A presença de caravelas-portuguesas na Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), tem alterado a rotina de banhistas e mobilizado os guarda-vidas neste verão, especialmente após o feriado de Nossa Senhora dos Navegantes, na segunda-feira (2/2), quando os animais foram vistos tanto na água quanto na faixa de areia.
Qual a preocupação com as caravelas-portuguesas na Praia do Cassino?
Durante o feriado, famílias que frequentam a orla redobraram a atenção, principalmente com crianças e pessoas com maior sensibilidade a alergias. Relatos de veranistas indicam caravelas em diferentes pontos da praia, com maior concentração próximo aos Molhes da Barra.
Nesse período, as equipes de salvamento registraram centenas de atendimentos por queimaduras causadas por caravelas-portuguesas e águas-vivas. O cenário reforça a importância de orientação clara sobre riscos, sinais de perigo e primeiros socorros em caso de contato com os tentáculos.
Como as caravelas-portuguesas afetaram a Praia do Cassino?
Segundo o comando da Operação Verão no Litoral Sul, somente na segunda-feira após o feriado foram realizados 576 atendimentos ligados a queimaduras de cnidários. Embora os registros não sejam separados por espécie, a grande quantidade de organismos chamou a atenção dos guarda-vidas.
A caravela-portuguesa tem uma “bexiga” azulada ou arroxeada que flutua na superfície e longos tentáculos abaixo, responsáveis pelas queimaduras. Esses filamentos podem ter vários metros e contêm toxinas que geram dor intensa, irritação e, em alguns casos, reações sistêmicas potencialmente graves.
Como agir em caso de queimadura por caravela-portuguesa?
A principal recomendação é evitar entrar no mar quando houver grande quantidade de caravelas-portuguesas ou águas-vivas visíveis. Nesses momentos, é hasteada a bandeira roxa, indicando risco elevado de acidentes com organismos urticantes, inclusive exemplares encalhados ainda tóxicos.
Quando ocorre contato com os tentáculos, alguns cuidados básicos imediatos ajudam a reduzir danos e complicações, devendo ser realizados com calma e, sempre que possível, com apoio dos guarda-vidas. Veja abaixo como agir em caso de queimadura:
🌊 Antes de entrar no mar
🧴 Cuidados imediatos
🚑 Quando buscar atendimento médico
Por que as caravelas-portuguesas aparecem com frequência no Sul?
Especialistas em oceanografia explicam que o aparecimento de caravelas-portuguesas no litoral do Rio Grande do Sul está ligado às condições do mar e aos ventos predominantes. O vento sudoeste que soprou no fim de semana do feriado empurrou a água superficial, camada em que as caravelas flutuam, aproximando-as da costa.
A caravela-portuguesa é um conjunto de organismos que funciona de forma integrada e depende das correntes marinhas para se deslocar. Em verões mais quentes, com ventos que empurram a água em direção à praia, a época de banho de mar coincide com picos de ocorrência de cnidários, exigindo atenção redobrada e boa sinalização. Veja mais dicas de como agir na situação no vídeo divulgado pelo influenciador @defreitasguardavidas, via TikTok:
@defreitasguardavidas A Caravela portuguesa NÃO é uma água-viva comum. Ela é um sifonóforo altamente perigoso, com tentáculos que continuam queimando mesmo depois de morta. Hoje eu explico o que realmente acontece durante a queimadura e por que o cartão é a forma mais segura de remover os tentáculos. Possui milhares de microagulhas de veneno os cnidócitos que disparam com pressão. Por isso, não pode esfregar, não pode puxar com a mão. O cartão desliza por baixo do tentáculo e remove sem ativar essas microagulhas, evitando que mais toxina entre na pele. Depois, o correto é aplicar compressa quente, que ajuda a neutralizar o veneno da caravela. A “queimadura” pode causar afogamento secundário por conta da dor irradiar pelo corpo, espasmos musculares, respiração descontrolada ou pânico no mar. Muito cuidado! ⚠️ Esse conhecimento salva vidas. Informação de prevenção. Compartilha pra chegar em mais banhistas. 🌊🛟 #aguavida #praia #mar #prevenção #salvavidas ♬ Documentary video: Tension orchestra(1259187) – RE:MUSICA
Como prevenir acidentes com caravelas-portuguesas?
Para reduzir o risco de queimaduras na Praia do Cassino, é essencial observar a sinalização das guaritas e as bandeiras hasteadas antes de entrar na água. Em períodos de maior incidência, recomenda-se evitar o banho de mar, sobretudo com crianças pequenas e pessoas com histórico de alergias.
Guarda-vidas e especialistas reforçam medidas simples que tornam o lazer mais seguro e ajudam a diminuir o número de atendimentos durante a temporada de verão no litoral sul gaúcho:
- Manter crianças sempre sob supervisão de um adulto na beira da praia.
- Evitar tocar em organismos desconhecidos, mesmo aparentemente mortos ou inofensivos.
- Ficar atento aos comunicados dos guarda-vidas sobre mudanças nas condições do mar.
- Levar itens básicos de primeiros socorros, como vinagre, para uso inicial em casos leves.