reforça que a vocação do cristão é a santidade, vista como um chamado “grande demais” para ser desperdiçado em práticas que, na visão dele, não agradam a Deus, sobretudo quando o carnaval se torna símbolo de exageros e descontrole.
Como foi a repercussão entre católicos e protestantes?
A pregação de Frei Gilson rapidamente cruzou fronteiras denominacionais e foi compartilhada por perfis católicos e protestantes. Em muitos comentários, internautas afirmaram que o religioso está correto ao confrontar o comportamento de cristãos que, segundo eles, querem “viver como pagãos” enquanto mantêm uma identidade de fé apenas nominal, o que ajudou a consolidar o sermão como uma das falas mais comentadas do período pré-carnavalesco.
Ao mesmo tempo, o vídeo reacendeu debates antigos sobre a relação entre fé e cultura popular e sobre os limites da participação em festas. Em alguns espaços, surgiram questionamentos sobre até que ponto um cristão pode participar de manifestações culturais sem comprometer seus princípios, e falas diretas como “não tem como ser santo pulando carnaval” ganharam força como slogans religiosos e manchetes. Veja publicação recente do Frei Gilson nas redes sociais:
Por que o carnaval é visto como sensível por muitos cristãos?
O carnaval ocupa, historicamente, um lugar de destaque na cultura brasileira, mas para uma parte significativa dos cristãos ele se tornou um momento de atenção redobrada. As críticas geralmente se concentram em aspectos que, segundo pregadores, favorecem riscos espirituais e morais e podem desviar o fiel de uma vida coerente com o Evangelho.
Entre os pontos mais citados em sermões e textos religiosos ao longo dos anos, destacam-se elementos associados à chamada “festa da carne”, frequentemente usados como argumento contra a participação em certos tipos de folia:
- Exposição do corpo: fantasias e trajes mínimos são vistos como estímulo à sensualidade e à objetificação, contrastando com o ideal de modéstia.
- Excesso de bebida e drogas: o consumo abusivo é ligado à perda de discernimento e a comportamentos de risco físicos e espirituais.
- Clima de permissividade: a ideia de que, durante a folia, quase tudo é permitido reforça a percepção de limites morais relativizados.
Quais caminhos muitos fiéis escolhem no lugar da folia?
Enquanto a pregação de Frei Gilson critica diretamente a participação em certos tipos de carnaval, diversas comunidades cristãs têm investido em alternativas para quem prefere viver o feriado de forma diferente. Em muitas paróquias, dioceses e igrejas evangélicas, é comum a organização de eventos que unem lazer, espiritualidade e convivência fraterna.
Em sintonia com a ênfase na santidade, essas iniciativas buscam mostrar que é possível atravessar o período sem aderir ao que consideram excessos do carnaval tradicional. Retiros, acampamentos, congressos e até blocos alternativos de evangelização são propostos como caminhos concretos para viver a fé em pleno século XXI, mantendo um testemunho cristão coerente diante da cultura popular.