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Cliente que teve salário bloqueado após renegociação vence ação, e PagBank é condenado pela Justiça

Por Guilherme Silva
24/fev/2026
Em Geral
Cliente que teve salário bloqueado após renegociação vence ação, e PagBank é condenado pela Justiça

Justiça condena banco por bloqueio indevido de salário após acordo de dívida

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Uma decisão do 2º Juizado Especial Cível de São Luís, vinculada ao TJMA e publicada em fevereiro de 2025, reafirma a proteção ao consumidor em 2026 contra abusos bancários. O PagBank (PagSeguro) foi condenado após reter indevidamente o salário de uma cliente que já havia formalizado e pago a primeira parcela de um acordo de dívida.

O que motivou a ação judicial contra o banco digital?

A consumidora possuía débitos no cartão de crédito e buscou a regularização através de um parcelamento oferecido pela própria instituição. O acordo previa o pagamento da dívida em 11 parcelas de R$ 253,89. Mesmo após a quitação da primeira cota, o banco efetuou o bloqueio total do saldo salarial depositado na conta da cliente, impedindo o acesso a recursos essenciais.

Diante da retenção de valores de natureza alimentar, a cliente ajuizou uma ação declaratória de ilegalidade cumulada com pedido de danos morais. Durante o processo, a instituição financeira apresentou histórico de faturas e cláusulas contratuais, mas não conseguiu justificar tecnicamente o motivo do bloqueio ter ocorrido após a formalização do adimplemento da primeira parcela do acordo.

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Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina
Mulher escrevendo e lendo com uma estátua da Justiça – Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina

Quais foram os fundamentos para a condenação por conduta abusiva?

A sentença destacou que o parcelamento é uma forma legítima de quitação de débito, o que retira do banco o direito de bloquear a conta corrente por aquela pendência específica. O magistrado apontou a existência de um possível “erro sistêmico”, onde a operação de renegociação estava disponível à cliente, mas não foi processada corretamente nos sistemas internos da PagSeguro.

A decisão baseou-se em princípios fundamentais do Código de Defesa do Consumidor (CDC), como a boa-fé objetiva e a vedação ao enriquecimento sem causa. A retenção de salários é vista com rigor pela Justiça devido à impenhorabilidade de verbas destinadas à sobrevivência do cidadão. O banco falhou ao não garantir que o registro do parcelamento interrompesse as medidas automáticas de cobrança.

Confira na tabela abaixo os detalhes da condenação imposta pela Justiça do Maranhão:

Sentença Judicial • 2026

Decisão TJMA: Caso Retenção de Valores

Detalhamento das obrigações impostas à instituição financeira pela Justiça do Maranhão.

Reparação Patrimonial
Devolução do Valor Retido
R$ 1.690,82

Restituição integral da quantia que havia sido retida indevidamente pela ré.

Dano Extrapatrimonial
Indenização por Danos Morais
R$ 2.000,00

Fixação baseada no caráter pedagógico, visando coibir a reincidência da conduta abusiva.

Obrigação de Fazer
Manutenção do Contrato Original
11x R$ 253,89

Determinação judicial para que o banco respeite o parcelamento acordado inicialmente.

⚖️
Veredito: Condenação Integral. A decisão proferida pelo Nacom (Núcleo de Apoio às Comarcas) do TJMA reforça a proteção ao consumidor contra apropriações indevidas de saldo por instituições bancárias.

Por que a retenção de salário gera danos morais automáticos?

A Justiça entende que o salário possui natureza alimentar, sendo indispensável para o sustento próprio e familiar. Quando uma instituição financeira bloqueia esses recursos injustificadamente, ela gera um abalo que ultrapassa o mero aborrecimento, configurando ato ilícito. Em 2026, as decisões judiciais continuam priorizando a dignidade da pessoa humana sobre cláusulas contratuais de apropriação de valores.

Para evitar situações similares e proteger seus direitos, o consumidor deve observar as seguintes orientações:

  • Protocolos de Acordo: Guarde sempre o comprovante de pagamento da entrada da renegociação e o número do protocolo.
  • Extratos Bancários: Documente o bloqueio através de capturas de tela e extratos que mostrem a retenção do saldo.
  • Notificação Administrativa: Antes de judicializar, tente resolver via Consumidor.gov.br ou pelo BACEN.
  • Natureza do Saldo: Informe ao banco, preferencialmente por escrito, que a conta em questão é utilizada para recebimento de salários.
MARTELO DA JUSTIÇA E DINHEIRO EM CIMA DA MESA
Martelo da Justiça e dinheiro em cima da mesa

Quais as implicações desta sentença para o setor bancário em 2026?

A condenação do PagBank serve como um alerta para que bancos digitais e tradicionais aprimorem seus processos de integração de dados. Erros sistêmicos não podem ser utilizados como justificativa para lesar o consumidor. A Justiça tem sido clara: uma vez que o cliente demonstra intenção de pagar e cumpre o acordo, qualquer medida restritiva adicional é considerada abuso de direito.

Além da devolução dos valores, a fixação de danos morais busca desestimular práticas de cobrança agressivas que ignoram o cumprimento de parcelamentos. O monitoramento das contas por parte dos algoritmos bancários deve ser supervisionado para evitar que o bloqueio automático de salários ocorra em contas que já possuem acordos ativos e pagos.

  • Boa-fé: O cumprimento da primeira parcela demonstra o interesse do cliente em sanar a dívida.
  • Proporcionalidade: O valor da indenização deve punir o banco sem gerar enriquecimento ilícito do autor.
  • Direito Constitucional: A proteção ao salário é um direito fundamental garantido pela legislação brasileira.
  • Transparência: Bancos devem informar claramente as consequências de um parcelamento e o tempo de processamento.

Como o consumidor pode agir em casos de erro sistêmico no parcelamento?

Se você realizou um acordo de dívida de cartão de crédito e, mesmo assim, sofreu retenção de valores em 2026, o primeiro passo é contestar o bloqueio junto ao suporte do banco. Caso a solução não seja imediata, o histórico da conversa e o comprovante do parcelamento são provas fundamentais para uma futura ação judicial. A agilidade em buscar o desbloqueio minimiza os impactos financeiros negativos na rotina.

A decisão do TJMA reforça que o sistema judiciário está atento às falhas tecnológicas que prejudicam o elo mais fraco da relação de consumo. Manter os registros de todas as interações com a instituição financeira é a melhor estratégia de defesa. O respeito aos acordos firmados é a base para uma relação saudável entre clientes e bancos digitais em todo o território nacional.

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