O processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passa por uma das maiores transformações das últimas décadas no Brasil. Em fevereiro de 2026, a Senatran publicou o novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), que extingue a obrigatoriedade da baliza como uma etapa isolada e em área demarcada. A mudança visa alinhar o exame à realidade do trânsito, priorizando a condução em vias públicas urbanas.
O que muda na estrutura da prova prática de direção?
O novo modelo de avaliação deixa de focar em manobras específicas realizadas em circuitos fechados e passa a observar o comportamento do candidato no tráfego real. O examinador agora avalia a atenção, a leitura do ambiente, o respeito às regras de preferência e a interação com pedestres e ciclistas. O objetivo é garantir que o novo condutor esteja apto a enfrentar os desafios cotidianos das cidades brasileiras em 2026, e não apenas decorar movimentos para uma manobra artificial.
Embora a “etapa da baliza” como teste separado tenha deixado de ser obrigatória nacionalmente, a habilidade de estacionar continua sendo exigida. O manual estabelece que o candidato deve realizar o estacionamento ao final do percurso, integrando a manobra ao contexto do trajeto percorrido. Na prática, o aluno ainda precisa saber colocar o carro em uma vaga, mas agora o faz em uma situação real de via pública, com mais espaço e tempo para a execução.
Quais são os novos itens obrigatórios durante o exame?
A prova prática agora deve seguir um roteiro de trajeto progressivo, sem o uso de “pegadinhas” intencionais pelos examinadores. O foco é a condução previsível e a demonstração de habilidades técnicas sob pressão do fluxo urbano. O percurso deve incluir elementos comuns do dia a dia, como cruzamentos sinalizados, rotatórias e faixas de pedestres, sendo proibida a realização do teste em rodovias ou vias expressas.
Confira na tabela abaixo os principais critérios do novo exame prático em 2026:
Como funciona o novo sistema de pontuação e aprovação?
O sistema de avaliação foi modernizado para refletir o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Para ser aprovado, o candidato deve acumular, no máximo, 10 pontos em infrações cometidas durante o trajeto. Diferente do modelo antigo, não há mais faltas eliminatórias automáticas por erros técnicos simples; as infrações gravíssimas somam 6 pontos, graves 4, médias 2 e leves 1 ponto no prontuário do exame.
A comissão de avaliação é composta por um examinador, um fiscalizador e um observador. Eles analisam a percepção de riscos e a capacidade de tomada de decisão do aluno. O teste pode ser interrompido caso o candidato demonstre instabilidade emocional severa ou incapacidade técnica que coloque em risco a segurança dos ocupantes do veículo ou de terceiros na via pública em 2026.
Por que a implementação varia entre os estados brasileiros?
Embora a diretriz da Senatran seja nacional, a implementação prática depende dos Detrans estaduais, o que tem gerado confusão entre os candidatos. Estados como São Paulo, Amazonas e Espírito Santo já adotaram a dispensa da baliza isolada e ampliaram o uso de veículos automáticos. Outros órgãos estaduais ainda aguardam prazos técnicos para ajustar seus pátios e treinar as bancas examinadoras conforme o novo manual.
Essa transição gradual explica por que em algumas regiões a baliza ainda é exigida no formato antigo enquanto em outras o exame já ocorre totalmente em via pública. O Detran-SP, por exemplo, justificou a liberação de carros automáticos citando a mudança no perfil da frota nacional. Especialistas em segurança viária divergem sobre as mudanças: alguns elogiam o fim de manobras artificiais, enquanto outros temem que a remoção de etapas específicas reduza o rigor técnico necessário para habilitar novos motoristas.
Quais as vantagens do uso de carros automáticos no exame?
A permissão para realizar a prova em veículos com câmbio automático é uma resposta direta à evolução tecnológica do mercado automotivo em 2026. O uso desses veículos facilita o controle do carro por parte do aluno, permitindo que ele foque mais na leitura do trânsito e menos na operação mecânica de embreagem e marchas. Vale lembrar que, se o candidato fizer a prova em um automático, sua CNH poderá conter uma observação específica restringindo a condução apenas a esse tipo de veículo.
Observe os pontos principais para quem vai prestar o exame agora:
- Veículo da Autoescola: O candidato pode optar por usar o carro da autoescola ou veículo próprio (se adaptado).
- Primeiro Reteste: O MBEDV prevê que o primeiro reteste em caso de reprovação seja gratuito em todo o Brasil.
- Finalização Segura: Desligar o motor e desembarcar corretamente seguindo o CTB é etapa eliminatória se houver risco.
- Sinalização: O uso correto de setas e a observação de retrovisores ganharam peso dobrado na avaliação em tráfego real.
O que esperar do futuro da habilitação no Brasil?
As mudanças introduzidas pelo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular em 2026 visam humanizar o processo de habilitação e focar no que realmente importa: a segurança nas ruas. Ao eliminar etapas burocráticas e focar na interação social do condutor, a Senatran espera reduzir o número de acidentes causados por motoristas recém-habilitados que possuem domínio técnico de manobras de pátio, mas sentem insegurança em fluxos intensos.
A recomendação para os alunos é que foquem suas aulas práticas em situações reais de trânsito, praticando o estacionamento em diferentes tipos de guias e vagas urbanas. A nova CNH em 2026 exige um motorista mais atento ao ambiente e menos preocupado com marcas em cavaletes. Ficar atento ao cronograma de implementação do Detran do seu estado é essencial para não ser surpreendido no dia do exame prático.