O ano de 2025 entrou para a história como o fim da linha para diversos ícones automotivos no Brasil. Com a vigência plena das normas do Proconve L8 em 2026, as montadoras finalmente aposentaram modelos populares para focar na invasão dos SUVs e na eletrificação.
Por que tantos carros saíram de linha recentemente?
A “morte” desses veículos não foi coincidência, mas uma consequência direta da virada de chave legislativa e comercial que ocorreu na virada do ano. A consolidação da fase L8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) tornou inviável a atualização de motores antigos. Para as montadoras, custava muito caro adaptar projetos veteranos para poluir menos, tornando o encerramento da produção a única saída financeira lógica.
Além da barreira ambiental, a preferência do consumidor brasileiro consolidou a “ditadura dos SUVs”. Marcas como Toyota e Renault aproveitaram a obrigatoriedade da lei ambiental para limpar suas linhas de montagem, sacrificando hatches e sedãs compactos tradicionais para abrir espaço fabril para utilitários esportivos, que hoje dominam as vitrines e oferecem margens de lucro muito superiores.
Quais populares queridos pelo público deram adeus?
A despedida mais sentida pelos motoristas de aplicativo e famílias foi a da linha Yaris. Tanto o hatch quanto o sedã deixaram oficialmente o catálogo da Toyota, abrindo caminho para o domínio dos SUVs compactos híbridos. A marca japonesa encerrou esse ciclo para focar todas as fichas na eletrificação acessível, deixando uma lacuna no segmento de compactos premium.
Na mesma toada, a Renault aposentou definitivamente o Stepway e o guerreiro Logan. Esses modelos, famosos pela robustez mecânica e espaço interno, não sobreviveram à modernização trazida pelo Kardian e à nova identidade visual da marca. Hoje, encontrar um zero quilômetro desses modelos é tarefa quase impossível, restando apenas o mercado de seminovos.
Quais foram as perdas mais impactantes nos SUVs?
A limpeza no mercado atingiu até mesmo categorias que pareciam intocáveis, removendo das lojas opções que tinham público cativo, mas que não se sustentavam tecnicamente diante das novas regras de 2026.
Os principais cortes no segmento de utilitários e crossovers incluíram:
Para onde migraram os consumidores de luxo?
No segmento premium, a transição para a eletricidade foi o “algoz” dos motores a combustão tradicionais. A Porsche cumpriu a promessa e encerrou a venda do Macan a gasolina, transformando seu best-seller em um veículo 100% elétrico, enquanto a Audi reestruturou toda a sua nomenclatura.
Confira na tabela abaixo o destino dos modelos premium e seus sucessores:
| Modelo Extinto | Causa da Morte | Substituto em 2026 |
|---|---|---|
| Porsche Macan (Gasolina) | Eletrificação Total | Macan EV (Elétrico). |
| Audi A4 Sedan | Reestruturação Global | Audi A5 (Híbrido). |
| Chevrolet Camaro | Fim de Produção | Sem substituto direto. |
Ainda vale a pena comprar um desses “órfãos” agora?
Agora, em 2026, esses carros migraram definitivamente para o mercado de usados e restos de estoque. Para quem busca custo-benefício racional, modelos como o Logan e o Yaris tornaram-se excelentes opções de compra. Como são projetos maduros e venderam muito, a disponibilidade de peças de reposição está garantida por anos, e a desvalorização inicial já ocorreu.
No entanto, o consumidor deve negociar com firmeza. Veículos fora de linha sofrem uma queda acentuada de preço no primeiro ano após a descontinuação. Se o objetivo é ter um carro confiável para uso diário até o fim da vida útil, é um ótimo negócio; se a ideia é revender em curto prazo, o prejuízo financeiro é certo.