Os pagamentos por aproximação, também chamados de pagamento por NFC ou “contactless”, passaram a fazer parte da rotina de compras no Brasil. A tecnologia permite que o consumidor aproxime o cartão, celular ou smartwatch da maquininha para finalizar a compra, sem inserir o chip ou digitar a senha em transações de menor valor, o que traz rapidez e comodidade em supermercados, farmácias, postos de combustível e diversos outros estabelecimentos, ao mesmo tempo em que amplia debates sobre segurança e possíveis fraudes.
Como funcionam os pagamentos por aproximação e por que chamam a atenção dos golpistas?
O pagamento por aproximação utiliza a tecnologia Near Field Communication (NFC), que permite a troca de dados entre o cartão ou dispositivo e o terminal de pagamento a poucos centímetros de distância. As bandeiras e bancos emitem cartões com um chip dedicado a essa função, enquanto celulares e relógios inteligentes usam componentes integrados a carteiras digitais, muitas vezes protegidas por biometria.
Essa forma de pagamento costuma ser limitada a determinado valor sem exigência de senha, tornando o processo mais rápido. Justamente por dispensar etapas tradicionais, como inserir o cartão e digitar a senha em compras de baixo valor, a modalidade chama a atenção de fraudadores, que avaliam o ambiente de pagamento, o sistema do estabelecimento e a forma como o cartão é guardado pelo titular.
Como acontecem golpes com cartão de aproximação?
As fraudes com cartão por aproximação podem ocorrer de diferentes formas, desde golpes simples até esquemas que envolvem tecnologia avançada e engenharia social. Em muitos casos, criminosos buscam acessar ou manipular terminais de pagamento, aproveitando falhas de manutenção, descuido com atualizações e pouca fiscalização interna em lojas e pontos de venda.
Uma técnica comum envolve a instalação de softwares adulterados em maquininhas por falsos técnicos, inserindo códigos que registram ou desviam dados de transações. Em outros cenários, golpistas usam dispositivos físicos acoplados ao equipamento ou maquininhas próprias e portáteis, cobrando valores diferentes dos combinados ou realizando múltiplas cobranças em sequência em ambientes movimentados.
Veja a seguir um vídeo da Kaspersky Brasil, especialista em segurança digital, sobre como evitar cair no golpe do cartão por aproximação:
Quais cuidados o consumidor pode adotar contra fraudes por aproximação?
Para reduzir o risco de uso indevido do cartão com aproximação, o acompanhamento constante da conta é fundamental, seja pelo aplicativo do banco, seja por extratos digitais. Em 2026, praticamente todas as instituições financeiras oferecem alertas em tempo real de transações por SMS, push ou e-mail, o que auxilia na identificação rápida de movimentações estranhas e na contestação imediata de cobranças indevidas.
Outra prática recomendada é ajustar os limites de pagamento sem senha e, quando disponível, desativar temporariamente a função por aproximação em momentos de maior exposição, como viagens ou eventos cheios.
Além disso, vale adotar cuidados práticos, como manter o cartão em carteiras que dificultem leituras não autorizadas e usar, sempre que possível, carteiras digitais com autenticação biométrica adicional. Confira em seguida outros cuidados que o consumidor deve ter:
Checklist de segurança em pagamentos
Ativar notificações para cada compra realizada, especialmente no crédito e no débito.
Definir limite baixo para pagamentos por aproximação sem senha no aplicativo do banco.
Bloquear o cartão imediatamente em caso de perda, roubo ou suspeita de fraude.
Evitar entregar o cartão para terceiros levarem até a maquininha ou sair de vista.
Conferir o valor na tela antes de aproximar o cartão, celular ou smartwatch.
Qual é o papel dos lojistas na prevenção de fraudes com cartão por aproximação?
Estabelecimentos comerciais têm responsabilidade direta na segurança das transações realizadas em seus caixas, principalmente na guarda e no uso das maquininhas. A manutenção adequada dos terminais, a verificação da procedência das atualizações e o controle de acesso aos equipamentos são essenciais para reduzir a chance de fraude em pagamento por aproximação e evitar prejuízos ao negócio e aos clientes.
Empresas do varejo costumam adotar rotinas internas para registrar a entrada de técnicos, validar ordens de serviço e checar a identidade de profissionais que alegam representar adquirentes ou bancos.
A orientação das equipes também é relevante, pois caixas e gerentes preparados tendem a desconfiar de pedidos incomuns para reinicializar, substituir ou reinserir cabos em equipamentos em horários de grande movimento.
Por que a conscientização ainda é o principal recurso de proteção?
Apesar dos avanços tecnológicos em criptografia, autenticação e monitoramento antifraude, a informação continua sendo um dos mecanismos mais eficazes contra golpes com cartão por aproximação.
Consumidores que entendem como a função opera, quais limites podem ser configurados e como agir em caso de suspeita de fraude tendem a resolver problemas com mais rapidez junto aos bancos e às bandeiras.
Da mesma forma, comerciantes orientados sobre riscos, obrigações contratuais e boas práticas de segurança criam um ambiente de pagamento mais controlado, reduzindo perdas financeiras e danos de imagem.
Com a combinação de medidas técnicas, atenção diária e uma cultura de cuidado compartilhada entre usuários, lojistas e instituições financeiras, a tendência é que o pagamento por aproximação mantenha sua agilidade, ao mesmo tempo em que amplia as barreiras contra tentativas de fraude.
