O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, planeja solicitar uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça assim que retornar ao Brasil de viagem oficial à Ásia na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meio ao andamento do chamado Caso Master.
Por que o diretor-geral da PF quer se reunir com André Mendonça?
A intenção de Andrei Rodrigues de se reunir pessoalmente com André Mendonça está ligada ao peso político e jurídico do Caso Master, que passou recentemente à relatoria do ministro no STF. Logo após essa mudança, Mendonça agendou conversa com integrantes da PF para discutir detalhes da apuração.
Na primeira reunião, na véspera do Carnaval, Andrei já havia deixado Brasília e foi representado pelo número dois da corporação, o delegado William Marcel Murad. Internamente, avalia-se que a presença do diretor-geral em audiência com o relator é estratégica para reforçar coordenação institucional. As informações são do Metrópoles.
O que está em jogo para a PF no andamento do Caso Master?
O Caso Master é tratado na PF como um dos inquéritos de maior sensibilidade, pelo potencial impacto político, envolvimento de múltiplos órgãos e necessidade de rígido controle de sigilo. A mudança de relatoria para André Mendonça intensificou o diálogo entre o STF e a direção da PF, voltado à definição de fluxos de informação.
Como o diretor-geral esteve ausente tanto da primeira reunião quanto da nova agenda nesta segunda (23/2), a audiência pedida por Andrei é vista como forma de suprir essa lacuna e reduzir ruídos. A PF busca, assim, consolidar diretrizes claras para análises de provas, diligências prioritárias e forma de interlocução com o gabinete do ministro.
Como a viagem à Ásia interfere na relação entre PF e STF?
A presença de Andrei Rodrigues na comitiva de Lula em viagem à Índia e à Coreia do Sul alterou o calendário de reuniões com Mendonça, impedindo sua participação pessoal nas agendas convocadas pelo ministro. Nesse período, o delegado William Marcel Murad assumiu a função de interlocutor direto com o STF.
Após o retorno ao Brasil, a expectativa é que Andrei concentre esforços para retomar o protagonismo na coordenação do inquérito e na relação com o Supremo. Nesse contexto, a direção da PF pretende organizar três frentes principais de atuação e alinhamento institucional:
- Formalizar o pedido de audiência com André Mendonça, definindo data, pauta objetiva e interlocutores técnicos;
- Revisar relatórios internos e atas de reuniões ocorridas durante sua ausência, garantindo atualização completa sobre o Caso Master;
- Ajustar a estratégia institucional da PF, distribuindo responsabilidades e priorizando diligências mais sensíveis.
Quais são os objetivos institucionais da PF ao buscar essa audiência com André Mendonça?
Nos bastidores, a busca pela reunião é vista como esforço para reafirmar a autonomia técnica da Polícia Federal dentro dos limites fixados pelo STF. A direção da PF pretende, ainda, organizar canais claros de comunicação entre o gabinete de Mendonça e a alta cúpula da corporação.
Esse tipo de articulação é frequente em inquéritos complexos que tramitam no Supremo, sobretudo quando envolvem forte repercussão pública e prazos apertados. Ao solicitar audiência, Andrei busca inserir-se diretamente no circuito de decisões que definirá ritmo da investigação, grau de transparência e preservação de sigilo.
Como a reunião pode impactar o Caso Master?
Se confirmada, a reunião tende a funcionar como ponto de reorganização na relação institucional entre PF e STF em 2026, com consolidação de rotinas de comunicação e prazos de resposta a despachos. A coordenação estreita costuma trazer mais previsibilidade ao andamento do inquérito, reduzindo desencontros entre decisões judiciais.
No plano mais amplo, a audiência pode sinalizar que a Polícia Federal busca se afirmar como órgão de Estado comprometido com diálogo permanente com o Supremo, independentemente de viagens internacionais ou agendas políticas.