A Agência Nacional de Vigilância Sanitária emitiu um comunicado urgente sobre o uso indiscriminado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, como a semaglutida. O alerta de farmacovigilância destaca o aumento de notificações de pancreatite aguda, incluindo casos fatais registrados recentemente.
Quais substâncias estão sob monitoramento rigoroso?
O comunicado abrange uma classe específica de fármacos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, conhecidos comercialmente como “canetas emagrecedoras”. Estão no radar as substâncias dulaglutida, liraglutida, semaglutida e a tirzepatida, que exigem acompanhamento profissional estrito.
A agência ressalta que, embora os benefícios terapêuticos superem os riscos quando usados corretamente, o uso estético sem necessidade clínica eleva o perigo. O monitoramento constante visa evitar que complicações graves passem despercebidas por usuários que buscam perda de peso rápida sem supervisão.
Como as novas regras de venda funcionam?
Desde junho de 2025, o controle sobre a comercialização desses produtos tornou-se muito mais rígido no território brasileiro para coibir o uso abusivo. A medida equipara a compra desses emagrecedores ao regime de controle de antibióticos, exigindo documentação específica no balcão.
Para entender como funciona no dia a dia a aquisição desses fármacos sob a RDC 973/2025 e a IN 360/2025, observe as normas vigentes:
Quais são os sintomas de alerta para pancreatite?
A inflamação do pâncreas é o evento adverso mais preocupante citado no relatório técnico, podendo evoluir para formas necrotizantes. Identificar os sinais precoces é vital para interromper o tratamento e buscar auxílio médico imediato, evitando o desfecho de óbito.
Os dados internacionais preocupam as autoridades brasileiras após o Reino Unido registrar 1.296 notificações da doença até outubro de 2025. Veja como aplicar isso na prática observando os sinais que o corpo manifesta em casos de complicação:
- Dor Abdominal: sensação intensa e persistente que pode irradiar para a região das costas.
- Sintomas Gástricos: ocorrência frequente de náuseas e vômitos sem causa alimentar aparente.
- Sinais Sistêmicos: mal-estar súbito que exige a suspensão imediata de qualquer dose do remédio.
O que as estatísticas até 2025 revelam sobre o perigo?
No Brasil, o sistema de vigilância contabilizou 145 notificações de suspeitas de eventos adversos graves entre 2020 e o fim de 2025. Desse total, seis casos resultaram em óbito, o que motivou a agência a endurecer o discurso contra a automedicação em 2026.
A Anvisa já monitorava outros riscos associados a esses medicamentos, como problemas na visão e perigos durante procedimentos anestésicos reportados em anos anteriores. O histórico demonstra que a segurança dessa classe terapêutica depende inteiramente do cumprimento rigoroso das doses aprovadas em bula.
Como os profissionais de saúde devem proceder?
Médicos e farmacêuticos possuem o dever de orientar os pacientes sobre a relação de risco e eficácia, garantindo que o tratamento seja interrompido ao primeiro sinal de reação. A notificação no sistema VigiMed é o canal oficial para alimentar a base de dados nacional sobre segurança.
O foco atual é garantir que o diagnóstico de complicações seja feito de forma precoce para preservar a vida dos usuários. Manter a transparência sobre os efeitos colaterais é a única via para que as inovações da medicina não se transformem em ameaças à saúde pública brasileira.