A segunda audiência do ditador capturado da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, na Justiça dos Estados Unidos não ocorrerá mais em 17 de março de 2026, tendo sido adiada para o fim de março por “problemas logísticos e de planejamento”, segundo o Ministério Público norte-americano.
Por que a segunda audiência de Nicolás Maduro foi adiada nos Estados Unidos?
O adiamento da audiência foi acordado entre as partes e aprovado pelo juiz federal Alvin Hellerstein, responsável pelo caso em Nova York. A defesa dos venezuelanos, liderada pelo advogado Barry Pollack, concordou com a mudança de data, mantendo o cronograma geral do processo em curso.
Segundo o procurador federal Jay Clayton, a alteração é considerada necessária para organizar melhor a etapa de apresentação e análise de provas. O intervalo extra permitirá que a acusação reúna e entregue o material probatório à defesa, assegurando tempo adequado para exame e eventual apresentação de moções pré-julgamento.
Como a etapa de provas influencia o caso de Maduro e Cilia Flores?
Esse tipo de adiamento é comum em julgamentos complexos, especialmente quando envolvem acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. Em geral, há grande volume de documentos, registros de inteligência, dados financeiros e depoimentos de testemunhas protegidas ou sigilosas.
No caso específico de Maduro nos Estados Unidos, a acusação aponta supostas conexões com redes de narcotráfico e conspiração criminosa transnacional. A reprogramação da audiência insere-se no contexto de organização da chamada discovery, fase formal em que as partes compartilham evidências e estruturam sua estratégia para o julgamento.
Quais são as principais acusações contra Nicolás Maduro e Cilia Flores?
Nicolás Maduro e Cilia Flores se apresentaram pela primeira vez a uma corte americana em 5 de janeiro de 2026, dois dias após terem sido capturados em Caracas durante uma operação militar noturna conduzida pelos Estados Unidos. Na ocasião, declararam-se inocentes de todos os crimes federais apontados pela promotoria norte-americana.
As denúncias abrangem supostos atos de narcoterrorismo, conspiração e tráfico de drogas em larga escala, além de um esquema internacional de envio de entorpecentes ao mercado norte-americano. Segundo a acusação, o casal teria utilizado estruturas estatais e influência política para favorecer atividades ilícitas:
- Acusações de envolvimento em redes de narcotráfico transnacional com rotas aéreas e marítimas.
- Suposta utilização de estruturas estatais para facilitar o envio de drogas e proteger operadores-chave.
- Participação em uma organização criminosa de alcance internacional com apoio de militares e agentes de segurança.
- Vínculos com grupos classificados como terroristas pelos EUA, ligados ao financiamento de operações ilícitas.
O que estará em discussão na próxima audiência de Maduro?
A nova data no fim de março tende a marcar uma fase sensível do processo, em que a troca formal de provas permitirá avaliar com maior clareza a robustez das denúncias. A equipe de Barry Pollack deverá definir quais argumentos jurídicos priorizará para contestar a jurisdição norte-americana, a legalidade da captura em Caracas e a validade das evidências reunidas.
Nessa etapa, especialistas apontam que a defesa pode tentar limitar ou anular partes do processo, enquanto a acusação buscará demonstrar a existência de uma estrutura organizada voltada ao tráfico de drogas em grande escala. O resultado desses embates preliminares poderá influenciar o tamanho de uma eventual pena ou até a abertura de espaço para negociações processuais.
Quais os impactos do julgamento de Nicolás Maduro?
O processo de Maduro nos Estados Unidos desperta atenção de governos, analistas e organismos internacionais por envolver um ex-chefe de Estado julgado em outro país por crimes graves. A postergação da audiência reforça a percepção de que o caso avançará em ritmo cauteloso, com foco na consistência das provas e na observância de garantias processuais.
Aliados e opositores do antigo líder venezuelano, assim como entidades que monitoram direitos humanos, narcotráfico e jurisdição extraterritorial, acompanham cada etapa do caso. As decisões do tribunal de Nova York podem influenciar futuros processos contra ex-governantes, moldando precedentes sobre responsabilidade penal individual e cooperação internacional em crimes transnacionais.